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Buchicho

Entrevista

O último romântico

Dudu Azevedo, o Xande, de Três Irmãs, fala com exclusividade ao Buchicho. Solteiro, o ator de 30 anos sonha em casar e ter quatro filhos

Juliana Girão
da Redação

15 Nov 2008 - 14h08min

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Foto: Divulgação
Carioca, 30 anos, bem-sucedido. É bonito, sarado e alto-astral. Amante da natureza e fiel à família, mora sozinho em um refúgio no litoral do Rio de Janeiro. Interessou? O candidato é Dudu Azevedo, o Xande, da novela Três Irmãs, da TV Globo. Solteiro, o ator vem despertando o interesse do público feminino desde que viveu o divertido Barretinho, na novela Duas Caras. O personagem, típico playboyzinho, costumava ter como figurino um lençol ou uma toalha enrolada no corpo. Desta vez, Dudu Azevedo está no papel do namorado mal amado e do surfista frustrado obrigado a andar de muletas no folhetim das sete.

Da ficção para a vida real, Dudu Azevedo garante não tirar proveito da fama. "O meu critério para me envolver com alguém é muito mais rigoroso. Eu fico tranqüilo, relaxado, mas fico prestando muito mais atenção", garante, em entrevista exclusiva, concedida por telefone, no último dia 5. O moço, que acabou de entrar para a casa dos 30 (o aniversário foi no último dia 7), sonha em casar, ter quatro filhos e conquistar uma mulher para toda a vida. Tem coisa mais bonitinha?

Fazendo o tipo "menino do Rio", com o sotaque bem puxado, Dudu passa longe das baladas e gosta mesmo é de estar com os amigos antigos. Nas horas de folga, curte dar mergulho no mar e brincar com as verdadeiras donas da sua casa, em Itacoatiara, Niterói: as cachorras Tuca e Nina, além do gatinho de rua recém-adotado Romão Junior. O nome do felino é uma homenagem ao vocalista da banda R.E.D. Trip, na qual Dudu é baterista.á Formada por Ricardo Romão (vocal e violão), Danilo Loria (guitarra e voz) e Henrique Lott (Baixo), a banda pretende lançar o segundo CD no ano que vem.

Ex-estudante de Direito, Dudu estreou na televisão em 1994, no seriado Confissões de Adolescente. O reconhecimento do público veio aos poucos com a participação na novela Celebridade, em 2003, e no filme Cazuza – O Tempo não Pára, em 2004. "Eu acho muito importante que as coisas não aconteçam de forma meteórica", acredita.

O POVO - Você estreou na televisão como o Dalton, do seriado Confissões de Adolescente, em 1994. Quando você decidiu que queria ser ator?
Dudu Azevedo – Na verdade, nunca tive esse desejo, essa ambição. Sempre foi uma coisa despretensiosa. áOs trabalhos foram pintando. Em Confissões de Adolescente, quando eu fui convidado para fazer o teste, eu não era ator. áEu nem sequer tinha feito curso de teatro nem nunca tinha pensado em fazer. Aí eu cheguei lá e tinha um monte de moleque da minha idade e que eu já via na televisão há muito tempo. Umas carinhas já conhecidas, uma galera que já fazia teatro. Aí, eu falei: 'eu não vou passar nunca nesse teste'. No entanto, alguns dias depois, eu recebi a ligação dizendo que eu tinha sido aprovado para o trabalho. Aí foi muito louco porque eu não tinha nenhum preparo nem psicológico nem técnico.

OP – Mas quando foi que você viu que realmente era aquilo que você queria para a sua vida e que você iria realmente levar a sério? Teve esse momento?
Dudu Azevedo – Teve. No momento que eu larguei tudo. Na verdade só não larguei a música. Eu sou músico desde moleque. Comecei a tocar antes de atuar, com uns 12 ou 13 anos (primeiro, no violão, depois, no contra-baixo, e por fim, na bateria). Aí o que aconteceu foi que eu fui trabalhando sem ter grandes ambições em relação à profissão (de ator) até fazer faculdade. Quando eu estava mais ou menos no terceiro período da faculdade de Direito, eu tinha uns 21 anos, fiz um teste para um longa-metragem (1972, de José Emilio Rondeau) e aí larguei tudo e comecei a me dedicar mesmo. Fui chamado para fazer a Oficina de Atores da Rede Globo, fiz outros cursos por fora.

