Alimento & Saúde
Alimento & Saúde
Água de coco: melhor não arriscar!
Professor Cláudio Lima
03 Out 2009 - 18h40min
Você já deve ter ouvido o grito no sinal: ``Olha a água de coco geladinha``. Realmente beber água de coco geladinha, no forte calor do meio-dia, em Fortaleza, é uma excelente pedida. Alivia o calor, hidrata e revigora as forças. Muitas pessoas são abordadas em seus veículos, por vendedores ambulantes, nos semáforos da cidade, e se rendem ao visual daquela garrafinha ``suando`` de tão geladinha. Com tanta sede, dá até para sentir o sabor da água de coco docinha, antes mesmo de provar.
Dia desses, estava voltando do mercado São Sebastião onde fora gravar uma matéria para o quadro Inspetor Saúde na TV e, ao passar pela rua Padre Mororó esquina com a avenida Duque de Caxias, vi um homem de cócoras numa calçada, cercado por garrafinhas plásticas com tampas verdes. Ao me aproximar, vi que o homem enchia as garrafinhas - centenas delas - ali mesmo na calçada, sob o forte calor da manhã, bem ao lado de muito lixo e lama. O homem correu quando percebeu a minha presença e abandonou as garrafas ali no chão.
Eu fiz as gravações e sai. Eu e a equipe da TV ficamos esperando que o cidadão voltasse para tomar seu posto de ``manipulador de alimentos``. Ele voltou e terminou o ``serviço``. Vedou as garrafinhas e as colocou numa caixa que era amarrada a uma bicicleta. De carro e de longe, tentamos seguir o rapaz em sua bicicleta, mas o perdemos de vista. Fomos avistá-lo novamente na avenida do Imperador. Nessa avenida, muitos ambulantes vendiam água de coco nos sinais e calçadas e, pasmem, bem em frente à Célula de Vigilância Sanitária Municipal.
Conversei com os ambulantes.Muitos afirmaram que enchiam as garrafinhas nos comércios da redondeza. Garantiram, claro, que tudo é feito com muito cuidado e higiene. Já os transeuntes, em sua maioria, disseram que não se arriscam beber dessa água por acharem que é de procedência duvidosa e que sofrem misturas com água comum, não sendo, portanto, pura.
Eu não pude constatar que a água sofria misturas. Mas pude observar que aquele rapaz encheu as garrafas na calçada, sem qualquer tipo de proteção e de higiene, expostas ao calor, poluição, lixo e lama. Será que alguns outros não enchem garrafas na rua? Será que não fazem realmente misturas como muitos desconfiam?
O risco de se contrair uma doença transmitida por alimentos (DTA) é muito alto e o baixo preço pago por essa água não paga os prejuízos causados por essas doenças. Mas alguém, como sempre, vai dizer: ``Professor, o ``coitado`` tá ``ganhando a vida!``. Mas, o ``coitado`` não pode ganhar a vida sem arriscar a vida alheia? Ele não pode trabalhar com higiene para não prejudicar a pessoa que compra o seu produto e o ajuda? Eu sou contra esse tipo de comércio. Os riscos são enormes.
Estamos falando sobre o risco de contrair doenças e, também, do risco de morte. Sim, as DTAs podem matar, claro. A comercialização dessa água de coco ocorre em vários semáforos da cidade. O risco está diante dos pedrestres, dos motoristas, dos trabalhadores que circulam pelo centro da cidade, diante da próprio orgão responsável por cuidar da prevenção das DTAs. Todo mundo sabe, tudo mundo vê. Ninguém faz nada. A água docinha de um coquinho ``inocente`` pode amargar a vida de muita gente. Melhor não arriscar.
>> Cláudio Lima é engenheiro de alimentos do Instituto Centec, especialista em alimentos e saúde pública, mestre em tecnologia de alimentos, autor de quatro livros na área de higiene e qualidade de alimentos. www.professorclaudiolima.blogspot.com . claudiolima@opovo.com.br.
Dia desses, estava voltando do mercado São Sebastião onde fora gravar uma matéria para o quadro Inspetor Saúde na TV e, ao passar pela rua Padre Mororó esquina com a avenida Duque de Caxias, vi um homem de cócoras numa calçada, cercado por garrafinhas plásticas com tampas verdes. Ao me aproximar, vi que o homem enchia as garrafinhas - centenas delas - ali mesmo na calçada, sob o forte calor da manhã, bem ao lado de muito lixo e lama. O homem correu quando percebeu a minha presença e abandonou as garrafas ali no chão.
Eu fiz as gravações e sai. Eu e a equipe da TV ficamos esperando que o cidadão voltasse para tomar seu posto de ``manipulador de alimentos``. Ele voltou e terminou o ``serviço``. Vedou as garrafinhas e as colocou numa caixa que era amarrada a uma bicicleta. De carro e de longe, tentamos seguir o rapaz em sua bicicleta, mas o perdemos de vista. Fomos avistá-lo novamente na avenida do Imperador. Nessa avenida, muitos ambulantes vendiam água de coco nos sinais e calçadas e, pasmem, bem em frente à Célula de Vigilância Sanitária Municipal.
Conversei com os ambulantes.Muitos afirmaram que enchiam as garrafinhas nos comércios da redondeza. Garantiram, claro, que tudo é feito com muito cuidado e higiene. Já os transeuntes, em sua maioria, disseram que não se arriscam beber dessa água por acharem que é de procedência duvidosa e que sofrem misturas com água comum, não sendo, portanto, pura.
Eu não pude constatar que a água sofria misturas. Mas pude observar que aquele rapaz encheu as garrafas na calçada, sem qualquer tipo de proteção e de higiene, expostas ao calor, poluição, lixo e lama. Será que alguns outros não enchem garrafas na rua? Será que não fazem realmente misturas como muitos desconfiam?
O risco de se contrair uma doença transmitida por alimentos (DTA) é muito alto e o baixo preço pago por essa água não paga os prejuízos causados por essas doenças. Mas alguém, como sempre, vai dizer: ``Professor, o ``coitado`` tá ``ganhando a vida!``. Mas, o ``coitado`` não pode ganhar a vida sem arriscar a vida alheia? Ele não pode trabalhar com higiene para não prejudicar a pessoa que compra o seu produto e o ajuda? Eu sou contra esse tipo de comércio. Os riscos são enormes.
Estamos falando sobre o risco de contrair doenças e, também, do risco de morte. Sim, as DTAs podem matar, claro. A comercialização dessa água de coco ocorre em vários semáforos da cidade. O risco está diante dos pedrestres, dos motoristas, dos trabalhadores que circulam pelo centro da cidade, diante da próprio orgão responsável por cuidar da prevenção das DTAs. Todo mundo sabe, tudo mundo vê. Ninguém faz nada. A água docinha de um coquinho ``inocente`` pode amargar a vida de muita gente. Melhor não arriscar.
>> Cláudio Lima é engenheiro de alimentos do Instituto Centec, especialista em alimentos e saúde pública, mestre em tecnologia de alimentos, autor de quatro livros na área de higiene e qualidade de alimentos. www.professorclaudiolima.blogspot.com . claudiolima@opovo.com.br.
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12/10/2009
07:52
É um absurdo a venda dessa água nos sinais.Cadê a secretaria de saúde?
Renné Carlos
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