Concidadania
De enchentes e pacificações
Valdemar Menezes
16 Mai 2009 - 18h47min
O Ceará tem-se mostrado solidário com as vítimas das enchentes, como ficou demonstrado na mobilização de sua sociedade em socorro dos atingidos. O fato de os vários segmentos da sociedade civil acorrerem ao apelo de solidariedade não significa que a responsabilidade principal do poder público deva ficar escamoteada. Cabe às instâncias públicas - municipais, estaduais e federais - conduzir a chegada do socorro às vítimas e centralizar a parte principal do enfrentamento da questão, embora se reconheça que o poder público, sozinho, não dá conta da abrangência do problema. Em todos os países, mesmo nos mais ricos, o socorro do Estado é complementado com a indispensável solidariedade da sociedade civil.
COMISSÃO CIENTÍFICA
Há uma exigência - em toda essa questão das enchentes - que só pode ser atendida pelo Estado: a criação de uma comissão técnico-científica para diagnosticar o desastre nas suas origens e verificar o que era inevitável e o que decorreu da ação ou omissão do homem. Por exemplo: as inundações devem ser atribuídas apenas ao excesso das chuvas, ou só alcançaram esse nível de destruição por causa de fatores perfeitamente evitáveis, como desmatamentos, aterramentos, obstrução de cursos d’água etc.? Se essa pesquisa não for feita, e produzido um diagnóstico preciso, ficaremos apenas com o prejuízo, deixando de tirar lições consequentes que poderiam prevenir novos desastres. Esta é a hora dos ambientalistas.
LIVRO
O padre Geovane Saraiva lança neste domingo, 17, às 18 horas, na praça da igreja de Santo Afonso (Igreja Redonda) o livro A Ternura de um Pastor, em memória de dom Aloísio Lorscheider, ex-arcebispo de Fortaleza. Na ocasião será inaugurada uma estátua do religioso. A obra reúne escritos daquele que foi uma das maiores figuras da Igreja no Ceará e no Brasil e cujo prestígio se estendeu além-fronteiras. Nunca será demais homenagear esse grande pastor.
ANISTIA
Como parte da comemoração dos 30 anos da Anistia Política de 1979, a Associação 64/68 Anistia realiza no dia 23 (sábado), a partir das 10 horas, na Casa José de Alencar, o debate “Regime Militar: Ditabranda ou Ditadura?”. Haverá também o lançamento do livro Vozes do silêncio (relatos de ex-presos políticos cearenses com processos aprovados pela Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou), de Papito de Oliveira, e a celebração dos 72 anos de Raimundo Guerreiro, líder sindical metalúrgico da década de 80.
SUCESSO
O papa Bento XVI acaba de voltar de uma viagem exitosa ao Oriente Médio, como bem reconhecem as duas partes em luta na Terra Santa. Apesar dos preconceitos de quem só vê o papel da Igreja de forma caricatural, o papado ainda exerce uma autoridade moral indiscutível num mundo cada vez mais parco de referenciais positivos. Numa hora dessas ficam fragilizados os argumentos de algumas correntes cristãs - dentro e fora da Igreja Católica - que gostariam de ver a figura do Primeiro Bispo da Igreja universal desvinculada do status de Chefe de Estado. Só o fato de ser líder de uma grande religião não daria ao papa os elementos capazes de interferir mais eficazmente no campo das relações internacionais. As prerrogativas de Chefe de Estado abrem rotas inalcançáveis para simples chefes religiosos, dando-lhe mais condições para que sua voz e sua ação cheguem mais longe e alcancem os que dela necessitam como escudo contra a opressão.
TERRA-DE-NINGUÉM
Na rua Ana Bilhar, bem na confluência da rua 8 de setembro (que aí termina), instalou-se um bar-restaurante/casa de show que vem infernizando a vida dos moradores, colocando o som numa altura que não permite ninguém da circunvizinhança dormir. Crianças, idosos e doentes são as principais vítimas. Mas, também quem passa a semana trabalhando para garantir o sustento dos seus. O Estado de Direito Democrático garante a privacidade do lar e considera um atentado aos direitos humanos a utilização de meios que afetem a saúde física e mental das pessoas, ainda que a pretexto empresarial. Um estabelecimento que pretenda usar som numa área residencial necessita estar bem equipado para isso, não deve produzir som ao ar livre, mas em ambiente revestido de proteção acústica. Será que nós estamos numa terra-de-ninguém, onde qualquer um pode atentar impunemente contra a vida de pacíficos cidadãos, sem que o poder público venha em socorro destes? Ora, se assim for, trata-se de um chamado à subversão da ordem e da paz pública. Teremos de voltar ao tempo da horda e da justiça com as próprias mãos? A quem recorrer?
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21/05/2009
11:12
Concordo em genero, número e grau com o Sr Célio Andrade, que já reputo como um grande e livre pensador destas bandas sertanejas. A história comprova que a hipócrita casta sacerdotal, de todas as religiões, somente buscam atender seus objetivos materialistas de manutenção perene de seus privilégios, luxúria, poder sobre as massas ignaras e riqueza sem nome de um Deus que nunca passou procuração alguma para nenhuma das milhares de religiões e seitas, na verdade fabulosas, absurdas e míticas criações humanas de expertos aproveitadores do medo, boçalidade e ignorância da maioria da humanidade. Vade retro satanás.
Ivo Salvany
21/05/2009
09:45
O comentario anterior é com certeza um verdadeiro "C A"
Atrevido
17/05/2009
23:45
Célio Andrade não consegui ver esta diferença que tanto denuncias. Considero que todas as religiões têm os direitos iguais, temos como exemplo, o Dalai Lama que visita várias nações e é bem recebido em quase todas, até mesmo o Edir Macedo tem as principais autoridades do país lhe visitando. Agora acho pouco provável as minorias se organizarem de tal forma para ter a mesma representação que a Igreja Católica tem e acho menos provável ainda as minorias se organizarem de tal forma a irem visitar uma região em conflito milenar e ainda ousar falar aquilo que as autoridades de lá não querem ouvir.
Whermeson Bezerra
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