OP –
Você viu que não seria um bom advogado?
Dudu Azevedo – Não. Eu acho que eu até seria um advogado legal. Os professores viviam me chamando para trabalhar com eles. Eu já tinha várias oportunidades. Eu só não seria era um profissional realizado. Então foi mais uma questão de escolha pessoal mesmo. Uma cartada em prol da realização profissional e da felicidade.

OP - Você só começou a ser reconhecido pelo público com a sua participação na novela Celebridades e depois no filme Cazuza. Como você analisa o seu trabalho até agora?
Dudu Azevedo – Eu acho que tudo tem seu tempo. Eu acho muito importante que as coisas não aconteçam de forma meteórica, de um dia para o outro. O sucesso é muito relativo. Acredito que a minha escolha foi um sucesso. Eu escolhi a profissão que me escolheu. Eu sou ator, eu nasci ator e fui descobrir depois de muito tempo. Eu sou músico e nasci músico. Então são vocações, dons, talentos. Acho muito bom que as coisas sejam gradativas, step by step, passo a passo, como vem acontecendo comigo. Eu já estou nessa batalha aí há 17 anos praticamente. E é uma coisa que o tempo, o êxito, a frustração, a vitória, a derrota, o tombo, o sucesso; tudo me ensinou.

OP – Vamos falar do Xande. Você torce para que ele fique com a Suzana (Carolina Dieckmann)?
Dudu Azevedo – Eu torço para que o Xande seja feliz dentro do que ele for vivendo. A Suzana sempre foi um alicerce para ele. De certa forma, o Xande sempre viveu para ela. Não estar mais com ela abriu um horizonte novo que foi o não desistir de si mesmo e correr atrás da recuperação. Voltar a ser o cara que ele era antes e redescobrir os prazeres da vida, sem depender emocionalmente de ninguém. Mas eu acho que o amor pela Suzana foi uma coisa que ainda é um senso de direção para o Xande. Ele sempre amou a Suzana, sempre viveu para ela. Ninguém abre mão de um amor assim e se apaixona por uma pessoa do dia para o outro. Então, se ele conseguir se recuperar e eles redescobrirem o amor e o respeito e a felicidade juntos ia ser o clímax, a catarse, o máximo para o Xande. Mas a vida não é bem assim, né? Às vezes a gente ganha por um lado e perde pelo outro.

OP - Na novela Duas Caras, você conquistou o público feminino (o personagem Barretinho aparecia só de toalha ou lençol como figurino). Antes de fazer novela, você já fazia sucesso com a mulherada? Agora a fama ajuda nisso?
Dudu Azevedo – É uma questão de escala. Quando você fica sem camisa na novela das oito, atinge um número "x" de mulheres. Mas eu nunca me dei mal com mulher, não. Graças a Deus, sempre me dei bem. Sempre foi bom para o meu lado. Minha relação com as mulheres sempre foi bem positiva para mim.

OP – Não tem do que reclamar?
Dudu Azevedo – Não tenho do que reclamar (risos).

OP – Agora mais ainda?
Dudu Azevedo – Agora mais. Você pode ser horroroso, mas, se você está com a cara na televisão, a gente vê vários exemplos, a gente só não vai falar nome porque a gente é elegante (risos). Tem um monte de maluco feio pra cacete que pega um monte de mulher porque é famoso. Eles se aproveitam disso, não querem nem saber se a mulher está realmente interessada nele, no que ele é ou no dinheiro, na fama, enfim. Para ser bem sincero para você, isso não me enche os olhos não.

OP – Por quê?
Dudu Azevedo - Não tenho muita vontade de me aproveitar disso. Eu gosto de quem gosta de mim de verdade, de quem eu sou. Gosto dos meus amigos que sempre foram meus amigos, não dos novos. Eu faço novos amigos, mas os meus amigos de sempre continuam sendo meus amigos de infância. Hoje o meu critério para me interessar por alguém é muito mais rigoroso pelo fato de eu ser um cara mais famoso e a quantidade e a proporção de mulheres que se aproximam ser muito maior. Eu fico tranqüilo, relaxado, mas fico prestando muito mais atenção e tentando entender quem é a pessoa do que eu ficava antes. á

OP – Por que pode haver interesse?
Dudu Azevedo - É. A pessoa pode estar perto de mim só porque eu estou na novela e sou um cara famoso. Não quero uma pessoa do meu lado interessada nisso. Quero uma pessoa que goste de mim e entenda quem eu sou. E goste de mim de verdade e não o que eu tenho.

