Concidadania
Da hipocrisia desnudada
Valdemar Menezes
24 Jan 2009 - 16h58min
BOCA TORTA
Na verdade, só quem pode espantar-se com isso são as novas gerações, não as que testemunharam, até a década de 60, negros serem segregados dentro da “maior democracia do mundo”: não podiam freqüentar as mesmas escolas, restaurantes, cinemas, igrejas e qualquer outro estabelecimento dos brancos. Nos ônibus, ficavam confinados aos fundos e tinham de ceder lugar aos brancos. Essa era a “democracia” que perdurou até meados da Guerra Fria. Não é por outra razão que os jovens conscientes da época se indignavam quando os EUA se apresentavam como campeões das liberdades e dos direitos humanos. As ditaduras mais sanguinárias – Trujillo, Duvalier, Somoza, Batista, Stroessner - só subsistiram por conta do apoio do Pentágono. Na década de 60 e 70, os próprios serviços secretos ianques participaram da derrubada de governos constitucionais, legítimos, para substituí-los por ditaduras militares. Primeiro, o Brasil, em 1964 (como comprovam documentos tornados públicos recentemente pelo governo americano). Depois, Chile, Argentina, Uruguai e por aí afora.
DESANDAMENTOS
A Guerra do Vietnã serviu para desnudar de vez a hipocrisia. Daí se explicam as rebeliões de jovens enojados com a corrupção do sistema, em 68, na França, na Itália e na Alemanha (sendo que, nestes dois últimos países, através de um movimento armado inconseqüente, que desandou para a tragédia). Não eram criminosos comuns: sua motivação era política, por mais que os reacionários queiram escamotear essa verdade. Nesse afã, cometeram equívocos. Os estados, por sua vez (como aconteceu na Itália e na Alemanha) responderam com o mesmo desatino, cometendo tropelias e pisoteando o Direito. Até hoje, as feridas não estão cicatrizadas. Basta ver a reação desatinada da direita neofascista italiana com o fato de o Brasil usar de seu poder soberano para dar refúgio humanitário a um ex-militante condenado na Itália, diante da dúvida gerada por um processo cheio de vícios jurídicos.
AUTO-CRÍTICA
A Itália bem que poderia ter a grandeza dos EUA, de reconhecer que seu “Estado de Direito” saiu das trilhas, na época das “leis especiais”, tanto quanto o “Estado de Direito” americano, denunciado por Obama agora. Enquanto não fizer isso, não terá paz. Nossa Constituição proíbe repatriação por atos cometidos por motivação política. As viúvas da ditadura brasileira e os neofascistas italianos devem reconhecer, como fez Obama, que Estados Democráticos de Direito podem se perverter, sob pretexto de se defender.
EQUÍVOCO
Equívoco lamentável também cometeu o TRT cearense, esta semana, ao retirar o nome de dom Helder Camara de um de seus prédios (não está em questão o mérito do novo patrono escolhido), justamente quando se comemora o centenário de nascimento do religioso. O arcebispo, além de cearense, é um ícone da causa dos direitos humanos.
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26/01/2009
09:49
A nação Estados Unidos da América será sempre manchada de sangue. A "Democracia" deles só vale em solo estadunidense. Fora do país prevaleceram os golpes de estado, a tortura e a morte de milhares de trabalhadores, estudantes e políticos contrários à política imperialista ianque, principalmente na América Latina. Os estadunidenses apoiam ainda o genocídio contra os palestinos através de Israel. Enquanto manda fechar Guantánamo (jogada de marketing?), Obama autoriza a ofensiva contra comunidades da fronteira Afeganistão-Paquistão, com a desculpa de que são do Taliban.
carlos fernandes
25/01/2009
14:02
Farol do Mucuripe, precisamos urgentemente restaurar a usina do Serviluz. Sua luz não ainda não é suficiente para iluminar o autor da tremenda heresia, tentar substiuir um homenageado de mérito por outro de mérito desconhecido, Helder por quem?. O povo deveria entrar com uma ação popular para revogar esta medida e questionar o nepotismo que parece ter havido e, quiçá, não ocorra neste judiciário cearense. Como dizia Luiz Gonzaga na canção: "é de pai pra fio".
Airton Barbosa Gondim
25/01/2009
10:02
É impressionante,como a vaidade do ser humano,chega às raias da idiotice.Como o articulista bem escreveu,não se questiona o mérito do novo homenageado,mas sim a descompostura que se cometeu contra um dos maiores homens da Humanidade que,por coincidência,é cearense.Esse desembargador,querendo homenagear o seu pai,satisfazendo o seu egocentrismo,manchou a história do TRT cearense,cuja imagem de justiça,sempre pairou sobre todos nós.Mais estranho,ainda,é comportamento dos seus pares,que apoiaram a sua pretensão de cunho,eminentemente pessoal,sem nenhuma importância histórica para o Ceará.O ostracismo,para pessoas,como esse desembargador,conhecido por sua extravagante vaidade,sem dúvida,será a merecida compensação.
ISMAEL LUIZ SANTOS DE SOUSA
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