Economia
História de vida
Empreendedorismo que dá certo e une a família
Conhecida como Lumésia, a moradora do bairro José Walter é outro exemplo de empreendedorismo. Com pouco dinheiro e sem nenhuma experiência, ela iniciou um trabalho com o apoio da associação do bairro e do Sebrae que hoje integra a família
06 Set 2009 - 23h00min
Francisca da Costa Silva, conhecida como Lumésia, é outro exemplo de mulher empreendedora - e vencedora - do José Walter. Ela conta que antes da associação “fazia tudo e ao mesmo tempo não fazia nada”. “Criava uma coisa, inventava outra e nada dava certo”, diz. Para ajudar nas despesas de casa, Lumésia vendia comida em um quiosque de praça. Um dia uma menina - que até hoje chama de anjo - perguntou se ela gostaria de se cadastrar para as reuniões que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ia promover no bairro.
Participou da segunda reunião e já teve a certeza: “é aqui mesmo que eu fico”. No começo, ainda sem saber planejar, fez algumas “trapalhadas” como gastar o dinheiro que conseguiu com o microcrédito de forma precipitada. Produzia inicialmente peças em crochê e foi quando resolveu diversificar, usando um tecido chamado linhagem, que viu as coisas melhorar. Mas também passou por situações bem difíceis.
“Uma vez peguei R$ 5 e fui numa loja que vendia linhagem. A dona da loja perguntou o que eu queria. Disse que tava só dando uma olhada. ‘Quantas peças a senhora vai querer?’ Não quero uma peça não. Quero meio metro. ‘Ah a senhora só quer meio metro?!’ Lembro como se fosse hoje. Ela foi grosseira e pediu para outra pessoa me atender. Fiquei numa tristeza, me sentindo humilhada por querer criar uma coisa e não poder. No sábado mesmo, sem saber cortar nem nada, fiz uma blusa e costurei na mão. Ficou linda”, recorda Lumésia.
Ao participar de uma feira de negócios no Sebrae, Lumésia levou a blusa guardadinha na bolsa. Por sorte - ou destino - apareceu um senhor que encomendou várias peças feitas de linhagem. “Ele perguntou o que eu fazia. Disse que fazia saia, vestido, tudo. Isso sem nunca ter feito e sem dinheiro”, lembra. Conseguiu um cheque emprestado e acabou fazendo a primeira boa venda de sua vida de empreendedora.
Hoje Lumésia conta com a ajuda do marido e dos filhos. Foi difícil conseguir que o esposo deixasse a profissão de caminhoneiro para se dedicar ao negócio que hoje é também da família. “Ele vivia sendo assaltado e falei pra ele sair do emprego pra gente crescer junto. Chamei pra ir pra Praça da Sé. Saíamos de casa 4h. Ele morria de vergonha. Fomos a semana toda e nada. Nem queria ir no outro dia. Ele saiu e lembrei que tinha R$ 12 no bolso. Quando voltou eu disse que tinha apurado R$ 12. Pra incentivar, né? Foi uma benção. Não paramos mais”, conta Lumésia. (Dalviane Pires)
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