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Entrevista

Múltiplo Murilo

O ator Murilo Rosa partirá hoje do Ceará e aproveitou a estadia para conceder uma entrevista ao Buchicho sobre as gravações de seu mais novo longa, Área Q, com produção do cearense Halder Gomes

Angélica Feitosa
angelica@opovo.com.br

14 Out 2009 - 01h25min

Murilo Rosa atende ao telefone com voz de quem sorri, sem negar que tem muito o que comemorar em 2009. Aos 39 anos e numa das melhores fases da carreira, o ator coleciona a filmagem do terceiro longa somente este ano – e ainda arrumou um tempo para a participação como Lucas, em Caminho das Índias. O filme mais recente e ainda em gravação Área Q, primeiro trabalho em um filme de ficção científica do ator, teve como cenário as cidades de Quixeramobim e Quixadá, no Sertão Central do Estado.

O longa tem produção do cearense Halder Gomes, a assinatura da Reef Pictures e Woodland Hills, dos Estados Unidos, e ATC Entretenimentos, Estação Luz Filmes e Boa Vontade Filmes do Brasil. Desde o dia 3 de outubro no Ceará, Murilo arruma as malas para deixar hoje, 14, o sertão cearense. Em entrevista ao Buchicho, de Quixeramobim, ele conta como foi gravar um filme sobre ovnis e abduções. E como as gravações mexeram com as cidades.

O POVO – O seu trabalho no cinema vem se consolidando. Você rodou Olga, Orquestra dos Meninos e vem agora Área Q. É um momento especial na sua carreira?
Murilo Rosa – É sim. Área Q já é o terceiro longa que eu faço esse ano. Gravei também No Olho da Rua, do Rogério Correia, no qual faço um metalúrgico, um protagonista, diferente do homem que se tornou presidente. Estou também em Como Esquecer, da Malu Di Martino, uma história maravilhosa gravada no Rio de Janeiro, sobre um gay no vazio do final de uma relação. Agora, estou aqui em Quixeramobim fazendo Área Q, uma parceria com o Halder (Gomes). Eu o conheci em Los Angeles e ele traz um novo caminho para o cinema no Ceará. É uma fonte nova que surge, com muita disposição e vontade de fazer. Não temos muito esse tipo de filme no Brasil, então é um desafio trabalhar num drama com elementos de ficção científica, ainda mais gravado, na maior parte, em inglês, com um ator americano e boa parte da equipe americana. É tudo inovador. Uma pessoa encantadora, o Isaiah Washington (do seriado Grey’s Anatomy que está no elenco). Área Q vem com uma força diferente e é por isso que eu embarquei.

OP – Você faz três personagens: João Batista, um agricultor que foi abduzido, o filho dele anos depois e um outro personagem surpreza, que fala inglês. Como você se preparou?
Murilo - Como é um filme em inglês e eu não sou americano, tive de aprimorar o inglês. Eu faço uma junção de personagens: o agricultor João Batista, em 1979, alguém com uma pureza no coração e que acaba desaparecido. Ele foi trabalhar e sumiu. O filme, então, pula 30 anos, quando um jornalista norte-americano vem ao Brasil para investigar o que aconteceu e se ele realmente foi abduzido. Eu faço também o filho do agricultor, 30 anos depois, e volto com o desfecho num outro personagem. O nordestino que eu faço é um agricultor do coração puro, que tem muita coisa boa para passar, principalmente a simplicidade do sertanejo. Estou de bigode, barbinha, a pele mais queimada. Depois com o filho, vou estar de cara mais limpa.

OP – E como foi a composição do sertanejo, houve uma pesquisa?
Murilo – Como disse o famoso autor, o sertanejo é, antes de tudo, um forte. É um ser sábio. Para viver no sertão, nessas condições adversas, ele precisa de uma sabedoria muito maior que a nossa. Procurei a simplicidade e a pureza, mas esse é um filme complexo que vai pedir uma renovação do ser humano. O homem mostrou que não é capaz de cuidar do planeta Terra. Para montar o personagem, estou observando o povo daqui mesmo. Já fiz alguns nordestinos, desde Mandacaru (na extinta Rede manchete) até na peça Se Correr O Bicho Pega E Se Ficar O Bicho Come, e ainda teve o pernambucano Mozart, em Orquestra dos Meninos. É um universo que me interessa muito fazer. A essência do nosso trabalho é conseguir da forma aos vários universos.

