Política
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Ironia do destino
Kamila Fernandes
21 Nov 2009 - 20h02min
Apesar de aparecer como principal defensor da permanência de Battisti no Brasil, o Crítica não tinha qualquer vínculo com ele e suas lutas até bem pouco tempo atrás. Como me disse Célia Zanetti, uma das lideranças do grupo, eles não sabiam nem quem Battisti era até a prisão dele no Rio de Janeiro, em março de 2007. A pedido de militantes franceses que o conheciam - ele vivia na França até fugir para o Brasil - , o Crítica colheu informações sobre a situação do italiano e desde então decidiu se engajar na luta por seu asilo político, de corpo e alma.
Agora, por pura ironia do destino, eis que o Crítica precisa recorrer à instituição máxima da democracia representativa brasileira, a Presidência da República, para manter Battisti por aqui, já que a Justiça decidiu aprovar sua extradição. É a Lula, a quem o grupo considera um político tão vendido ao capitalismo quanto os demais, que o movimento tem de depositar suas esperanças, curvando-se diante do poder soberano propiciado pelo modelo presidencialista.
INFORMAÇÃO PARA QUÊ?
Esta semana, vimos a Câmara de Vereadores de Fortaleza recusar um pedido de audiência pública para discutir as falhas do projeto do Hospital da Mulher. Na semana passada, na Assembleia, vimos os governistas barrando requerimentos que pediam informações sobre a manutenção de veículos comprados para a segurança pública e sobre contratos com servidores terceirizados. Diante dessas negativas coincidentes nas duas Casas, cabe uma reflexão: o Legislativo brasileiro de um modo geral se recinte de ter suas prerrogativas mais do que limitadas, não conseguindo sequer legislar por conta própria & depende de mensagens do Executivo para praticamente tudo. Uma das poucas incumbências que lhe resta é debater questões públicas relevantes, instigando questionamentos e acompanhando a forma como são executados os projetos do governo, inclusive para fiscalizar. Impedir o acesso a informações públicas é uma forma direta de limitar até isso.
O líder do governo Cid, Nelson Martins (PT), insiste em dizer que não há qualquer empecilho para conseguir todas essas informações requeridas (as que têm relação com o Estado), muito pelo contrário, está quase tudo na Internet, no Portal da Transparência criado pelo governo, ou nas prestações de contas apresentadas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), cujas informações são facilmente disponibilizadas a qualquer deputado que assim quiser. Pois eu também insisto: se estão tão acessíveis, por que negar a entrega desses dados a um deputado que as pede oficialmente? Sempre que se trata de informação pública, numa democracia, é bem melhor pecar pelo excesso.
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23/11/2009
11:37
coluna ruim. texto confuso.
francisco sales
23/11/2009
10:13
O Movimento Critica Radical não está preocupado com a situação de Cesare Battisti. Na verdade, " a luta pelo asilo político" é apenas um daqueles momentos que o ideólogo do grupo chama de "situação revolucionária", que pode desembocar numa "crise revolucionária". Infelizmente,tal alienação ceifou a trajetória de duas militantes políticas que poderiam ter contribuído muito mais para o aperfeiçoamento democrático neste país e do próprio sistema político, com suas fortes atuações no parlamento, por exemplo.
Francisco G Moreira
23/11/2009
09:52
Nelson Martins (PT), quem te viu, quem te vê, outrora combatente, hoje...vixe!
Ari Pinehrio
22/11/2009
15:33
Infelizmente o legislativo brasileiro serve apenas para referendar o que o executivo impuser, tanto nas esferas estadual, municipal e federal. Não fiscalizam nada, não debatem, não representam os eleitores. Nossa Assembléia Legisltiva não passa de um apêndice do executivo estadual e isso se repete nos municípios na relação câmares e prefeitos. Isto é deprimente e desolador para os eleitores. Acho que estamos em um beco sem saída e a única forma que temos de ser ouvidos é votar em branco, mostrando que o povo não suporta mais.
Gladstone Pontes
22/11/2009
09:12
Quer dizer então que num caso hipotético em que eu tenha ficado sabendo apenas na semana passada que existe um preso político aguardando extradição para seu país de origem onde, tudo indica, sofrerá represálias, maus tratos, não estando descarta até mesmo sua morte, o fato de eu ter tido conhecimento apenas recente do histórico do preso impede minha preocupação e minha luta humanitária contra sua extradição? O fato de ser o Presidente da República quem decidirá a sorte do preso e, ainda hipoteticamente, eu achasse que ele é "um político tão vendido ao capitalismo quanto os demais" impede que eu procure sua ajuda, em nome de uma coerência que a senhora jornalista implicitamente decretou? Finalmente e sem entrar no mérito de suas convicções, a senhora Rosa da Fonseca merece todo o respeito e consideração de todos nós. E melhor faria a jornalista, na condição de mulher e cidadã, antes protestar, e não meramente ironizar, o fato de Rosa ter sido "carregada na marra e depois JOGADA do lado de fora da Corte" (maiúsculas minhas). Respeito é bom e todos nós gostamos - inclusive jornalistas, é de supor.
nelson castelo branco eulálio filho
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