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Seqüencial

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Seqüencial Especial

A invasão japonesa na Flórida SuperCon

Claude Bornél
09 Jun 2009 - 13h29min

Quem curte quadrinhos e vai a uma feira do gênero nos Estados Unidos espera encontrar um monte de gibis em promoção, HQ's de colecionadores, pessoas fantasiadas dos seus heróis preferidos, desenhistas e roteiristas dando autógrafos, estatuetas de personagens, entre outras atrações. A convenção de quadrinhos Flórida SuperCon, realizada em Miami de 5 a 7 de junho, teve tudo isso, mas numa proporção menor do que muitos esperavam. Isso porque quem mandou no pedaço foi o mangá, o ânime e os seus derivados.

A percepção de que o "mangá conquistou os EUA" (http://www.opovo.com.br/colunas/sequencial/749288.html) e que a "estética mangá está em alta nos gibis norte-americanos" (http://www.opovo.com.br/colunas/sequencial/779086.html) não são casos isolados. São fatos irrefutáveis. Cerca de 70% da programação do evento e dos stands de vendas envolviam algo relacionado a cultura japonesa, chegando ao exagero. Mais do que simples camisetas, video-games ou DVD's, era possível comprar de sabres e espadas de samurais até brincos, colares e leques, entre outros adereços femininos com look oriental.

Sim, a feira de quadrinhos também tinha quadrinhos. Japoneses, claro. Com coloridos posteres gigantes, em stands mais atrativos que os de gibis norte-americanos. Em um dos espaços reservados para vendas de revistas tipo Marvel e DC Comics, o responsável foi perguntado se tinha uma das edições da história "O que Aconteceu com o Cruzado de Capa". Ele apontou para um monte de caixas, respondendo que não tinha a menor idéia do que havia ali dentro.

Vendedores desinteressados, mas há casos também como o do diretor de arte Hugh Rookwood, que procurou ter um pouco dos dois mundos na mesa em que mostrava seus trabalhos. Ao mesmo tempo que exibia ótimos desenhos que fez de personagens como Batman, Superman e Homem-Aranha, divulgava sua própria graphic novel com temática mangá e influências de ficção científica. "Prefiro trabalhar com mangá, porque tenho mais liberdade de criação", comenta.

Pelos corredores da Flórida SuperCon desfilavam Narutos, Zeros, Pokémons, Yu-Gi-Ohs! e toda sorte de heróis de ânimes e mangás. De vez em quando surgiam personagens que destoavam da maioria tipo Rorschach, Deadpol, Viúva Negra, Coringa, Super Choque, Arlequina, Mulher-Gato. Exceções à regra que hoje orienta o mercado de quadrinhos dos EUA.

"A indústria japonesa influencia o mercado. O estilo japonês tem mais apelo junto ao público jovem hoje em dia. Deveria ser uma feira de quadrinhos, mas o que voce vê praticamente é ânime", comenta Gerry Lopez, da loja Otaku Comics, que chamou atenção na feira pelas estatuas de personagens femininas da DC Comics como Mulher Maravilha e Mulher Gavião, mas em versão ânime. "Não sei se o sucesso aqui acontece porque mangá é barato ou atrativo, mas sei que lá no Japão eles têm fascinação pelos quadrinhos produzidos nos EUA. Não da para entender", completa.

Nem todo mundo partilha essa admiração recíproca. A vendedora da loja Best Buy, Kristin Bender, que se vestiu de Coringa na Flórida SuperCon, fala com certo preconceito sobre a invasão japonesa. "Anime é como 'boy-bands', você encontra em todo lugar". Ela afirma que os quadrinhos norte-americanos já existiam quando o mangá explodiu nos EUA e vão continuar existindo, enquanto os mangás e ânimes são muito mais fáceis de serem produzidos. "O gibi norte-americano é mais arte, enquanto o ânime é só um desenho animado engraçadinho".

A estudante Skillet não entende porque há tanto conflito entre o "comics" e o "mangá". Vestida de Anko Mitarashi, personagem da série Naruto, ela alega que se sente parte de uma grande família em que não existem diferenças. Todos adoram se vestir dos seus personagens favoritos, ler quadrinhos e assistir ânimes. "É claro que o mangá e o gibi norte-americano são diferentes, pela narrativa, desenhos, personagens... Mas não deveria haver tanto conflio, porque no fim é tudo quadrinhos", sentencia.