OP - Em entrevistas, você já disse que a TV lhe dá popularidade, mas, no cinema, deseja realizar um trabalho mais artístico. De que forma você considera que tenha alcançado isso?
Murilo – Quero antes dizer que sou muito feliz de ser um funcionário da Rede Globo. Tenho uma relação muito boa, numa empresa muito boa de trabalhar. Tenho muito orgulho de todos os personagens que criei ao longo da carreira. De 2006 para cá, comecei a focar no cinema e me despertou uma vontade de fazer filmes. Estamos no momento, o cinema do Brasil é a bola da vez do mundo. Antes de vir para cá, o próprio Orquestras dos Meninos ganhou prêmio de melhor filme no Cine Fest Brasil-Londres. Foi um momento emocionante, bonito. O cinema está me dando uma outra oportunidade, que a TV e o teatro já me deram. No cinema, eu posso realizar alguns tipos de trabalho que ainda não fiz: um maestro, um metalúrgico pobre, um personagem gay num universo lindo, agora um agricultor e de, certa forma, até um ser de outro planeta!

OP – E já existem outras propostas?
Murilo – Tenho cinco roteiros para analisar e estou esperando as datas para confirmar. Mas gostaria também de criar uma base maior de inglês e espanhol. Tenho de estudar os roteiros e estou de reserva para uma novela. É muita coisa ao mesmo tempo, tenho que avaliar e priorizar.

OP – Pode adiantar que novela deverá ser?
Murilo – Ainda não posso adiantar, acabei de sair de uma novela... Esse ano foi cheio de coisas, novela, filmes, a Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, muita coisa ao mesmo tempo. Mas vocês deverão ver logo.

OP - As filmagens devem ter causado um reboliço em Quixadá e Quixeramobim.
Murilo (risos) - O filme é um evento. Do primeiro ao quarto dia, tirei fotos com todo mundo, pessoas boas e simples, foi muito carinho, cheio de cartazes que meninas escreveram. As pessoas começam a se acostumar. Agora estamos gravando à noite, fica mais difícil o contato.

OP - A equipe técnica e de produção é basicamente cearense. Como você avalia o nível do trabalho?
Murilo - Excepcional a minha avaliação dos cearenses. Uma equipe muito boa, pessoas que estão com vontade de trabalho. Está muito gostoso.

OP – A Thânia Khalil está no elenco de Área Q. Como está sendo trabalhar com ela novamente?
Murilo – A Tânia é uma ótima companheira de trabalho e a acho muito interessante como atriz. Fiquei feliz com a escolha. A gente não vai contracenar, há momentos em que estamos na mesma cena. É um barato, ela é uma parceira das boas.

OP - A Fernanda Tavares é modelo, viaja muito, como fica a relação? Você tem projetos de trabalhar fora?
Murilo - Estão existindo algumas oportunidades. Não me mudaria para fora (do País) para poder me dedicar a uma carreira internacional, mas vou aproveitar as oportunidades. Se eu houver propostas de um filme fora do País, eu vou aceitar. Para isso, vou fazer espanhol, melhorar em inglês.

OP - O Lucas, de Caminho das Índias, foi seu primeiro personagem contemporâneo e urbano. Qual o papel você considera que marcou sua carreira?
Murilo - Não tem como apontar um só, são muitos trabalhos, não dá para escolher. Desde o Martin, de Xica da Silva; o Tenente Aquilles, de Mandacaru; o Corte Real, da Casa das 7 Mulheres; o padre Miguel, de Desejo Proibido. O Lucas me deu a oportunidade de fazer algo mais parecido com a vida mesmo.

OP - Você tem um trabalho que lhe torna uma figura pública, ao mesmo tempo em que é bem reservado. Como lida com o assédio e como o separa da sua vida?
Murilo - Na verdade, como já trabalho há muito tempo, não fico pensando muito nisso. Eu sou uma pessoa só, não separo o ator Murilo Rosa, do pai, do esposo. Já não sou de muito de badalação, não tenho ido a muitos eventos. Estou trabalhando e tenho minha vida pessoal. Sou o artista, sou a pessoa. Sou eu. Tenho vida normal e minha relação é com simplicidade e a verdade. Em relação ao tumulto, a melhor proteção é um bom sorriso. Quando você quer mascarar é que fica complicado. O importante é saber aonde você pode ir e onde tem que se valorizar cada vez mais. Não acho absurdo, vejo como algo natural, as pessoas gostarem de mim.

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14/10/2009
21:31

"A equipe técnica e de produção é basicamente cearense. Como você avalia o nível do trabalho?" - O cinema cearense não deve a nenhum outro produzido no Brasil> pergunta idiota!

arthur

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14/10/2009
08:49

O z do surpreZa, na segunda pergunta, doeu, viu

Renata Farias

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