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O brega virou cult?

Fabinho Monteiro
08 Mai 2008 - 01h30min

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Ser brega não é mais tão brega assim!

De uns anos pra cá, alguém decidiu que gostar de música brega é ser cult, moderno, antenado. As figuras mais bizarras da Discoteca do Chacrinha (é o novooooo!) viraram outsiders e, finalmente, ganharam o merecido reconhecimento. Intelectuais e críticos de música passaram a tratar o brega dos anos 70 como coisa séria. Para alguns era um plano B da Tropicália, para outros um esquisito proto-punk ou ainda um antídoto ao suposto elitismo da MPB. Controvérsias à parte, o fato é que hoje não existe festa descolada sem aquela seqüência de músicas brega. A pista de dança vai a loucura quando toca Odair José, Waldick Soriano ou Carlos Alexandre. Tal fenômeno antropológico poderá ser observado amanhã no projeto Farra na Casa Alheia, no Buoni Amici's. O lendário cantor brega Genival Santos se apresenta na festa, com toda aquela sua pinta de vocalista dos Strokes... rsrsrs.

Quem é Genival Santos?
Genival Santos tem 64 anos, nasceu em Campina Grande (PB), mas foi para o Rio de Janeiro ainda criança. Foi sapateiro, servente de pedreiro e ajudante de caminhoneiro até que, em 73, participou do programa de Flávio Cavalcanti em rede nacional e, enfim, assumiu a carreira na música brega. São 35 anos de carreira, 28 discos gravados, 5 milhões de cópias vendidas e hits como: Eu te peguei no fraga, Se errar outra vez e Eu não sou brinquedo.

O brega de hoje é o cult de amanhã
Símbolo do conformismo popular dos tempos da ditadura, o brega dos anos 70 agora é visto como se fosse um ritmo transgressor e vanguardista. É difícil de explicar como essas coisas acontecem. Talvez, o gênero tenha sido beneficiado pelo confuso revival dos anos 70 e 80, que mistura alhos com bugalhos. Tipo: coloca Menudos e Smiths numa mesma panela, como se fossem similares só porque são contemporâneos. Esquisito né?! No entanto, isso nos dá subsídios para fazer uma previsão futurológica. Anote: daqui a 20 anos, as festinhas vão bombar ao som de: É o Tchan, Zezé de Camargo e Kelly Key. E todo mundo vai se emocionar e achar ótimo! Ahahah.

O Underground também quer ser Brega
A onda do brega-cult também invadiu o cenário do rock independente brasileiro. No início de 2006, um selo goiano lançou a coletânea Vou tirar você desse lugar, com regravações de sucessos de Odair José. São 18 faixas divididas entre Mombojó, Jumbo Elektro, Mundo Livre S/A, Poléxia, Terminal Guadalupe etc. Muito Cult!

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