A Flórida SuperCon chegou à sua sétima edição, mas pela primeira vez ofereceu ao público um evento de proporção grandiosa com várias atrações em diferentes segmentos de interesse do público jovem, não apenas se restringindo a quadrinhos. Convidados especiais, video-game, palestras, apresentação de bandas, festival de ânime, concurso de Cosplay, luta-livre... Teve de tudo um pouco. Leiam a seguir um pouco do que rolou no evento que é considerado o maior da Flórida e um dos maiores dos EUA.

>>>Clique no link a seguir e veja um slide show da Flórida SuperCon:
http://www.slide.com/r/nK16m9H44D-zah6sBwa5tr1dUC9_cqHY previous_view=TICKER&previous_action=TICKER_ITEM_CLICK&ciid=3530822107953606729

O ator das pontas engraçadas da franquia Homem-Aranha

Bruce Campbell, quem é familiarizado com filmes B de terror sabe exatamente de quem se está falando. Mas se não for, basta ver uma foto dele para cair a ficha. "Sim, é o cara que fez aquelas pontas engraçadas nos três filmes do Homem-Aranha". Pois foi exatamente ele o convidado de honra da Flórida SuperCon, que esteve na feira para conversar com os fãs da saudosa franquia de terror da década de 80 Evil Dead.

Nela, o ator era o mocinho Ashley "Ash" J. Williamns, papel repetido nos outros dois filmes da série e em outro trash chamado Army of Darkness. Então, alguma chance de voltar ao papel em Evil Dead 4? "Não existe uma seqüência planejada para agora. Vamos fazer uma refilmagem, mas não há nada para mim nesta refilmagem. Tem um elenco jovem e tal... Vou atuar como produtor, no máximo fazer uma ponta no começo da história".

Por falar em "ponta", a pergunta que não poderia deixar de ser feita é se ele voltará com alguma participação especial em Homem-Aranha 4. "Não há nada confirmado por enquanto, mas como houve a participação nos primeiros três filmes é possível que aconteça também no quarto."

Para quem não sabe, a série Evil Dead, assim como Army of Darkness, é dirigida pelo mesmo Sam Raimi da franquia Homem-Aranha. Raimi e Campbell trabalharam juntos também na série Xena - A Princesa Guerreira, na qual o ator fazia o mercenário Autolycus. Amigos de longa data, é questão apenas de saber qual será a ponta desta vez.

Outra curiosidade sobre Campbell ligada aos quadrinhos é sua participação no primeiro Hellboy, fazendo a voz de Lobster Johnson, e um gibi baseado no filme Meu nome é Bruce, em que faz uma paródia de si mesmo e do seu próprio personagem em Evil Dead. Também diretor e escritor, atualmente Campbell estrela uma série de sucesso na TV a cabo norte-americana chamada Burn Notice, interpretando o espião Sam Axe.


Allen Bellman - Uma lenda viva dos quadrinhos

Não é todo dia que a gente esbarra com uma lenda viva. Ainda mais uma lenda dos quadrinhos como é Allen Bellman. O desenhista estava ao lado de uma foto do Capitão América ilustrada por Alex Ross, seu ilustrador favorito nos tempos atuais, apenas para pontuar o fato de que um dos seus momentos altos na Era de Ouro dos quadrinhos foi justamente com o herói patriota da Marvel.

Contemporâneo de Stan Lee, Bellman trabalhou para a editora Timely Comics, em 1942, fazendo os desenhos de fundo das histórias do Capitão América desenhadas por Syd Shores. Eventualmente, o artista passou a trabalhar em títulos como O Patriota, Tocha Humana e The Destroyer.

Quando a Timely Comics mudou de nome para Atlas Comics - anos mais tarde vindo a se chamar Marvel Comics -, Bellman passou a atuar como free-lancer até a primeira metade da década de 50, chegando a trabalhar na fase pré-Código de Autoridade de Histórias em Quadrinhos (CCA) com histórias de terror, guerra e faroeste para a Atlas.

Um dos seus mais recentes trabalhos não foi no papel, mas na prática. No ano passado, Bellman se juntou a um grupo de artistas que doaram trabalhos originais para um leilão organizado pelo autor Brad Meltzer e a Sociedade Siegel Shuster, com o objetivo de obter recursos para reformar a casa onde Jerry Siegel, um dos criadores do Superman, viveu desde sua infância, em Cleveland, Ohio.

Mas é justamente com o Capitão América, ainda adolescente em início de carreira, que o desenhista fez a fama no meio. "Os fãs gostam do jeito antigo de desenhar, apesar dos ótimos trabalhos que existem hoje em dia", comenta.

Na opinião de Bellman, a morte do Capitão América nos quadrinhos foi uma "jogada de mestre" da Marvel. "Eu sabia que eles iam trazer o personagem de volta de alguma forma. Era uma questão de fazer dinheiro. Dinheiro é tudo nessa indústria, então era um jeito de fazer os leitores comprarem mais revistas. Fizeram isso com o Superman e com outros personagens. Eles são espertos, sabem o que fazer para vender mais gibis", conclui.

