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Estilos que se misturam


24 Jun 2009 - 00h18min

Adilson Batista, que nasceu no Sul, campeão da Libertadores como jogador do Grêmio, chamado de “Capitão América” pelos gremistas, dirige o Cruzeiro, um time com tradição de jogar bonito, em velocidade e com a bola no chão.

Paulo Autuori, carioca, campeão da Libertadores como técnico do Cruzeiro, que sempre gostou do futebol bonito e de troca de passes, comanda o Grêmio, uma equipe com tradição de marcar muito e utilizar bastante as jogadas aéreas.

Hoje, o Cruzeiro também marca muito e faz muitos gols de bolas paradas, e o Grêmio também troca muitos passes em direção ao gol. Os dois estilos se misturam.

Uma boa equipe precisa ser capaz de marcar e contra-atacar bem, fazer muitos gols de bola parada e também de trocar muitos passes e de saber esperar o momento certo de chegar, com velocidade, ao gol.

Paulo Autuori gosta de armar suas equipes com dois volantes e um meia de cada lado, para fazer dupla com o lateral, na marcação e no ataque. Adilson Batista costuma escalar o Cruzeiro com três armadores defensivos (volantes) e um meia. O time é ofensivo, principalmente no Mineirão, porque os laterais atacam bastante, e os três marcadores no meio-campo têm mobilidade para avançar.

O Cruzeiro melhorou neste ano com as contratações de Kléber e de um bom e grandalhão zagueiro (Leonardo Silva). Alguns jovens evoluíram, como Henrique, Jonathan e Magrão, além de Marquinhos Paraná e Fábio, que continuam muito bem. O técnico também melhorou bastante, ao deixar de fazer coisas, sem sucesso, que só ele entendia.

Marquinhos Paraná marca bem, faz pouquíssimas faltas e possui um bom, rápido e lúcido passe. Merecia ser mais valorizado. Ele é melhor que parece.

Em duas partidas, não há favorito. No Mineirão, se o Cruzeiro fizer um gol primeiro, deveria seguir o exemplo do Corinthians contra o Inter e procurar o segundo, sem afobação, mesmo correndo risco de sofrer um gol.

Dizer que 0 a 0 em casa é melhor que ganhar por 2 a 1 me lembra tempos atrás, quando falavam que o placar de 2 a 0 era muito perigoso, mais ainda que ganhar de 1 a 0, pois a equipe poderia relaxar durante a partida.

Mudanças para melhor
Contra a Itália, o Brasil jogou bem e bonito. Além dos belíssimos contra-ataques, o time trocou mais passes. Gilberto Silva, que jogava quase como um zagueiro, passou a atuar, a partir do jogo contra o Paraguai, no meio-campo.

Dunga, que dizia ser Ramires um meia, reserva de Kaká, mudou seu conceito ao escalar o jogador para atuar do jeito que sabe, marcando mais atrás para depois chegar ao ataque. A única diferença é que, no Cruzeiro, ele corre por todos os lados. Na Seleção, ele tem uma posição de referência, pela direita, como Elano. Ainda há mais coisas para melhorar.

Cansaço mental
O sucesso prolongado e a pressão para mantê-lo leva a uma fadiga mental, a uma acomodação inconsciente e a uma auto-suficiência, quase uma soberba, de imprevisível duração. Acho que isso, mais que outros problemas, é o principal motivo da queda do São Paulo.

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27/06/2009
23:12

Aí! O galo ganha do Santos na Vila e depois leva de 4 pro Barueri ( que não é um time tão ruim assim) esse é o futebol! Pra mim o Cruzeiro não perde pra o Geêmio, mas o futebol...

Luiz Antônio

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27/06/2009
14:42

Tostão, gosto muito dos seus comentários. Pena que você esteja tão só, com essa sua lucidez, na imprensa esportiva brasileira. Queria muito saber se, na sua opinião, esse apreço do Adilson pelos três volantes não é problemático. Acho que dois volantes já são o suficiente num time como o Cruzeiro que, mesmo sem Ramires, tem condições de jogar com dois meias de qualidade. O Estudiantes, lá na Argentina, aproveitou-se da falta de homens no Cruzeiro que fizessem com o ataque e marcou a saída de bola, achando três gols nessa estratégia. Outra coisa complicada, pra mim, é essa falta de um atacante artilheiro, papel que talvez o Zé Carlos pudesse desempenhar. Não que eu queira necessariamente um atacante "banheira" e um que busque mais o jogo, mas sinto falta de um atacante especialista em fazer gols, coisa que o Wellinton Paulista certamente não é.

william

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26/06/2009
01:10

Caro Tostão, gostei da ousadia do Dunga, ele apostou no Daniel contando com certeza com uma bola parada daquelas. Muitos treinadores de seleção ficam receiosos de fazer alterações mudando a posiçao dos jogadores, mais esse tipo de adaptação muitas vezes decide os jogos. O treinador tem que investir naqueles que demonstram capacidade de decidir, doa a quem doer,o Dunga esta mostrando competencia e muita sorte o que é sempre nescessario. Edmundo.

Edmundo Trevisan

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