Ir para a página sobre a Publicidade

Economia

A+ A- Mudar tamanho

ANÁLISE ECONÔMICA

A Matrix na Real(R$)idade! Parte II

O País tem um enorme potencial para prosperar na economia mundial. O Brasil é um país reprimido pela incapacidade de seus governantes

Sílvio Márcio Ribeiro Pires
02 Fev 2008 - 14h42min

Conforme matéria também divulgada, haveria maior demanda por emprego formal nas áreas que exigem menor escolaridade, 1º e 2º graus, contudo os cargos de supervisão e gerência foram os que mais fecharam vagas entre 2003 e 2006, época do primeiro mandato do atual presidente.

Obviamente, como a economia está desequilibrada, o pequeno impulso na oferta de emprego já materializou a volta da Inflação, sem nem falar-se em aumento de salário-mínimo, a exemplo do resultado de alguns índices como o IGP-DI, que, no o acumulado de janeiro a dezembro de 2007, teve elevação de 7,89%, quando, em 2006, tinha subido apenas 3,79%. Com certeza, haverá mais aumento inflacionário, pois Gás, Carros e Medicamentos poderão subir com o acréscimo do PIS e da Cofins. Além disso, o Diesel pode subir até R$ 0,02 com a adição de biodiesel em 2008, o que influirá nos preços de todos os produtos fretados. E mais: a incidência do IOF em um financiamento de longo prazo pode ficar até oito vezes maior que a cobrança da CPMF, haja vista que, além de considerar o prazo para sua base de cálculo, o decreto da Receita dobrou a sua alíquota incidente sobre operações para a pessoa física, elevando-a de 1,5% ao ano para 3% ao ano, ou seja, de 0,0041% ao dia para 0,0082% ao dia. Ainda haverá uma cobrança de 0,38% sobre o valor de cada operação.

O Governo tem que perceber que o equilíbrio entre "Oferta e Demanda" é essencial para o equilíbrio dos demais fatores econômicos. Por exemplo, se não houver estoque de produtos e serviços necessários para suportar um aumento da demanda, provocado por qualquer aquecimento econômico, haverá desequilíbrio entre os dois fatores e, por conseguinte, ameaça inflacionária.
Devo lembrar ainda que, muitas empresas do País, ainda trabalham com o modelo americano do Just in Time, ou seja, a política de estoques mínimos. Por outro lado, de que adianta criar-se novas vagas se não houver qualidade nos salários? Quer mais? Com o nível dos reservatórios para geração de energia elétrica baixos, o governo acionou as Termelétricas que produzem energia mais cara. Conforme Silvia Calou, diretora-executiva da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), o efeito da falta de chuvas, no
início desse ano, só deverá ser sentido pelos consumidores de distribuidoras que reajustará suas tarifas a partir do meio do ano. Conforme o presidente da Associação Brasileira de Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, o consumidor brasileiro é quem vai pagar o óleo diesel das térmicas.

Lembram-se que, anteriormente, o Sr. Lula queria aumentar o PIB para 5% ao ano. Ainda em relação ao IOF, houve, dois enormes equívocos jurídicos por parte do ministro Guido Mantega (e Lula?) por sua medida expor a presunção de dupla incidência tributária nos contratos de financiamentos e empréstimos e por diferenciar suas alíquotas para pessoas físicas e jurídicas, que contrariou o princípio da isonomia tributária.

E o PAC(to)? Conforme o próprio Governo, não sofreria nenhuma alteração. Acreditar nisso? Quando, no final do ano passado, o mesmo Governo havia dito que a CPMF não seria compensada por nenhum outro tributo e, logo em seguida, a sua equipe econômica (?) aumentou as alíquotas do IOF e CSLL das instituições financeiras? E após o Sr. Lula comentar que o pacote seria um freio ao consumo, palavras confirmadas pelas declarações do ministro Guido Mantega que ressaltou que o aumento do IOF, realmente, ajudará a frear o consumo, além de garantir receita adicional ao governo? Ora, se freia o consumo por um lado, como acelerar o Crescimento por outro? Vamos imaginar o que aconteceria se quiséssemos acelerar um veículo empurrando um pé no acelerador e outro no freio. Com pouco tempo sentiríamos um enorme mau-cheiro de freio superaquecido... Superaquecimento gera fumaça... Onde há fumaça, há fogo... E fogo queima. Resultado: muita gente com os bolsos em carne-viva. Para ser sincero, o que leva a crer é que o Governo continuará seguindo à risca a diretriz de conter a Inflação através da miséria do povo. Como crescer se há uma prospecção para a contenção do consumo?

Vale lembrar que até um dos maiores mágicos do mundo, Houdini, morreu devido a uma falha num de seus truques de mágica. E o único Néo que tínhamos era um celular da gradiente já fora de linha.