Vestidos para matar

Uma feira de quadrinhos nunca vai ser boa de verdade se não tiver Cosplay. E na Flórida SuperCon não faltou foi gente criativa fantasiada, surpreendendo no figurino. Embora a grande maioria fosse personagem de mangá e ânime, não faltou boas representações de heróis dos quadrinhos dos EUA.

O casal Christian Ramchez e Susana King são um exemplo, vestidos de Deadpol e Viúva Negra. "Eu tinha 9 anos quando conheci o personagem e adorei me vestir assim", diz Ramchez, 26, professor de artes marciais, que fez seu primeiro Cosplay na convenção. "Fiquei desapontado com a participação do personagem no filme do Wolverine, mas espero que se saia melhor no filme solo", completa.

A namorada dele, Susana King, 26, também estava fazendo sua estréia em Cosplay e se confessou um pouco perdida no começo. "Não sei muita coisa sobre quadrinhos. Estou aqui mais por causa dele, mas agora já estou ficando mais a vontade com tudo isso", conta.

Mais ciente do personagem que vestia, a vendedora Kristin Bender, 21, sabia exatamente o que estava fazendo quando se fantasiou de Coringa. "Na feira do ano passado tinha um monte de Coringas, então eu disse para mim mesmo 'eu posso fazer melhor que isso'. Afinal, o Coringa não é o Coringa sem as cicatrizes no rosto", afirmou, fazendo referência à maquiagem de Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas.

A paixão de Kristin pelo vilão está em sua personalidade. "Ele sabe quem ele é e não tem vergonha disso. Ele anuncia que está ali e pronto, diferente de outros vilões que se escondem nas sombras. Quando o Coringa está ali não há nada que se possa fazer a respeito, só há caos", diz a convicta vendedora.

A personalidade de Arlequina foi também a inspiração da estudante Kimberly Lopez, 15, para o seu Cosplay. "É uma personagem única. É alegre, divertida, fica pulando para lá e para cá. Adoro ela desde pequena".

A amiga de Kimberly, Sophie Narvaez, 15, escolheu outra vilã da mitologia Batman, mas não apenas pela personagem em si. "Resolvi me vestir de Mulher-Gato por causa da interpretação da Michelle Pfeiffer. Ela tinha aquela dupla personalidade, um pouco confusa e também legal e poderosa. Gosto muito dela, diferente da Mulher-Gato da Halle Berry. Acho que não teve nada a ver", comenta.

Rohan Binns, 14, também estava orgulhoso do seu Super-Shock, que conhece mais do desenho da TV do que das histórias em quadrinhos publicados pela DC Comics. "É um dos poucos super-heróis negros e ele é muito bom", afirma, acrescentando que comprou a jaqueta azul por acaso alguns dias antes de decidir fazer seu Cosplay. "Só então vi que seria perfeito para o uniforme".

Outro muito empolgado com sua fantasia era William Haynes, de apenas 11 anos. O estudante vestiu-se de Rorschach. "Ainda não vi o filme, estou esperando sair o DVD. Mas já li a graphic novel e adorei. Gosto do personagem porque a máscara é assustadora e ninguém me vê", completa.

Cosplay Celebrity

Tem gente que faz do Cosplay muito mais do que diversão adolescente. Faz disso uma profissão levada muito a sério. É o caso da modelo e designer de fantasias, Yaya Han, considerada uma verdadeira Cosplay Celebrity.

"Comecei fazendo Cosplay por diversão há uns 10 anos, em pouco tempo comecei a ser convidada para participar de eventos pela qualidade das roupas que eu produzia. Mas somente de três anos para cá é que resovi perseguir isso para valer, de ser designer e modelo do meu próprio trabalho", conta.
Hoje ela tem seu próprio website (http://www.angelicstar.net/), onde divulga seu portfólio e através do qual vai ficando conhecida entre o público que curte quadrinhos e Cosplay. "Para fazer a divulgação e conquistar credibilidade, vou a pelo menos 20 convenções de quadrinhos por ano. A maior parte delas nos Estados Unidos, mas eventualmente viajo para fora. Já estive em uma convenção no Rio de Janeiro, em 2007", afirma.

Atualmente, Yaya Han também presta consultoria e faz palestras para pessoas interessadas em fazer Cosplay, além de vender acessórios que ela mesma cria, que ela exibiu durante a Flórida SuperCon.

