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A multiplicação do Palmas

Aos dez anos, o Banco Palmas cresceu e corre o Ceará e o Brasil. O POVO acompanha os passos do banco comunitário e, na última matéria desta série, dá notícias lá do Espírito Santo, onde o Palmas, saindo da periferia de Fortaleza, já chegou

Ana Mary C. Cavalcante
da Redação

28 Fev 2008 - 01h02min

Mercadinho em Paçujara: negócios fechados com o maracanã, a moeda social do Banco Paju. Os principais clientes do banco comunitário são os donos de pequenos comércios: sacoleiras e vendedores de caldo-de-cana, por exemplo (Foto: Divulgação/Stênio Saraiva)
Era uma casa com quintal, siamesa as dezenas moldadas do/no barro que era o Conjunto Palmeiras, periferia de Fortaleza, entre as décadas de 1970 e 80. Mas, da associação de moradores se fez um bairro e um banco. Depois da 86ª assembléia, botaram o Banco Palmas na praça e seguraram as pontas. Uma doação aqui, um parceiro internacional acolá - "No primeiro ano, conseguimos R$ 30 mil dos estrangeiros", remete o ex-seminarista Joaquim de Melo Neto, coordenador do banco comunitário - e, em dez anos, a carta de crédito soma R$ 700 mil. Cresceu e multiplicou-se. Desde 2003, chegam convites para a idéia germinar em outros municípios do Ceará.

Já são oito bancos populares, a partir de Maranguape e Maracanaú (Região Metropolitana de Fortaleza), passando por Beberibe (litoral leste) e por Paracuru (litoral oeste) e espalhando-se pelos sertões (Santana do Acaraú, Palmácia, Tauá e Paramoti). Mais além, ziguezagueando o Brasil, há sementes do Banco Palmas na Bahia, em João Pessoa, no Piauí, no Maranhão, no Mato Grosso do Sul e no Espírito Santo, totalizando oito instituições. E a semente frutifica com pouco: bastam "uma sala com computador ligado à Internet", diz Joaquim de Melo, e a mão da comunidade, "porque o banco não pode ser assumido pelo poder público". Comumente, funciona assim: o Banco Popular do Brasil, parceiro desde 2005, entra com o crédito, e a prefeitura local, com a infra-estrutura. O município interessado solicita a capacitação ao Instituto Banco Palmas, que acompanha o projeto por dez meses, até o novo banco começar a andar com as próprias pernas.

E, cedo, ele toma um rumo: "Do ponto de vista econômico, já financiamos 57 empreendimentos. Tem uma indústria (anexa ao banco), a PajuLimpe, onde foram gerados cinco empregos. O restante (financiado) é comércio e serviço", aponta Francisco Eudásio Alves da Silva, coordenador do Banco Paju (Maracanaú) - aberto em 2006, depois de "um fórum com os moradores para discutir moradia, emprego e transporte". No mesmo fôlego, enumera os principais clientes: "Tem variado, sacoleiras, pessoas que vendem picolé e caldo-de-cana". O Paju já emprestou R$ 60 mil em crédito produtivo e R$ 160 mil em crédito pessoal (parceria com o Banco Popular). São, em média, três mil atendimentos/mês no caixa. No mais, sublinha Francisco: "Uns americanos vieram nos conhecer... Então, a Pajuçara passou a ser vista. Já tivemos reportagens da TV Globo, você tá ligando pra saber... A nossa rua era toda esburacada e, em virtude do banco, a prefeitura saneou".

CONTEÚDO EXTRA
www.opovo.com.br/conteudoextra
Programação do Seminário Banco Palmas 10 Anos


Números

90% das pessoas entrevistadas para a pesquisa "Avaliação de impactos e imagem: Banco Palmas 10 anos" afirmaram que o Banco Palmas contribuiu para a melhoria da qualidade de vida.

25,5% dos entrevistados disseram que houve aumento na renda pessoal e 20,2% obtiveram trabalho a partir da existência do Banco Palmas.

53% dos entrevistados já pediram empréstimo ao Banco Palmas. A média é de três empréstimos por pessoa.

44% apontam a taxa de juros baixa como principal vantagem da operação de crédito com o Banco Palmas. A agilidade para liberação do crédito se sobressai em 27% das respostas.

39,53% consideram baixo os valores dos empréstimos concedidos pelo Banco Palmas. Essa seria a principal desvantagem da operação de microcrédito do banco comunitário.

94% dos entrevistados creditam que a moeda social (palmas) contribuiu para o desenvolvimento do Conjunto Palmeiras. Mas apenas 58% afirmam usar a moeda.

Fonte: pesquisa "Avaliação de impactos e imagem: Banco Palmas 10 anos", realizada pelo Laboratório Interdisciplinar de Estudos em Gestão Social (Liegs/UFC).

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