Ir para a página sobre a Publicidade

Política

A+ A- Mudar tamanho

Era uma vez um quase governo de esquerda

Erivaldo Carvalho
13 Jan 2009 - 00h43min

Assim que foi reeleita, a prefeita Luizianne Lins (PT) dizia apontar para o aprofundamento de um governo de esquerda à frente da Prefeitura de Fortaleza. Mesmo que sem clareza no que era exposto, a petista vendia uma rota de atuação em que alguns elementos a identificariam como avanços rumo a um projeto socialista para a Capital do Ceará. Mas não é isso o que está no horizonte, nos próximos quatro anos. Assim como não foi o que aconteceu, no último quadriênio. Olhando, atualmente, pelo retrovisor da História, percebe-se que a ex-deputada estadual tinha, já em 2004, apenas esta plataforma política como válvula de eleição, diante de forças tão supostamente hegemônicas. De um lado, o peso do governo Lula, que jogava toda sua força em Inácio Arruda (PCdoB). Do outro, a direita, montada no palanque de Moroni Torgan (DEM, ex-PFL). Contra tudo e contra todos, Luizianne, a “marxista esotérica”, na melhor lógica bíblica Davi contra dois Golias, foi eleita. Mas a prefeita, ao contrário do que vem dizendo, não se movimentou nenhum milímetro para o avanço do projeto que um dia pode ter acalentado seus sonhos juvenis. Pelo contrário. Veja por que nos tópicos a seguir.

O PODER E A SOPA
Vamos a um dado concreto para identificar a movimentação de Luizianne Lins da esquerda para o centro. A hoje prefeita, um dos nomes mais reluzentes do PT – local e nacional -, chegou pela primeira vez à frente da segunda maior máquina política do Ceará ao lado do PSB. O histórico, ressalte-se. Não o ex-integrante do PSDB, depois PPS, e que hoje está à sombra do Palácio Iracema. Ligado a Tasso Jereissati e companhia. Antes, era gente vinculada a Sérgio Novais e Rogério Pinheiro, por exemplo. De lá para cá, quem não fisgou, ou não quis, o poder pelo poder, foram, aos poucos, abandonando o barco, ao longo do primeiro governo de Luizianne. Alguns, atualmente, estão no Psol, como João Alfredo e Renato Roseno. Outros, do PDT, também começaram a lançar o bote “salva-vidas” e abandonaram o navio do governo. Tem ainda o PCB. Mas este, por opção, preferiu fazer vista grossa à evolução – ou involução, dependendo do ponto de vista -, dos fatos. E, como não existe vácuo na política, à medida em que alguns atores foram saindo, outros partiram para ocupar o espaço. PSL, PMN, PHS e tantos outros “Ps”, sem raiz nem história, mas que ajudam a engrossar o caldo da sopa de letrinhas que gira em torno do núcleo de poder no Município.

SAI PSB, ENTRA PMDB
Uma segunda observação para que o governo de Luizianne Lins não seja considerado um avanço à esquerda, politicamente falando, está em pleno curso. O PMDB, o maior ícone do pragmatismo da política nacional, está desembarcando de mala e cuia na Prefeitura de Fortaleza, nas próximas duas ou três semanas. É o mesmo PMDB, que apesar de algumas mudanças pontuais na cúpula, deu guarida a 12 anos de mando à gestão municipal, encabeçada por Juraci Magalhães (hoje PR). Nunca é demais lembrar que Luizianne cresceu jogando sua sanha opositora nos peemedebistas de então. Pelo que diz O POVO de ontem, o principal recuo, para a entrada da legenda controlada hoje por Eunício Oliveira, deverá vir justamente do PSB. Outras castanholas de poder local deverão ser quebradas. A tendência é de que o PT, por exemplo, também tenha de ceder espaço, já que o partido chegou ao controle do Executivo e Legislativo. O PCdoB, idem. O PMDB, pondere-se, por ser uma das legendas mais visíveis do arco de aliança, acaba aparecendo como a maior ponta do cubo de gelo acima da superfície gelada. Um pouco mais submersa, entretanto, está uma infinidade de miudeza partidária e interesses clientelistas, fazendo mais do mesmo.

O PT E O SISTEMA
Luizianne Lins segue escrevendo a mesma autobiografia do único partido que abraçou na vida política, até aqui: vendeu pseudo-revoluções, para chegar ao poder. Quando sentada na cadeira do Executivo, partiu, com pequenas adaptações, para a gestão do que estava em curso. Em mais de um quarto de século de existência, o PT conseguiu – aqui e alhures -, pouco mais do que demonstrar que é mais capaz de administrar o Capitalismo do que a oposição, a direitona, propriamente dita. Há casos que beiram o constrangimento. Dois exemplos. Quando proposta pelo governo dos tucanos, na década dos anos 1990, a Lei de Responsabilidade Fiscal foi satanizada pelos petistas. Os mesmos que hoje fazem ginástica para cumpri-la. Semelhante aconteceu com o plano de estabilidade econômica, da mesma época, cristalizado no Plano Real. Neste espaço já foi dito que a História é uma senhora, que observa, a tudo e a todos, pacientemente, para depois soltar seu veredicto, muito tempo depois. Vamos aguardar para sabermos sua posição sobre a passagem de Luizianne Lins pelo poder à frente da Prefeitura de Fortaleza.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Mais Notícias

Últimas

Últimas

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:


Escreva para o colunista
Fábio Campos

Escreva para o colunista
Erivaldo Carvalho

O POVO Digital

Versão Impressa

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados