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APRENDIZADO

Mães mais que especiais

Durante a gestação, a mãe cria muitas expectativas com relação ao filho. Nenhuma espera ter um filho portador de deficiência. Se a maternidade em si traz grandes aprendizados, para mulheres como Luiza, Francinete, Fátima...

Lucinthya Gomes
Especial para O POVO

12 Mai 2007 - 14h54min

A MATERNIDADE trouxe sabor especial para o dia-a-dia de Luiza Pontello(Foto: FCO FONTENELE)
Eram apenas três meses de gestação, mas Alice já queria nascer. A gravidez foi complicada, exigiu repouso. Mas, em outubro de 2002, concluídos os nove meses de gestação, ela nasceu. Da primeira vez que a professora de Matemática Luiza Pontello, 44, olhou no rosto de Alice percebeu nas feições dela a Síndrome de Down. "No início, veio o medo. Como eu vou cuidar? Será que eu consigo? Que futuro vem para ela?", lembra Luiza, que, antes de ter Alice, tinha já dois filhos. "Com os outros filhos, eu imaginava como seria o futuro deles, o que eles iam gostar de fazer, o que iam querer ser... Quando a Alice nasceu, a sensação que eu tinha era de que eu não poderia criar expectativas. Eu não a reconhecia".

Como a bebê teve infecção, permaneceu no hospital durante os primeiros dez dias de nascida, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com Luiza, só quando voltou para casa é que Alice, de fato, nasceu. A mãe procurou profissionais que a orientassem e pudessem ajudá-la. "O nosso grande achado foi a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Eles realizam um trabalho com os pais também. Foi quando eu vi que o mais importante é o amor. A aceitação no seio da família é que ia ajudá-la a se desenvolver bem". Conforme Luiza, esse apoio mostrou-lhe que os profissionais a auxiliariam a cuidar de Alice.

A partir de então, ela começou a reconhecer a filha e passou a ter, novamente, expectativas, vivendo intensamente essa relação. "Eu comecei a ver a Alice, não a Síndrome de Down. A Alice tem as diferenças dela, como todas as pessoas têm", ela diz. Como as fases de desenvolvimento de Alice são mais lentas, o tempo dedicado a ela é maior. "Uma das primeiras mudanças foi essa relação com o tempo, diferente da que eu tinha com os meninos". Em casa, Luiza procura seguir as orientações dos especialistas para garantir o bom desenvolvimento da pequena.

Logo, os irmãos Pedro, 15, e Eduardo, 8, foram incluídos no tempo de Alice, 4. "Os dois têm um carinho muito grande por ela. Com a Alice, eles são mais carinhosos. Mas eu acho que o fato de ser menina interfere também, não só a Síndrome de Down", diz Luiza. De fato, a educação em casa e na escola influi nessa relação. "Como eu já tinha uma visão mais solidária diante do mundo, de preparar os meninos para o mundo, como ele é, esse berço já estava preparado para ela dentro de casa". Pedro e Eduardo sempre estudaram em escolas que trabalham com a inclusão, onde hoje Alice estuda também.

Mas a chegada de Alice trouxe muitas lições para Luiza, que se refletem na educação de todos os filhos. Entre elas, está o modo de ver as vitórias. "O dia-a-dia ganha um sabor novo. O significado da palavra conquista se amplia. As conquistas dos outros filhos também passam a ser mais saborosas. Só a possibilidade de estar com eles já é uma felicidade, porque esse tempo com eles tem de ser muito bem aproveitado", diz a mãe.

Ser mãe, para Luiza, significa completude, "o pedaço que faltava". Ela lembra de uma vez, quando estava na fase de reconhecimento da filha, e um amigo disse que Luiza ainda ia ver que Alice era uma bênção de Deus. Hoje, ela afirma: "Na verdade, ser mãe é um presente de Deus. Meus três filhos são as melhores coisas que tenho na vida".


AUTISMO

* O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento infantil (TID) que afeta uma em cada mil crianças nascidas vivas no mundo. As crianças são na sua maioria do sexo masculino.

* Os problemas que compõem o espectro do autismo geralmente se manifestam antes do terceiro ano de vida e afetam a capacidade de comunicação (fala, gestos e níveis não verbais de comunicação), o modo de brincar, o comportamento e a socialização da criança, que geralmente se isola e não participa de brincadeiras imaginativas com outras crianças.

* O diagnóstico deve ser feito por um médico o mais precoce possível, para dar início às intervenções terapêuticas e pedagógicas adequadas e aumentar as chances de uma vida feliz e produtiva no futuro

Fonte: Casa da Esperança


O Dia das Mães

* Nos moldes em que conhecemos hoje, o Dia das Mães está relacionado à norte-americava Anna M. Jarvis (1864-1948). A mãe dela morreu em 1905, e, por isso, Anna teve depressão. Diante do sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória da mãe de Anna com uma festa.

* Mas ela queria que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas. Desse modo, ela passou a escrever longas cartas para políticos, empresários, comerciantes e religiosos sugerindo a criação de um dia em homenagem às mães.

* Em 1908, algumas igrejas de sua cidade, Grafton (Virgínia), e da Filadélfia, onde ela também já tinha morado, escolheram a data de 10 de maio - um dia depois da data de aniversário da morte da senhora Jarvis - para lembrar as mães.

* Em 1910, Virgínia foi o primeiro Estado a festejar oficialmente o Dia das Mães. No ano seguinte, quase todos os Estados americanos seguiram a idéia.

* Finalmente, em 1914, a data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson, ficando para o segundo domingo de maio.

* Como a data passou a ser bastante explorada pelo comércio, Anna chegou a declarar que arrependeu-se de ajudar a oficializar as comemorações.

* Um dos registros mais antigos de homenagem às mães passa-se pela Grécia, onde era realizada uma festa em honra a Réia, mãe dos deuses.

* No início de março, os romanos preparavam uma grande festa, chamada Matronalia.

* Ingleses, na Idade Média, celebravam o Mothering Day. As pessoas mais pobres moravam na casa de seus patrões e ficavam longe de suas casas. Por isso, nesse dia, eles tinham o direito de ir até os seus lares e ficar junto de suas mães.


Fonte: www.guiadoscuriosos.com.br

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