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SEQÜENCIAL

Que tal pensar em uma Bienal Internacional de Quadrinhos?

Uma Bienal de HQ tem muito a oferecer para a cidade. Pode transformar Fortaleza em um verdadeiro gibi e mobilizar a sociedade

Claude Bornél
30 Ago 2006 - 12h08min

Na seqüência, trabalhos dos franceses Jean Moebius Giraud e Enki Bilal; Uma página da história em quadrinhos
Como foi dito aqui semana passada, depois de um bem sucedido Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza, paralelo à 7ª Bienal do Livro, o que o Ceará precisa para difundir a cultura dos gibis é promover uma Bienal Internacional de Histórias em Quadrinhos.

De certa forma, o festival de ilustração cumpriu esse papel ao reunir profissionais cearenses, de outros Estados e também estrangeiros para palestras, debates e oficinas. Mas uma Bienal de HQ pode oferecer ainda mais. Pode transformar Fortaleza em um verdadeiro gibi e mobilizar a sociedade.

Um exemplo de que isso é possível aconteceu de 7 a 17 de novembro de 1991, com a 1ª Bienal Internacional de Histórias em Quadrinhos do Rio de Janeiro. O evento, que está próximo de completar 15 anos de sua realização, reuniu mais de 400 mil pessoas em torno das atrações espalhadas por 17 pontos da cidade. Além de palestras e debates com vários artistas nacionais e estrangeiros, houve 26 exposições que procuraram abranger todos os gêneros e nacionalidades de quadrinhos em evidência na época.

Quem visitou a Casa França-Brasil se deparava com a mostra “Isto é a França”. Nada mais apropriado. Uma bela decoração e pranchas com reproduções de trabalhos de artistas franceses como Jean Moebius Giraud, Enki Bilal e Margerin. Eles, aliás, participaram fazendo palestras.

Outro destaque daquele evento foi a cidade do velho oeste norte-americano, montada no Galpão das Artes do Museu de Arte Moderna (MAM). Em uma espaço de 800 m² de área construída os visitantes passavam por uma mina de carvão até chegar à delegacia, ao saloon, à casa do ferreiro e ao teatro de can-can. Uma verdadeira produção cinematográfica para montar a exposição “La Ballata Di Tex”, comemorativa aos 43 anos do cowboy criado pelo italiano Giovanni Bonelli.
No Instituto Brasileiro de Artes e Cultura (IBAC) era possível apreciar os 60 painéis que homenagearam o quadrinho argentino. Os destaques da mostra foram Alberto Breccia, Francisco Solano López e o brasileiro João Mottini, considerado um artista fundamental no cenário argentino de quadrinhos e quase desconhecido no Brasil.

Por falar na produção nacional, esta foi prestigiada de várias formas. Na Fundação Casa de Ruy Barbosa estava instalada a exposição “Gibi: 100 Anos de Quadrinhos”, uma espécie de retrospectiva do período de 1860 a 1960 com os acervos da Biblioteca Plínio Doyle e da Editora Brasil América (Ebal). No Paço Imperial ficou a produção mais recente da época com a “Retrospectiva Brasil Anos 80”, dividida em 12 blocos temáticos, do terror ao humor. Aliás, um lugar para boas risadas foi o mezanino da Estação Carioca do Metrô. Ali ficou a exposição “Humor no Brasil”, com charges e caricaturas produzidas especialmente para o evento que puderam ser vistas por milhares de pessoas que iam e voltavam para o trabalho.


Um projeto grandioso

A Bienal de HQ do Rio de Janeiro foi também o ambiente escolhido para a revelação da identidade de um mito dos quadrinhos nacionais: Carlos Zéfiro. Na verdade, Alcides Aguiar Caminha, desenhista técnico do setor de estatística do Ministério da Aeronáutica do Rio de Janeiro. Na pele de Zéfiro, desenhou e publicou centenas dos chamados “catecismos”. Na verdade, livretos de bolso com histórias em quadrinhos eróticas que eram praticamente a única fonte de informação sobre sexo para os jovens da década de 60.

