Tostão
Conversa com o leitor
13 Jun 2009 - 14h20min
Um leitor, que encontrei em uma das caminhadas pelo bairro onde moro, quando converso com minha imaginação e com outras vozes que estão dentro de mim, ficou surpreso ao saber que a Seleção de 70, considerada por muitos como a mais brilhante e a mais ofensiva de todos os tempos, foi a que mais fez gols de contra-ataque.
Para o leitor, que não sei o nome, e para muitas outras pessoas, o contra-ataque está sempre associado ao futebol defensivo, o que não é verdade.
Com exceção de gol de bola parada e outros poucos tipos de gols, todos os outros são de contra-ataque, quando se recupera a bola. Se isso ocorre mais na frente, o time será bastante ofensivo. Além disso, nas décadas de 60 e 70, aconteciam pouquíssimos gols de bola parada. Isso aumenta a porcentagem de gols de contra-ataque.
Questionei na coluna anterior se a falta de craques no meio-campo da Seleção é por causa de mudanças que os técnicos fizeram na maneira de jogar das equipes ou a falta de talentos obrigaria os treinadores a jogar de uma maneira mais dura, de mais marcação e com pouca criatividade.
O mesmo leitor me deu uma boa resposta. Disse que os técnicos, desde as categorias de base, colocam os armadores mais habilidosos e mais talentosos para atuar mais à frente, de meias ofensivos ou de atacantes, como se não tivessem condições para marcar. O leitor lembra ainda que Kaká, Robinho, Ronaldinho, Alex e outros jogadores excepcionais são meias ofensivos e não jogadores de meio-campo.
Penso também que é por aí. O meio-campo foi dividido pelos técnicos brasileiros entre os volantes, que marcam e atuam do meio para trás, e os meias ofensivos, que atacam e jogam do meio para frente. Desapareceram os grandes meias armadores, que faziam as duas funções, que atuavam de uma intermediária à outra e que faziam suas equipes dominarem as partidas.
Paradoxalmente, no momento em que se exige dos atletas terem mais de uma função, houve uma especialização no meio-campo. Isso aconteceu em quase toda a sociedade. Os especialistas trouxeram grandes benefícios e também coisas negativas. Diminuiu o número de profissionais que têm uma visão mais ampla e que saem do convencional. Faltam artistas, na sociedade e no meio-campo da Seleção, que inventam e reinventam as jogadas.
Todos os armadores da Seleção são bons, mas, a mais ou menos 20 anos, depois de Falcão, não surgiu um único armador espetacular. Não é por capricho nem pelo esquema tático dos técnicos europeus que, com exceção de Anderson, nenhum jogador de meio-campo da Seleção atua em um dos grandes times da Europa. Mesmo Anderson não é destaque nem titular absoluto do Manchester United.
Há alguns lampejos de grande talento no meio-campo do futebol brasileiro, como o belíssimo passe de Felipe Melo para o gol de Nilmar. Felipe Melo, bom jogador, quis, contra o Paraguai, ser um artista, um craque, durante toda a partida, que ele não é. Por isso, acertou e errou muito. O craque não precisa mostrar em todos os lances que é craque. Ele é.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
02/09/2009
11:12
Gostaria de saber o nome do Presidente do Vasco, que cotratou Tostão, como (grande) jogador de futebol.
jorge elias bittar
07/08/2009
20:02
Caro Tostão, Admiro sua maneira cuidadosa e criteriosa de analisar o futebol. Quando você compara Pelé a Maradona, por exemplo, usa critérios como técnica, habilidade e criatividade. Fale mais sobre isto. Concordo com sua visão sobre a importância relativa dos treinadores no resultado das partidas. Sou sãopaulino, e não entendi a comoção com que a imprensa paulista tratou a saída do Muricy. O São Paulo poucas vezes jogou um futebol bonito neste período de conquistas entre 2006 e 2008. A verdade é que treinar o São Paulo é fácil, pois sempre tem bons elencos. É quase obrigação fazer o time se apresentar bem. Fale mais sobre o meu tricolor. Abraço.
Álvaro de Matos Ramos
Mais Notícias
Últimas
- 19:43 Cientista social acha que crescimento da classe média depende de reformas estruturais
- 19:17 Marta Suplicy defende candidatura de Ciro ao governo de São Paulo
- 18:55 Morre, aos 47 anos, pastor Alisson Silva
- 18:50 Michelle Obama lança campanha nacional contra obesidade infantil
- 18:46 Camex reduz a zero imposto de importação de vacinas contra gripe suína
Últimas
- 03:05Documentos falsos vendidos por R$ 30
- 01:49Quem grita mais... ganha
- 12:19Viatura do Ronda perde o controle e invade restaurante em São Gonçalo do Amarante
- 17:50'Dilma não é líder, é reflexo de um líder', diz Fernando Henrique
- 03:06Revelações de sex symbol
- 10:07Corpo de homem é encontrado amarrado e amordaçado
- 01:49 Quem grita mais... ganha
- 17:50 'Dilma não é líder, é reflexo de um líder', diz Fernando Henrique
- 12:19 Viatura do Ronda perde o controle e invade restaurante em São Gonçalo do Amarante
- 02:04 Já vai embora?
- 03:04 35 mil famílias cearenses fora do Bolsa Família
- 08:54 Investimentos em educação vão transformar Brasil em potência econômica, diz Lula
Indique esta notícia








