Ciência & Saúde
meio ambiente
Estudos para diminuir impactos na agropecuária
Estudos pretendem limitar ou reduzir o impacto causados por utilização de práticas que não se preocupavam com o meio ambiente. No Brasil, 100 milhões de hectares de pastos estão em processo de degradação
26 Jul 2008 - 16h13min
A saída pode estar no próprio solo. E é nesse sentido que as pesquisas estão caminhando, para mostrar que muitas das possibilidades podem surgir de iniciativas desenvolvidas a partir de uma agricultura sustentável. A degradação de áreas, que um dia foram produtivas, é um dos problemas do produtor rural e também preocupação dos pesquisadores que buscam meios de reduzir os impactos do aquecimento global na agropecuária e vice-versa. Isso porque terras improdutivas causam prejuízos para o setor e afetam o meio ambiente.
No Brasil, dos cerca de 200 milhões de hectares de pastos, 100 milhões estão em processo de degradação, segundo o gerente-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad. Mas esse quadro pode ser revertido com a recuperação dessas áreas. Tanto é possível que existem várias pesquisas em andamento. Iniciativas nesse setor estão sendo desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com vários centros de pesquisas e entidades. Uma dessas possibilidade de recuperação de áreas degradadas está no sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
Assad diz que têm sido realizados trabalhos cada vez mais eficientes no sentido de trazer mais benefícios para o meio ambiente como a ILP e o sistema de agrofloresta. Ele observa que a ILP é uma das soluções para recuperar o pasto degradado e que existem experiências êxitosas em várias regiões como Amazonas, Centro Oeste, Sul e Nordeste do País.
Solo
De acordo com os estudos, quando a integração lavoura-pecuária é feita de forma programada, traz maior sustentabilidade à exploração da propriedade, uma vez que as duas atividades beneficiam melhor o solo e agilizam a produção de grãos e carne, além de ajudar na redução de custos. O pesquisador também deposita nessa iniciativa uma das possibilidades de limpeza da atmosfera uma vez que propicia o aumento do seqüestro de carbono, redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, evitando, conseqüentemente, o aumento de temperatura e o aquecimento global. Com isso, há um aumento significativo da capacidade do pasto e uma manutenção da produção sustentável.
"Se for bem feito a integração pode reduzir a emissão de gases para atmosfera, caso contrário, pode aumentar e as conseqüências são graves, com muitos prejuízos para agropecuária", alerta Assad. Isso porque as mudanças climáticas interferem, consideravelmente, na agropecuária. O desafio dos pesquisadores é de encontrar alternativas para reduzir os impactos da agropecuária no meio ambiente e vice-versa.
Nicolas Fabres, que é doutor em agroecologia, diz que é importante trabalhar no enfrentamento do processo de desertificação que tem entre as causas a prática de técnicas agrícolas convencionais, que utiliza o desmatamento, a queimada, o uso de agrotóxico. O assessor de agroecologia da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) acrescenta que a agroecologia é o foco do trabalho educativo realizado com os agricultores. Eduardo Assad ressalta que a agroecologia é uma boa solução, mas se não houver mudança de paradigma, não há sistema bom. (Fátima Guimarães)
E-MAIS
De acordo com especialistas, a integração lavoura-pecuária proporciona maior eficiência aos sistemas produtivos e ajuda a diminuir a pressão por abertura de novas áreas de pastagens. Além de ajudar na recuperação do potencial produtivo das propriedades; o aumento da produção de grãos, carne e leite; a sustentabilidade dos sistemas; a melhoria do manejo e da conservação do solo e da água, além da elevação da renda do produtor rural.
A Embrapa-Acre tem trabalhos de pesquisa que resultaram no conjunto de soluções tecnológicas para a morte do capim-braquiarão. O problema se manifesta principalmente na época chuvosa, causando o amarelecimento, murchamento e finalmente a morte de plantas da gramínea. Isto reduz a capacidade de suporte das pastagens e a produtividade animal nas propriedades, causando sérios prejuízos aos produtores da região.