Faça você mesmo

E já que o assunto é Cosplay, sites bacanas para buscar idéias e dicas de como fazer sua própria fantasia são o http://theleagueofheroes.yuku.com/ e o http://www.heroesalliance.org/. Integrantes do The Heroes Alliance participaram da Flórida SuperCon para divulgar o trabalho que fazem de visitar crianças doentes em hospitais vestidos como heróis de quadrinhos - tema que iremos abordar com calma em uma futura edição da Seqüencial. Mas eles aproveitaram também para fazer um painel sobre confecção de Cosplay.

Segundo John Frosbattas, é possível produzir um uniforme de super-herói com fita adesiva específica para vedar tubos de ar. Com dois a quatro rolos de fita, alguém para ajudar e umas duas horas de trabalho dá para cobrir o corpo da pessoa que vai se fantasiar. "É importante ir ao banheiro antes de começar a ser enrolado pela fita e não beber água durante todo o processo, porque não dá para interromper", explica, entre risos.

A fita é usada por cima de uma roupa velha ou nova, mas que se adeque ao desenho do uniforme que será produzido: manga curta ou longa, gola em "v" ou até o pescoço, etc. John explica que não dá para usar qualquer tipo de fita porque não adere direito à roupa e não tem tantas fibras quanto a fita veda tubo.

Uma vez encerrado o processo de cobrir o corpo com a fita, a roupa é cortada nas costas desde a nuca até a base da coluna, de tal forma que a pessoa possa entrar e sair do uniforme. John lembra que é importante não pendurar a roupa em cabide, para não enrugar. Em vez disso, mantenha a roupa em um manequim desses de vitrine de loja.

"É igualmente importante ter uma pessoa de confiança para ajudar, senão ela te enrola todo, tira fotos para tirar um sarro de você e depois vai embora te deixando todo enrolado. Acredite, isso acontece", garante, novamente rindo.

O custo de confecção do Cosplay vai depender da criatividade e do orçamento disponível. "Entre o que eu fiz e o que eu comprei, gastei uns US$ 300 nesa roupa do Robin. Quando você gasta menos de US$ 300 numa roupa, dá para ficar feliz da vida. Agora, na convenção de Atlanta vi um Homem-de-Ferro muito bem feito que o cara diz ter gastado US$ 7 mil".

Super-Heróis no Youtube

Qual é o fã de quadrinhos que não sonha em criar seu próprio personagem, seu próprio gibi ou, indo mais além, produzir sua própria série de TV? Pois o diretor Kurt Donath, da Aberdeen Soldier Productions, realizou esse sonho ao produzir uma série de episódios para veiculação no YouTube, a Lucky Streak and The Crime Fighters, lançada oficialmente durante a Flórida SuperCon.

"A idéia é começar exibindo de 10 a 15 episódios de cinco minutos no YouTube, a partir de agosto, e depois tentar vender a idéia para uma emissora de TV exibir a série aos sábados de manhã", revela o diretor. O seriado independente levou seis meses em pré-produção e mais um ano para ter todos os filmes prontos.

Como fã de quadrinhos, Kurt se queixa que desde o primeiro filme dos X-Men, dirigido por Bryan Singer, não vê mais os heróis vestidos uniformes colantes (ou "spandex"). "Daí que resolvi resgatar esse imaginário dos colantes no figurino dos heróis da série".

Lucky Streak and The Crime Fighters conta a história da jovem Lucky Streak, que descobre que sua mãe (vivida pela atriz Rachel Galvin) era uma super-heroína do passado, chamada Amazing Grace. Daí que a menina decide ser uma combatente do crime, mas não tem super-poderes. "Gosto de pensar uma história de fantasia a partir de algo extraordinário feito por pessoas comuns. Esse é o fio da trama que leva Lucky Streak a se tornar uma verdadeira combatente do crime", conta.

Para ver o episódio piloto da série, bastanta clicar no link http://www.youtube.com/luckystreaktheseries, e para saber mais sobre a produção, o elenco e os bastidores, clique em http://www.myspace.com/capedcrusadersthemovie.








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28/07/2009
19:21

Fala Cláude. Gostei a beça do texto, principalmente o do Bruce Campbell. Só uma observação, Army Of Darkness é a terceira parte de Evil Dead. Da forma como vc descreveu, deu a entender que Existe a trilogia Evil Dead e depois foi feito o Army Of Darkness. No mais, gostei do texto. Um abraço.

Efraim

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11/06/2009
17:23

Muito bom esta reportagem, como posso fazer para conseguir o exemplar desta noticia, pois a filha de um amigo meu Sophia Narvaez esta mencionada e gostaria de lhe dar este exemplar.

Joni Emilio Kurgan

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