Fortaleza
TRANSTORNOS E PERIGO
Rodoviárias improvisadas
Nas avenidas Bezerra de Menezes e Mister Hull, duas paradas de ônibus improvisadas servem como rodoviária a diversos passageiros que buscam passagens intermunicipais mais baratas
Yanna Guimarães
da Redação
13 Jan 2007 - 15h14min
Com destino a Paracuru, a 101 quilômetros de Fortaleza, a dona de casa Ana Cristina Soares, sempre prefere esperar pelo ônibus na avenida Bezerra de Menezes. "Aqui fica bem próximo a casa dos meus filhos, onde fico quando venho a Fortaleza. Não compensa pegar um ônibus para ir à rodoviária, dá muito mais trabalho", explica. Ela, que compra a passagem dentro do ônibus, relata ainda que o espaço usado como parada improvisada poderia ter uma identificação. "Poderia também ter um local reservado para que não tivéssemos que disputar o espaço com os carros".
Conforme Ana Maria Sousa, funcionária do açougue cujo estacionamento abriga quem aguarda os ônibus, a situação acaba atrapalhando os clientes. "Prejudica nosso estacionamento. Mas é compensado porque muitos que esperam acabam comprando aqui". Já a vendedora Helena Gomes, que estava esperando um ônibus urbano, acredita que a avenida Bezerra de Menezes é muito movimentada para abrigar um local sem proteção aos que aguardam pelo transporte. "É um bairro muito central e acaba sendo perigoso aos próprios passageiros. Deveria ter um local reservado para eles".
Logo mais adiante, na avenida Mister Hull, outro ponto foi transformado numa rodoviária improvisada. Abaixo do viaduto da avenida Perimetral, bancos feitos com alambrados e madeira e barracas que comercializam comida, bebida, roupa e passagens de ônibus, entre outros produtos. De acordo com o agente rodoviário Marciano Gouveia, que trabalha no local há seis meses, ali funciona uma parada oficial. "Muita gente prefere esperar o ônibus aqui para não ter que pagar taxa de embarque, cobrada nas rodoviárias". Marciano relata que entre 6h e 19 horas passam cerca de 5 mil pessoas por dia. "Não podem acabar com esse local, muitas pessoas dependem daqui".
À espera de um ônibus com destino a Tururu, a 114 quilômetros de Fortaleza, a dona de casa Flaviana Paulino, opta pela parada abaixo do viaduto para não ter que andar com o pai até a rodoviária. "Venho de Messejana e o ônibus pára mais perto daqui". Ela conta que vem a Fortaleza a cada três meses para levar o pai ao médico. "A gente pegava sempre uma lotação. Mas pelo perigo, preferi mudar para o ônibus. Aqui é improvisado, mas é o jeito", diz. O problema ocorre também com quem volta para Fortaleza. Os ônibus param em qualquer trecho da avenida Mister Hull e, muitas vezes, os passageiros têm que atravessar a pista carregando as malas.
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