As pesquisas realizadas pela Embrapa consistem no trabalho de renovação das pastagens e recuperação de áreas degradadas no Acre e em outras espécies forrageiras mais adaptadas, em substituição ao capim-braquiarão, até correção e adubação do solo para o s casos mais críticos. O processo envolve desde a reforma manual, utilizando espécies forrageiras mais adaptadas, em substituição ao capim-braquiarão, até correção e adubação do solo para os casos mais críticos.
FIQUE DE OLHO
O solo serve para dar sustentação às plantas e funciona como um reservatório de água e nutrientes necessários para a vida das plantas. Por sua vez, elas oferecem a cobertura do solo e fornecem matéria orgânica que é importante para sua conservação.
A utilização de técnicas inadequadas de cultivo como queimada, desmatamento, causa a erosão, que é o desgaste do solo. Esse processo leva ao empobrecimento do solo, a perda da capacidade produtiva. Além disso, provoca desgaste ambientais como o transporte de terra para dentro dos rios, poluição dos mananciais.
O gás carbônico é um dos gases causadores do efeito estufa, pois promove um aumento de temperatura na atmosfera. Atividades da agropecuária são apontadas como responsáveis pela emissão desses gases.
Altas temperaturas podem prejudicar a agricultura e a pecuária, resultando na queda da produção de grãos, na produção de leite e de carne.
PARA RECUPERAR O SOLO
A prática da integração do sistema lavoura-pecuária como forma de recuperar o pasto degradado ajuda a reduzir a erosão e aumentar o seqüestro de carbono, aumentando a capacidade do pasto e mantendo a produção sustentável.
Seqüestro de carbono é o processo que consiste em armazenar carbono por um longo período em uma forma não gasosa. Para que o seqüestro de carbono seja significativo é preciso que o carbono fique armazenado por um período longo o suficiente para que a emissão de carbono para a atmosfera diminua, evitando o aumento da temperatura e o aquecimento global.
AGRICULTURA TRADICIONAL
As monoculturas degradam a paisagem;
Produz altos índices de toxidade pelos agroquímicos utilizados;
Elimina a biodiversidade;
Degrada o solo;
Polui os recursos hídricos.
AGROECOLOGIA
Possibilita a natural renovação do solo;
Facilita a reciclagem de nutrientes do solo;
Utiliza racionalmente os recursos naturais;
Mantém a biodiversidade que é importante para a formação do solo.
No Brasil, dos cerca de 200 milhões de hectares de pastos, 100 milhões estão em processo de degradação, segundo o gerente-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad. Mas esse quadro pode ser revertido com a recuperação dessas áreas. Tanto é possível que existem várias pesquisas em andamento. Iniciativas nesse setor estão sendo desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com vários centros de pesquisas e entidades. Uma dessas possibilidade de recuperação de áreas degradadas está no sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
Assad diz que têm sido realizados trabalhos cada vez mais eficientes no sentido de trazer mais benefícios para o meio ambiente como a ILP e o sistema de agrofloresta. Ele observa que a ILP é uma das soluções para recuperar o pasto degradado e que existem experiências êxitosas em várias regiões como Amazonas, Centro Oeste, Sul e Nordeste do País.
Solo
De acordo com os estudos, quando a integração lavoura-pecuária é feita de forma programada, traz maior sustentabilidade à exploração da propriedade, uma vez que as duas atividades beneficiam melhor o solo e agilizam a produção de grãos e carne, além de ajudar na redução de custos. O pesquisador também deposita nessa iniciativa uma das possibilidades de limpeza da atmosfera uma vez que propicia o aumento do seqüestro de carbono, redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, evitando, conseqüentemente, o aumento de temperatura e o aquecimento global. Com isso, há um aumento significativo da capacidade do pasto e uma manutenção da produção sustentável.
