Política
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4X4 para todo lado
Kamila Fernandes
14 Nov 2009 - 19h39min
Há dois anos, o Governo do Estado anunciou um novo programa de patrulhamento, o Ronda do Quarteirão, que não significava apenas uma nova forma de policiamento ostensivo, mas a compra de veículos de alta performance, com câmbio automático, tração 4x4 em tempo integral, bancos de couro, ar-condicionado, tudo para os policiais terem meios de fazer a vigilância e perseguir criminosos onde quer que fosse. Os carros comprados foram todos modelo Hilux, de R$ 149,5 mil cada (maior preço da categoria, justamente pela tração permanente), o que resultou num alto investimento, respaldado no argumento de que havia a necessidade desse tipo de veículo porque no Ceará a geografia é complicada, com dunas, serra, áreas onde um carro comum não conseguiria passar.
As Hilux viraram polêmica, mas foram compradas e o programa, ampliado. Não bastasse isso, o governo agora decidiu comprar 40 veículos Troller, com tração 4x4, cada um custando R$ 90 mil (40% mais baratos que as Hilux), para áreas turísticas. Os argumentos do coronel Joel Brasil: os Trollers ``são próprios para isso`` e a tração 4x4 permite a circulação na areia. Mas, afinal, as Hilux não serviriam justamente para também cuidar das áreas litorâneas? E, se era possível fazer o patrulhamento dessas áreas com veículos mais baratos, por que equipar toda a polícia com um carro mais caro? Ótimo ter mais policiamento, mas os investimentos estão sendo feitos como deveriam? Ter centenas de Hilux equipadas e confortáveis, mas que os policiais sequer sabem dirigir adequadamente, o que já gerou até uma orientação para que se evitem perseguições (não era essa uma das funções das Hilux?), é o melhor jeito de pensar num policiamento eficiente? A compra dos Trollers só reforça a má impressão de que, no fim das contas, falta planejamento.
INFORMAÇÕES PÚBLICAS, PORÉM SIGILOSAS
Não é novidade que o Governo Cid Gomes (PSB) tem maioria absoluta na Assembleia Legislativa do Ceará. Também não é novidade que, depois do escândalo do voo com a sogra, no ano passado, quase nenhum requerimento de informações feito ao Executivo tenha sido aprovado. Esta semana, vimos mais uma vez essa cena acontecer. Mas, para não banalizar totalmente esse tipo de acontecimento (que, na minha opinião, não é nada banal), vejamos o que não passou: pedidos de informação sobre contratos com terceirizados, sobre o resultado das viagens da primeira-dama do Estado ao exterior e sobre contratos para a manutenção dos veículos Hilux comprados desde o final de 2007. Para Nelson Martins (PT), líder do governo, tudo é assunto velho, requentado, mais do que explicado. Mas será?
Fiquemos no caso específico das Hilux: ao verificar o Portal da Transparência do Governo do Estado, levei um susto ao somar a quantidade de carros da Toyota comprados até agora: 671, de dois modelos Hilux distintos, tanto para o Ronda do Quarteirão como para as outras polícias e para o projeto Pró-Cidadania (de segurança no Interior). Tudo junto custou R$ 84,1 milhões. Só para a manutenção, estão previstos nada menos do que R$ 6,7 milhões a cada seis meses para cuidar de 370 carros, a um valor anual de R$ 35 mil por veículo, como mostrou O POVO na quinta-feira (não há informações sobre a manutenção dos demais veículos listados). Toda a manutenção é feita pela mesma empresa, a Newland, contratada com dispensa de licitação por ser a única revenda autorizada da Toyota em Fortaleza.
Pois bem, os fatos são antigos, vira e mexe voltam às páginas dos jornais, mas cadê os contratos? Por que se negar a dar visibilidade a informações públicas, que deveriam estar acessíveis a todos? Idem sobre as viagens da primeira-dama (afinal, se são boas para o Ceará, como o governo argumenta, por que não mostrar seus resultados?), idem para os contratos dos terceirizados. O sigilo não combina com a coisa pública, ainda mais quando se trata de investimentos altos que interferem na vida de cada um de nós.
UM BARATO QUE SAIU CARO
Hoje fazem nove dias que o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) divulgou laudo sobre problemas encontrados na obra do Hospital da Mulher, indicando que a Prefeitura de Fortaleza havia sido informada, em meados de 2008 (ano eleitoral), de que eram necessárias mudanças nas fundações. A Prefeitura então determinou que a primeira parte da obra continuasse como estava, acatando as mudanças apenas a partir de trecho a ser executado mais adiante. Como resultado, o bloco K está afundando e terá de ser corrigido, o que acarretará mais custos. A Prefeitura informou que só falaria sobre o laudo na terça-feira, dia 10. Porém, não só não falou, como não deu qualquer sinal de quando fará isso. A única explicação dada até aqui foi a do líder da prefeita, Acrísio Sena (PT), que disse que se optou pelo mais barato, para depois não haver suspeitas de superfaturamento. Pois é essa a explicação oficial?
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29/11/2009
22:30
A imprensa é o nosso maior representante no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa,na Camara Municipal, melhor conselheiro do TCU TCE TCM. Só assim sabemos que foram 671 e nao 200 Hilux. Parabens pela reportagem !!!!!
Claudio Targino
17/11/2009
01:17
Petista no governo é outra coisa, ooops, isto é, ou será a mesma coisa,todos chafurdam na mesma lama...
Ari Pinehrio
16/11/2009
17:25
Denunciar o inadequado uso dos recursos públicos merece aplauso. Ficamos todo o tempo repetindo a ladainha de perguntar onde os plíticos usam o dinheiro de no nossos impostos. Quando uma jornalista informa, é criticada. Merecemos os governantes que temos.
Ricardo Lima
16/11/2009
11:40
Adoro esta coluna, inclusive leio com muita confiança.Porém, frases como "fazem nove dias...", erro crasso,deveriam ser evitadas, pois o verbo fazer, aí indica tempo passado, e deveria vir no singular. Obrigado.
Adamastor Pitaco
16/11/2009
05:15
É impressionante como parte da mídia ainda alimenta preconceitos com relação à Segurança Pública. No Rio, quantos PMs são assassinados dentro das próprias viaturas, frágeis e impróprias para o serviço. Ninguem diz nada. Quando usa carro blindado para enfrentar armas de guerra dos traficantes dos morros cariocas, reclamam porque os bandidos ficam em desvantagem. Pois PM é pago para morrer mesmo!... Ora, reclamar porque o governador Cid Gomes está investido em viaturas possantes e que tornam menos aturado e penoso o serviço policial (oito horas diárias, com apenas uma folga semanal, arriscando a vida em defesa da sociedade, inclusive das pessoas que só sabem criticar nagativamente), é no mínimo, uma atitude incoerente. Só faz desestimular mais ainda os bons policiais que trabalham com dedicação e destemor, por um salário que não condiz com as responsabilidades e os riscos inerentes à profissão. Não conheço outro governo que tenha investido tanto na Segurança Pública como o atual. Por isso, deixem que a sociedade cearense receba a proteção que merece.
Maurício Cruz
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