Mas talvez uma das grandes sacadas da Bienal de Quadrinhos do RJ tenha sido a realização de seis concursos para premiar artistas nacionais, e que terminaram gerando exposições. Um dos que mais atraiu participantes foi o “Prêmio Ecologia”, pelo fato de ocorrer seis meses antes da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio 92). Mas houve ainda o Prêmio Jovem Talento, o Prêmio Bienal, o Prêmio Cidade, o prêmio de Humor e ainda o Prêmio Graúna de Fanzines.

É lógico que pensar uma Bienal só de quadrinhos não é de uma hora para a outra. Leva tempo, dinheiro, precisa de muita organização, nomes de peso e do apoio da Prefeitura, do Governo do Estado, de colecionadores quadrinhos…É algo para se pensar como um projeto grandioso, de longo prazo, capaz de mobilizar a sociedade em torno das HQs e gerar muitos trabalhos sociais. É rentável para quem realiza, interessante para quem produz gibis e um deleite para quem participa. Enfim, está lançada a idéia!


Oficina de Quadrinhos está com inscrições abertas

Uma dica para quem quer aprender a fazer e pensar a nona arte. As inscrições para a prova de admissão na quarta turma da Oficina de Quadrinhos de UFC estão abertas até amanhã (quinta-feira, 31/08/06). O teste será aplicado neste sábado (02/09/06), das 8 às 12 horas, para avaliar a capacidade dos participantes em produzir argumentos e colocar diálogos em quadrinhos já prontos. Podem participar pessoas com mais 15 anos e a taxa de inscrição é simbólica, custa R$ 1. O resultado sai em uma semana após a prova.

O coordenador da Oficina de Quadrinhos, Ricardo Jorge, manda um recado aos interessados que tem receio por não terem um bom traço: não é preciso saber desenhar para participar do curso. “A Oficina é para testar a capacidade de contar uma história através dos quadrinhos. Não precisa ser nada primoroso ou bem desenhado, mas tem que contar uma história. Ou seja, tem que ter um pensamento visual”, afirma.

Ao todo são 20 vagas para a quarta turma do curso, que tem duração de um semestre, no período de 16 de setembro a 9 de dezembro. Os estudantes da Oficina terão a oportunidade de participar de projetos como o fanzine de conclusão de curso “Storyboard”, o fanzine voltado para comics “Cartoonmania” e o experimental “Iiieeeiii!!!”

Mais informações podem ser obtidas na Avenida da Universidade, 2762, no Diretório Acadêmico (D.A.) de Comunicação Social da UFC, das 9h às 12 horas e das 14h às 17 horas. Ou ainda pelo e-mail oficina.quadrinhos.ufc@gmail.com e pelo telefone 3366-7469.


Roqueira nos gibis

A viúva de Kurt Cobain e vocalista da banda Hole, Courtney Love, está mesmo apostando seus talentos em outras mídias. Depois de participar de alguns filmes, como “O Mundo de Andy” – ao lado de Jim Carrey –, a roqueira se arriscou nos quadrinhos.

O mangá “Princess Ai”, lançamento da Editora Conrad, é escrito por Courtney em conjunto com Ai Yazawa, criadora do best-seller dos mangás femininos Nana, que vendeu milhões de exemplares no Japão e Europa. Vale a pena pela curiosidade.
A história é dirigida ao público feminino e remetendo ao gênero "lolita gótica" do ponto de vista estético. Conta a saga de uma princesa alienígena aprisionada na Terra, sem idéia de sua identidade, que se apaixona por um jovem guitarrista nipo-americano chamado Kent. Enquanto a princesa curte a fama como cantora, assassinos de seu planeta começam a persegui-la.

Por onde passa, “Princess Ai” gera polêmica porque os personagens e as situações lembram muito a vida real de Courtney e o romance com o falecido líder do Nirvana. O mangá tem formato 13,4 x 20,2 cm, 192 páginas, e preço sugerido de R$ 12,00.

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