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Política

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Quem precisa de José Sarney para sobreviver?

Fábio Campos
04 Jul 2009 - 01h35min


Mesmo que a derrocada se torne um fato, o velho oligarca conseguiu um feito e mostrou o quanto a força do passado se faz presente entre nós. Lembram-se de José Dirceu, Antônio Palocci e Delúbio Soares? Gente de peso do petismo. Sócios fundadores do partido. Gente de primeira hora de todas as campanhas de Lula. Companheiros e camaradas do presidente da República. Pois é. O trio caiu em desgraça. Lula não fez tanta questão deles como faz questão agora de José Sarney. Lula não enquadrou o PT para mantê-los no Governo ou próximo a ele. Pelo contrário. Na época, o presidente apenas deu entrevistas para dizer que “não sabia” das ocorrências em torno dos velhos amigos. Lula deve ser criticado por isso? Nem tanto. O homem é ele e suas circunstâncias. A política é o real e a realidade impõe certos comportamentos. E a política real é que o lulo-petismo precisa do velho oligarca para sobreviver mais do que precisava dos “companheiros”. Precisa dele como precisa de Jáder Barbalho, Romero Jucá, Renan Calheiros et caterva. Esse é o drama do Brasil. Sarney compareceu a um pé de ouvido com a ministra Dilma Rousseff e voltou vitaminado. No dia seguinte, Lula enquadrou o PT e obrigou o senador Aloizio Mercadante a, mais uma vez, ser patético. Porém, os atos de Sarney ao longo de sua vasta trajetória não podem ser enquadrados. Nem serão. A cada mexida, o mau cheiro dos feitos dele e da família vão impregnar as narinas do País.

O DEMONIZADO PRESIDIU O SENADO TRÊS VEZES
A cada mexida vão surgir coisas como a mansão não-declarada. Antes, era a mídia que o perseguia em função de seu apoio a Lula. Agora, o coitado do contador pagou o pato. Logo depois, uma segunda nota tirou a culpa do contador para colocá-la no, digamos, elaborador (ou redator) da primeira nota. Um atropelo em cima do outro. É a areia de um buraco para tapar o outro. Não duvidem. Vem mais coisa por aí. Claro. Na crise, a oportunidade. Na crise, está a chance de inciar a moralização do cotidiano do Senado. O presidente Lula declarou que a queda de Sarney geraria uma crise política de grandes proporções. É conversa. Não aconteceria nada se caísse. Sarney seria substituído por outro senador escolhido entre os 81 que compõem a Casa. O mais provável é que esse senador fosse oriundo da base do Governo. Problemas na aliança do PT com o PMDB? Talvez, mas isso não significaria crise política ou institucional. Ontem, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez uma forte defesa de José Sarney. Segundo ela, ele não pode ser “demonizado” por práticas que ocorreram durante 15 anos. Senhores, nesses 15 anos, o homem presidiu o Senado em três ocasiões. E quando não estava na Presidência, manteve intacta a sua influência. Os abusos ocorridos ali têm a cara e a digital do presidente do Senado. Alguém duvida? É evidente que a crise só acaba com a queda de Sarney e com a eleição de um senador para comandar a Mesa que chegue com um projeto de modernização da Casa para tocar. Sem isso, a crise permanece.

NO CARGO, PATO MANCO PROLONGA A CRISE
Em pronunciamento ontem ,o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), voltou a criticar o presidente do Senado citando a reportagem em que o jornal O Estado de S.Paulo revelou que Sarney omitiu, nas declarações feitas à Justiça Eleitoral em 1998 e 2006, a propriedade de uma casa no valor de R$ 4 milhões situada na Península dos Ministros, área nobre de Brasília. Virgílio afirmou que o peemedebista - alvo de uma série de denúncias de irregularidades - é hoje “um pato manco, não manda mais no Senado”. “Pato manco” é um termo oriundo da política norte-americana. Lame duck (pato manco) é uma expressão americana para o governante ainda no cargo, mas que decidiu não concorrer à reeleição ou perdeu a reeleição ou tornou-se inelegível e não pode disputar a reeleição. No Brasil, o significado sofreu adaptações. Pato manco pode designar o candidato que no meio da campanha eleitoral teve algum desvio do passado exposto ao público, fato que retirou suas chances de vitória. Pode ser também o mandatário que ficou desmoralizado e perdeu as condições de se manter no cargo. No caso de Sarney, o termo é adequado e resume bem a situação. Insistir na permanência do cargo é fazer com que a crise seja esticada. Quanto mais tempo ficar, maior o desgaste.

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05/07/2009
14:18

NÃO RESOLVE SUBSTITUINDO SARNEY POR RENAN, JADER OU TANTOS OUTROS DO PODRE PMDB. SERIA TROCAR BEIRA-MAR POR ABADIAS, NO PMDB TEM POUCOS SIMONS E JARBAS

CARLOS TEIXEIRA

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05/07/2009
08:03

O senador arthur virgilio, tem acessor morando na espanha com despesas paga pelo senado, este senador teve as contas medicas de sua mae pagas pelo senado, e este mesmo senador, foi para europa e a sua despesa particular no hotel tambem foi paga pelo senado. Por favor, sr arthur escolha outro para falar de sarney, voce não tem moral alguma

marcio vasconcelos

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04/07/2009
16:34

Parabéns ao nobre jornalista pela clarividência e coragem com que abordou as falcatruas do velho cacique sarney,que outrora,o então baderneiro de porta de fábrica,lula, chamava de "ladrão". Hoje estão todos juntos abraçados e contaminados pelo "vírus" do "não sei de nada" que em seguida tranforma-se no "vírus" da corrupção,muito comum no organismo do PT,que encontra-se em adiantado estado de putrefação.

Alamir Longo

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