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Concidadania

Da coragem cristã

Valdemar Menezes
14 Mar 2009 - 16h42min

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O País envolveu-se em uma polêmica apaixonada, nas últimas semanas, por conta do drama comovente que atingiu uma garotinha de nove anos, estuprada e engravidada de gêmeos pelo padrasto e que teve os fetos abortados em decorrência da intervenção de uma equipe médica. O fato de a Igreja Católica ter reagido contra o aborto, alertando que católicos nele envolvidos tinham incorrido automaticamente em excomunhão (pena que impede o infrator de participação nos sacramentos da Igreja até que manifeste arrependimento pelo ato) desencadeou uma tempestade de impropérios contra o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso (que não é o responsável pela excomunhão, mas apenas cum priu o dever de ofício, como bispo, de avisar à comunidade católica sobre a violação do Código de Direito Canônico).

FUNDAMENTOS
É do direito das organizações terem normas internas para reger a vida de seus integrantes. A Igreja não foge à regra. Desde o século I, firmou um princípio sobre o aborto no seu mais antigo documento interno conhecido, a Didaché: "Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido". Orientação que está, portanto, nos fundamentos da Igreja. Quando alguém ingressa nela assume essa Tradição. Ninguém é obrigado a ser católico. Se quiser ser, terá de arcar com as consequências. Fica sem sentido a discussão da excomunhão por quem não acredita no Magistério da Igreja. Por falar nisso, a entidade "Católicas pelo direito de decidir" não tem nada de católica - segundo a Igreja.

ILUSÃO
Muitos que se dizem "simpáticos" à posição política "progressista" de alguns setores da Igreja se iludem imaginando que bispos, como dom Hélder Câmara, teriam posição diferente da doutrina originária. Aliás, certos padres, hoje, deixam passar a impressão de pusilanimidade e demagogia (e até falta de fé), quando receiam posicionar-se contra a corrente. Felizmente, nem todos: o arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, por exemplo, teve a coragem de proibir um padre-deputado de exercer o ofício religioso, depois que este defendeu publicamente princípios contrários aos da Igreja. Foi por falta dessa firmeza que o anglicanismo entrou em parafuso e hoje cada cabeça, lá, constrói sua própria doutrina.

CIÊNCIA
Quanto ao aspecto eminentemente científico, alguns especialistas, como a ginecologista e obstetra paulista dra. Elizabeth Kipman Cerqueira, afirmam que o aborto foi precipitação: a Medicina teria condições de ajudar a menina a manter a gestação até o tempo mínimo em que os bebês pudessem ser retirados com chances de vida, através de uma cesariana, salvando-se os três. Contudo, o lobby abortista viu no episódio uma ocasião excelente para abrir espaço à sua proposta de legalização do aborto, sob o argumento de que este faz parte do direito da mulher sobre o próprio corpo. Só que o feto é outro corpo, outro ser, outra vida, não mais uma extensão do corpo da mãe.

AUTORIDADE
As explicações da CNBB de que, no caso concreto, as responsabilidades das pessoas devem ser confrontadas com as circunstâncias (se tinham conhecimento prévio, ou não, da sanção em que poderiam incorrer, e o tipo de pressão a que estavam submetidas) fazem parte realmente dos procedimentos para a efetivação da excomunhão. Mas, isso não significa a desautorização do arcebispo de Olinda e Recife, como concluíram equivocadamente algumas pessoas. Aliás, a CNBB não tem poder canônico para passar por cima da autoridade de nenhum bispo diocesano, só o papa.

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16/03/2009
13:02

Felizmente uma voz sóbria se levanta na imprensa. Parabéns por sua análise. Aliás, sou leitor da sua coluna a muito tempo e fico feliz que o Jornal O Povo conte com profissionais como o senhor.

George Gomes

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15/03/2009
23:38

Célio, quanto ao texto 01: os judeus defendem que a vida surge apenas depois do nascimento, e este texto demonstra a crença judia da época e até mesmo atual. Este argumento também é utilizado pelos que defendem o aborto. Mas como a ciência defende que a vida começou com um ser unicelular, também deveriam defender que os embriões são seres vivos. Quanto ao texto 02: se vê a forma como as autoridades judias tratavam os inimigos. E essa forma de hostilizar e até matar os inimigos perdurou contras os profetas e contra Jesus Cristo. Nesses textos concluo que o Antigo Testamento demonstra os inúmeros erros, pecados e crimes humanos e também demonstra a infinita graça da reconciliação que Deus concede à humanidade. Reconciliação que se vê em várias passagens bíblicas quando Deus fala que não esqueceu a promessa que fez aos ancestrais judeus. Por isso, vários textos estranhos à nossa compreensão estão na Bíblia; para mostrar o que o povo viveu em sua história e como agiram e mais ainda como Deus agiu.

whermeson

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15/03/2009
20:33

Um único aspecto mobilizou minha atenção nesse episódio, pois "quem ajoelhou tem que rezar", isto é, o filiado a qualquer credo (assim como a qualquer outro tipo de associação) ou obedece ao seu estatuto ou cai fora. O seguinte: como o arcebispo sabia que os excomungados pertenciam à Igreja Católica ? Conferiu a carteirinha, a ficha de sócio ? Se não conferiu, ele pode fazer isso assim generalizadamente? Ou partiu da falsa presunção de que todo brasileiro é católico ? A propósito, o brasileiro, na verdade, é tudo. Assim dita a lei da sobrevivência nessas plagas desde que a cruz e espada se juntaram para espoliar os nativos.

Gilberto Alves Moreira

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