Fortaleza
ABUSO DE PODER
Prefeito de Iguatu diz ter sido alvo de insultos do capitão
A trajetória de intimidações, violência e diversas outras demonstrações de abuso de poder praticadas pelo capitão Daniel Gomes Bezerra é relatada pelo prefeito de Iguatu. De acordo com o vice e um ex-vereador, o militar seria uma pessoa desequilibrada e agressiva
19 Mar 2007 - 01h31min
Conforme relata, a situação o levou a comunicar o problema ao então chefe da Casa Militar do governo Lúcio Alcântara, coronel Zenóbio Alcoforado, e pedir ao governador, a transferência do então tenente Daniel para o mais longe possível de Iguatu. Agenor Neto admite ter sugerido a região Norte do Estado, lamentando que tenha mudado apenas para Mombaça, que é tão próxima. De acordo com o prefeito, o militar chegou ao ponto de ir a uma rádio de Iguatu para dirigir-lhe ofensas por meio de um programa, e em qualquer lugar da cidade que chegava, passava a insultá-lo, numa constante provocação.
Numa atitude preventiva, afirma que estava evitando encontrá-lo em qualquer lugar, retirando-se sempre que constatava a presença dele em um local. Para Agenor Neto, o comportamento agressivo deve ter sido motivado por divergências que amigos seus, no caso o vice prefeito João Alencar, e o empresário Jocélio Viana, ex-vereador, tiveram com Daniel. Alencar revela que há três ou quatro anos, época que era vereador, foi procurado à noite por um amigo apelando por sua intervenção para soltar dois filhos que haviam sido presos em uma festa. Ao falar com Daniel, ele negou-se a liberar os rapazes na ocasião, só o fazendo na manhã seguinte. Depois disso, ainda passou a dirigir ameaças de morte aos dois, afirma.
Preocupado, o pai voltou a procurá-lo e ambos foram ao quartel com um pedido de paz, mas isso não foi suficiente para evitar as provocações do policial. "O prefeito Agenor pediu tanto ao governador Lúcio para tirar esse rapaz dessa região. É um homem totalmente desequilibrado, piorando muito quando bebia", diz. Jocélio Viana também revela que a perseguição contra si teve como motivação o fato de quando vereador, ir em defesa de um amigo que estava sendo preso numa operação chefiada por Daniel. O rapaz, conforme disse, estava sendo conduzido sob chutes pelos policiais. "Tudo o que fiz foi pedir a Daniel para parar com a violência, o que não adiantou", diz. Depois disso, conta que em várias ocasiões passou a sentir o peso da arrogância e abuso de poder do militar.
O POVO entrou em contato com o comandante do CPI, coronel Sérgio Magalhães, para uma entrevista com capitão Daniel Gomes Bezerra. No entanto, O POVO foi informado que o capitão não queria dar entrevistas.(Rosa Sá)
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