"Se for bem feito a integração pode reduzir a emissão de gases para atmosfera, caso contrário, pode aumentar e as conseqüências são graves, com muitos prejuízos para agropecuária", alerta Assad. Isso porque as mudanças climáticas interferem, consideravelmente, na agropecuária. O desafio dos pesquisadores é de encontrar alternativas para reduzir os impactos da agropecuária no meio ambiente e vice-versa.
Nicolas Fabres, que é doutor em agroecologia, diz que é importante trabalhar no enfrentamento do processo de desertificação que tem entre as causas a prática de técnicas agrícolas convencionais, que utiliza o desmatamento, a queimada, o uso de agrotóxico. O assessor de agroecologia da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) acrescenta que a agroecologia é o foco do trabalho educativo realizado com os agricultores. Eduardo Assad ressalta que a agroecologia é uma boa solução, mas se não houver mudança de paradigma, não há sistema bom. (Fátima Guimarães)
E-MAIS
De acordo com especialistas, a integração lavoura-pecuária proporciona maior eficiência aos sistemas produtivos e ajuda a diminuir a pressão por abertura de novas áreas de pastagens. Além de ajudar na recuperação do potencial produtivo das propriedades; o aumento da produção de grãos, carne e leite; a sustentabilidade dos sistemas; a melhoria do manejo e da conservação do solo e da água, além da elevação da renda do produtor rural.
A Embrapa-Acre tem trabalhos de pesquisa que resultaram no conjunto de soluções tecnológicas para a morte do capim-braquiarão. O problema se manifesta principalmente na época chuvosa, causando o amarelecimento, murchamento e finalmente a morte de plantas da gramínea. Isto reduz a capacidade de suporte das pastagens e a produtividade animal nas propriedades, causando sérios prejuízos aos produtores da região.
As pesquisas realizadas pela Embrapa consistem no trabalho de renovação das pastagens e recuperação de áreas degradadas no Acre e em outras espécies forrageiras mais adaptadas, em substituição ao capim-braquiarão, até correção e adubação do solo para o s casos mais críticos. O processo envolve desde a reforma manual, utilizando espécies forrageiras mais adaptadas, em substituição ao capim-braquiarão, até correção e adubação do solo para os casos mais críticos.
FIQUE DE OLHO
O solo serve para dar sustentação às plantas e funciona como um reservatório de água e nutrientes necessários para a vida das plantas. Por sua vez, elas oferecem a cobertura do solo e fornecem matéria orgânica que é importante para sua conservação.
A utilização de técnicas inadequadas de cultivo como queimada, desmatamento, causa a erosão, que é o desgaste do solo. Esse processo leva ao empobrecimento do solo, a perda da capacidade produtiva. Além disso, provoca desgaste ambientais como o transporte de terra para dentro dos rios, poluição dos mananciais.
O gás carbônico é um dos gases causadores do efeito estufa, pois promove um aumento de temperatura na atmosfera. Atividades da agropecuária são apontadas como responsáveis pela emissão desses gases.
Altas temperaturas podem prejudicar a agricultura e a pecuária, resultando na queda da produção de grãos, na produção de leite e de carne.
PARA RECUPERAR O SOLO
A prática da integração do sistema lavoura-pecuária como forma de recuperar o pasto degradado ajuda a reduzir a erosão e aumentar o seqüestro de carbono, aumentando a capacidade do pasto e mantendo a produção sustentável.
Seqüestro de carbono é o processo que consiste em armazenar carbono por um longo período em uma forma não gasosa. Para que o seqüestro de carbono seja significativo é preciso que o carbono fique armazenado por um período longo o suficiente para que a emissão de carbono para a atmosfera diminua, evitando o aumento da temperatura e o aquecimento global.
AGRICULTURA TRADICIONAL
As monoculturas degradam a paisagem;
Produz altos índices de toxidade pelos agroquímicos utilizados;
Elimina a biodiversidade;
Degrada o solo;
Polui os recursos hídricos.
AGROECOLOGIA
Possibilita a natural renovação do solo;
Facilita a reciclagem de nutrientes do solo;
Utiliza racionalmente os recursos naturais;
Mantém a biodiversidade que é importante para a formação do solo.
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