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Forrest Panga

O ultramaratonista Fernando Pangaré, carioca radicado no Ceará, pode ser considerado um Forrest Gump das pistas. ``Desenrolado``, viaja o mundo colecionando amizades e histórias inusitadas, sempre com dinheiro curto

Ciro Câmara
cirocamara@opovo.com.br

31 Out 2009 - 20h19min

A vida Fernando Pangaré corre na velocidade dos causos. Alguns, de tão fantásticos, clamam por comprovação, tamanha a possibilidade de caírem no fantasioso. Aos 43 anos já foi o Diabólico, olheiro de boca de fumo, marinheiro, faxineiro, personagem do Jornal Nacional e, polvilhando tudo, corredor. No ritmo das passadas rodou o mundo. Angariou tantas amizades e histórias para contar que faz lembrar outro personagem, bem mais famoso: Forrest Gump.

O Pangaré é atleta, ultramaratonista, corre períodos de até 48 horas. O Forrest Gump cearense provavelmente já cruzou com você num dos intermináveis treinos. Por aqui, no O POVO, geralmente passa em notas rápidas que registram feitos, andanças, aventuras. Informações que ele envia, com voz frenética ou através de e-mails rebuscados. Hoje tem uma página dedicada a ele.

O nosso ``contador de histórias`` parece ter muitas vidas. Na principal delas, nasceu no Rio de Janeiro. Sempre adepto da correria, chegou a ser atropelado aos seis anos e trabalhou como olheiro de boca de fumo, na época em que seu pai já havia deixado a família. ``Quando eu era moleque tinha o apelido de Diabólico, por correr muito``. A primeira competição foi aos 13 anos, uma prova de 1.500m. ``Caí no meio do caminho, de fome. Mas foi a semente da coisa``.

Depois serviu à Marinha, se formou em Pedagogia e correu em maratonas até bater no Ceará. Quer dizer, em uma cearense. Foi num encontro de faculdade em Fortaleza, em 1991, que Fernando conheceu Eunice, também professora. ``Conheci e amei. Fui pro Rio, peguei as malas e voltei``, conta ele, casado com Eunice desde então.

Aqui se dedicou às ultramaratonas. E quase se matou para ter o nome no Guinness Book, o Livro dos Recordes. Tentou ser o primeiro a correr por um ano. Foram 10 mil km divididos em 730 trechos & média de dois por dia. Fechou a façanha com a Maratona do Rio de 1995, quando virou personagem de Marcos Uchôa, da TV Globo, e incorporou o apelido. ``Fernando é Pangaré, mas não é burro``, soltou Uchôa em cadeia nacional.

E, espertamente, Fernando Luciano Barros Xavier virou Fernando Pangaré.

Mas não teve a marca certificada pelo Guinness Book & a federação local não acompanhou os treinos dele para homologar o feito. Mesmo assim, aumentou a façanha nos dois anos seguintes, correndo, ao todo, 36 mil km. ``Se você me der grana hoje eu não reedito. Era animalesco``, diz.

Cidadão do mundo
A partir daí vieram as viagens por todo canto. Conheceu 11 países sempre na base da camaradagem de amigos que mantém pela Internet. ``Tenho blog, Orkut, Twitter, Facebook, Hi5 e Tagged``, pontua, citando os sites.

Pangaré aprova a comparação com Forrest Gump. ``Tem tudo a ver. As histórias surgem a partir do momento em que você viaja nas piores condições. Eu fui agora para a Argentina pela sétima vez e nunca fiquei num hotel, só em casa de amigo``. Pangaré até mostra admiração pelo personagem vivido por Tom Hanks no cinema. ``O cara que vive experiências é um cara muito feliz``. Então corre, Forrest Panga!

E-Mais

> No processo de produção desta matéria, Pangaré enviou 17 e-mails para o repórter. Um deles continha 7.590 fotos do atleta.

>Pangaré fala português e espanhol. Em inglês, apenas frases de socorro como ``no have money`` (não tenho dinheiro).

>Durante sessão no Passeio Público, para reprodução de foto igual a do cartaz do filme Forrest Gump (foto), Pangaré esqueceu o celular ali. Retornou depois e achou o objeto. Lógico, ligou para O POVO para contar a novidade.

> Ele é patrocinado pela Expresso Guanabara, construtora Marquise e Prefeitura de Fortaleza.

> As andanças de Panga estarão no livro que ele quer lançar em 2010. O título será Brno, cidade checa onde correu o Mundial de 48 horas, em 2005.

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05/11/2009
19:05

Sou testemunha da dedicação do Pangare, que começou a correr com grupo de corredores do Bairro de Ramos - RJ, que tinha como nome Equipe Aço, o qual tambem fiz parte, juntamente com minha esposa e outros. Pangaré ero o mascote da turma o mais novo. Desta equipe poucos continuam correndo, mais eu continuo com este esporte, e fico feliz de ver que a dedicação do Pangarè está sendo recompensada. abraços JM

Jorge Manoel

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03/11/2009
16:44

Gostaria de dar os parabens pela matéria com o grande ultramaratonista Fernando Pangare que alem de grande atleta é um grande ser humano tambem, merece todas as conquistas

Marcio Villar

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