A inflação de custos detonada pelo pacote governamental, com certeza, virá a reduzir ainda mais as margens de lucro de alguns segmentos, principalmente, o de varejo. As firmas deverão absorver custos em vez de repassá-los aos preços em função dos salários já achatados, que não têm mais capacidade de absorver sobrecargas, caso contrário, haverá uma tendência de redução das quantidades consumidas, impactando na elasticidade de alguns itens, o que em nada interessa ao empresário. Diga-se que o aumento na alíquota do IOF ainda vai taxar várias transações do setor produtivo, que antes eram isentas.

Com certeza, quem sofrerá será o bolso do micro e pequeno empresário, principalmente aqueles que aderiram ou aderirão a financiamentos pós-fixados, e, lógico, o do povo. As empresas, obviamente, vendo-se sem alternativas para reduzir seus custos, desempregarão.

Será um retorno à inflação e à crise? Para o Governo, no entanto, o impacto se restringe, por enquanto, ao valor de R$ 10 bilhões que ainda faltariam para compensar a perda da CPMF, conforme suas próprias declarações. "Eu estando bem, os outros que se..." Notaram como a CPMF servia para muita coisa, exceto para a Saúde?

Quando à recriação do tributo com alíquota de 0,20% com caráter permanente, o Sr. Arthur Virgílio comentou: "No pacote tributário, não colocaram um tostão para a saúde. Vamos enfrentar a tentativa de recriar a CPMF assim como vamos enfrentar a MP da CSLL e estamos enfrentando na Justiça o aumento do IOF". Quanto à suposta suspensão do aumento dos militares, o Comando do Exército divulgou nota informando que tais aumentos seriam mantidos, embora não especificasse qual o percentual. O governo está colhendo seus frutos.

Enfim, o descalabro aumenta. Oito concessionárias, madeireiras em sua maioria, entraram na disputa pela Concessão de exploração da Floresta Nacional Jamari, no estado de Rondônia. Uma área equivalente a 96 mil hectares, na Amazônia, a primeira (e não última!) a ser licitada de forma a dar o direito de exploração de áreas florestais naquela região, pelo período de até 40 anos. Afinal, em nome do meio-ambiente, é para preservar ou para explorar?

Mas acreditem, independente de qualquer animal que venha a ocupar o poder, seja molusco, peixe, cavalo, égua, bípede ou quadrúpede, o país tem um enorme potencial para prosperar na economia mundial. O Brasil, hoje, é um país reprimido pela incapacidade de seus governantes. Como disse Michael Reid em seu novo livro Forgotten Continent (Continente Esquecido): "Se a China se transformou na fábrica do mundo e a Índia no seu departamento administrativo, o Brasil é sua fazenda e, potencialmente, seu centro de serviços ambientais." Há motivos de sobra para isso: terra, matéria-prima, energia, meio ambiente e, com certeza, trabalho. "Gigante pela própria natureza", suas terras estão longe da exaustão. É um grande exportador de café, carne bovina, açúcar, suco de laranja, minério de ferro, frango e soja. Tem potencial hidrelétricos, além da recente descoberta de um imenso campo de petróleo em águas profundas em sua costa sudeste. Além de tudo isso, sua produção de combustíveis de origem vegetal, particularmente o etanol advindo da cana-de-açúcar, produz mais energia por hectare do que o milho, matéria-prima do etanol americano. Bastaria combinarmos o potencial de produção de combustível vegetal com as terras produtivas para termos uma noção do brilhante futuro de nossa nação. A China (que não é boba!) já percebeu isto e está investindo forte para conseguir o que puder, do alimento (como a Índia), que o país possui em abundância, à energia.
Portanto, se nosso Brasil, em parte, vai bem, não é mérito de nenhum governante, mesmo que venha a agradar tanto a Hugo Chávez como a George Bush. Aliás, bajulação não combina com competência. Devo lembrar que, anteriormente, perdemos a oportunidade de sermos a "bola da vez" na economia mundial. A falta de iniciativa e estratégica do governo, deixou-a escapulir, do que a China soube aproveitar-se. E, mesmo que a oportunidade não costume bater à porta mais de uma vez, eis que nos regressa e concomitantemente com a crise americana. Temos a obrigação de aproveitá-la desta vez! Acooorda Brasil!


Silvio Márcio Ribeiro Pires é diplomado pela Universidade Federal do Ceará em Administração de Empresas, pós-graduado em Informática e Organização, Câmbio e Comércio Exterior e MBA em Finanças; consultor, instrutor Financeiro e professor universitário.

Primeira parte do artigo foi publicada no dia 27/1/08

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Mais Notícias

Últimas

Últimas

Indique essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

[an error occurred while processing this directive]

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2009 O POVO - Todos os direitos reservados