OP – Por falar em família, eu li que você tem o sonho de casar, ter quatro filhos e ter uma mulher para toda a vida. De onde vem essa vontade?
Dudu Azevedo – Sem dúvida vem da minha família. Meu pai e minha mãe foram casados a vida inteira e viveram para a família. A questão é que isso é uma utopia. Hoje em dia as pessoas estão numa velocidade, num ritmo muito diferente. Um casamento dar certo é uma coisa bem delicada. É necessário cumplicidade, tolerância, paciência, vocação para levar uma vida de casado. Eu tenho realmente isso na cabeça. Tenho vontade de não errar. De gostar de uma mulher e ali ficar. Não ficar trocando de mulher, ter filho com uma, ter filho com outra. Não que isso seja absurdo. Acho que isso é conseqüência da vida.á Ainda mais na minha profissão, isso é muito difícil. A mulher para estar comigo tem que ter a cabeça muito boa, tem que estar preparada para lidar com isso.

OP – Mas você já tem uma pretendente?
Dudu Azevedo – Não, não tenho. Estou solteiro.

OP - Quando você não está gravando novela nem tocando na banda, o que você gosta de fazer?
Dudu Azevedo – Eu gosto de ficar na minha casa. Gosto de ir para a praia, dar um mergulho, ficar ali curtindo o lugar que eu moro, voltar para a minha casa, ficar com os meus bichos. Gosto muito dessa vida pacata, que o lugar que eu moro me oferece. (Dudu mora em Itacoatiara, Niterói, distante 70 km do Projac, local onde grava a novela)

OP – Você tem planos para depois da novela em cinema ou teatro?
Dudu Azevedo – Não tenho nada em vista de teatro. Tenho a possibilidade de, quando acabar a novela, a gente começar a trabalhar num roteiro num filme novo com a galera que fez Ódiquê? comigo, que é o Felipe Joffily, diretor. A gente está com alguns roteiros na mão e estou disposto a participar e até ajudar como produtor do filme. Não tenho experiência nisso, mas me propus a ajudar nesse sentido. Isso se a Globo me liberar, se eu não tiver uma outra para emendar de cara.

OP – Para finalizar, se você pudesse resumir, quem é Dudu Azevedo?
Dudu Azevedo – Eu sou o filho da minha mãe e do meu pai. A presença disso é fundamental nessas aspas. Não quero abrir mão. Transcreva isso. Sou um legítimo filho da minha mãe e do meu pai. Sou um legítimo fruto do meio, da minha família e o resultado de tudo aquilo que eu passei e vi na minha vida. Parte fundamental de mim são os meus amigos, que me amam, que me protegem, que me criticam, que me ensinam todos os dias. Eu sou um cara muito tranqüilo, esforçado para ser um sujeito cada vez melhor e mais justo todos os dias da minha vida. Sou um cara comprometido em fazer o bem e, ao mesmo tempo, em jamais me corromper, ser muito coerente e sincero com as minhas premissas. Esse sou eu.

Na Internet!
http://www.duduazevedo.blogger.com.br/
http://www.redtrip.com.br/

E-MAIS

Trabalhos de Dudu na TV e no cinema

Três Irmãs (Novela, 2008)
Duas Caras (Novela, 2007/2008)
PodeCrer! (Filme, 2007)
Pé na Jaca (Novela, 2007)
Toma Lá da Cá (Seriado, 2007)
JK (Minissérie, 2006)
1972 (Filme, 2006)
Minha Nada Mole Vida (Seriado, 2006)
Como uma Onda (Novela, 2004)
Ódiquê? (Filme, 2004)
Cazuza - O Tempo Não Pára (Filme, 2004)
Celebridade (Novela, 2003)
1972 (Filme, 2003)
O Campeão (Novela, 1996)
Confissões de Adolescente (Seriado, 1994)

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