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Tostão

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A tática da tristeza


06 Jun 2009 - 17h49min


Adriano foi sincero quando disse que estava triste em Milão e sem prazer de jogar futebol. É verdade também que utilizou esse vazio para rescindir o contrato, com a concordância da Inter. No Rio, ele está perto do que gosta, é mais badalado, o que também deseja, e ainda ganha muito dinheiro, mesmo sendo menos que na Itália.

A tristeza de Adriano, tão glamourizada pela mídia, acontece com quase todos os jogadores que vão para o exterior. Alguns reagem, cumprem os contratos, se adaptam e fazem uma vitoriosa carreira. Outros adotam a tática da tristeza para voltar. Cada um com sua particularidade.

Estar triste não é a mesma coisa que depressão. Bastou Adriano assinar contrato com o Flamengo para ficar feliz. Se estivesse deprimido, não melhoraria tão rápido. Se não sair do Manchester City para um dos grandes clubes da Europa, Robinho poderá ser o próximo a voltar, dizendo que não está feliz.

O grande mistério de tudo isso são os clubes gastarem fortunas para contratar atletas e não fazerem nenhum esforço para diminuir o prejuízo. Alguns ficam poucos meses e voltam. Os empresários desses jogadores devem ser uns mágicos, capazes de dar nó até em pingo d’água.

A melhor explicação para jogarem tanto dinheiro fora é que dinheiro ganho ilegalmente precisa ser lavado e consumido rapidamente. Dizem ainda que dinheiro roubado dá azar. Não é tanto assim. Os falsários e aproveitadores continuam livres e na farra. O mundo é uma grande lavanderia.

Silêncio
Gosto de palavras, de som, de música e também de silêncio, do que é dito com os gestos e com o olhar. Gosto ainda da luta silenciosa, feita com atitudes, e não com discursos vazios e oportunistas. O silêncio comunica mais que o ruído. Nós é que não sabemos escutá-lo. Não sei por que escrevo isso. Deve ser porque vi na TV partidas de tênis de Roland Garros. Não entendo nada, mas gosto do silêncio que todos os narradores e comentaristas fazem quando a bola está em jogo. Até os torcedores fazem silêncio.

Sei que futebol é muito diferente. Dizem ainda que o silêncio derruba a audiência. Será? Mas, não é necessário também, enquanto a bola estiver rolando, falar tanto, dar tantas informações e ainda narrar o lance óbvio, como um passe para o lado. TV não é rádio. Estamos vendo a jogada. Não somos cegos nem burros.

Realidade
Não tenho esperança de que não haverá desperdício de dinheiro público na Copa de 2014. Acho ainda absurdo o poder público construir um estádio, para ter apenas um jogo na Copa, em uma cidade que não possui uma única equipe nem na segunda divisão do futebol brasileiro. Vai ser um elefante branco.

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09/06/2009
13:48

Sou fã do Tostão desde os tempos de Cruzeiros e Seleção. Gosto da forma como escreve e como poucos fala com seriedade e toca em assuntos que a maioria dos jornalistas esportivos não têm coragem. É verdade: Galvão. Kleber e até o Luciano falam pelos cotovelos e esquecem de narrar as jogadas. Ridículo e a gente não desliga porque ainda se pode ver as jogadas. Mas acho que vou tirar o som e assim assitirei melhor os jogos. Parabéns, ao centroavante canhotinha de ouro.

George Machado

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08/06/2009
21:36

Obrigado Tostão, por escrever esta coluna.

lucio kerber

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08/06/2009
12:29

Concordo plenamento com os comentários do Juliano e do Guto. Ainda bem que temos o Tostão, um cara independente, que não tem interesses, senão com a verdade. Guto, também acho ridículo os comentaristas ex-juízes, nenhum salva, mas o Márcio Rezende e José Roberto Whrite são difíceis de engolir, da mesma maneira em que eram como juízes em atividade.

Wilson Reis

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