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AFOGAMENTO

Despedida de um herói

Disciplinado, atencioso e esforçado foram algumas das qualidades descritas pelos familiares e amigos de Luiz Cláudio de Oliveira, 14, que morreu afogado na última quinta-feira após salvar dois amigos. Ontem, no enterro do garoto, a família culpava a falta de guarda-vidas pela morte do menino

Yanna Guimarães
da Redação

07 Jul 2007 - 04h27min

Willame Sousa foi salvo por Luiz quando estava se afogando na praia da Leste-Oeste:
O sonho dele era ser pedreiro, assim como seu pai. Estudioso, ia à escola regularmente, tirava boas notas e estava aprendendo a tocar flauta. Tinha tantos amigos que foram necessários dois ônibus, onze carros e duas vans para levar todos à sua despedida, ontem, no Cemitério São João Batista. Luiz Cláudio de Oliveira tinha 14 anos e morreu afogado na última quinta-feira, 5, após salvar dois amigos das águas da praia da avenida Leste-oeste.

"Ele era uma pessoa muito querida na comunidade. Um menino muito bom”, lembra a avó, Maria Inês Rodrigues, que mal conseguia segurar o choro. Ela conta que a rotina de Lu, como era chamado pelos amigos, era cheia. Saía de manhã para as aulas de reforço e de lá, ia direto para as aulas de música, pois participava do projeto Sonorização, iniciativa do Serviço Social do Transporte (Sest). “Quando chegava em casa, já era perguntando pelo almoço. Ele ia correndo para a escola. Era um menino de ouro”.

Como estava de férias, Luiz aproveitou a pouca distância entre sua casa e a praia e foi jogar futebol com os amigos. “Eu nem queria que ele fosse. Não gostava de saber que ele estava se afastando de casa”. Mas, mesmo a contragosto da avó, Luiz Cláudio foi. Depois do jogo de futebol na areia da praia, os meninos decidiram tomar um banho de mar para aliviar o calor. Willame Sousa, 14, conta a história com lágrima nos olhos. Ele foi um dos amigos salvos por Luiz Cláudio na quinta-feira.

"A gente brincava junto. Morava perto e ainda estudava junto. Era como se a gente fosse irmão. Uma diversão grande. E ninguém nunca fazia nada de errado. Mas a correnteza acabou carregando a gente”, diz, soluçando. Willame relata que Luiz Cláudio se desesperou quando viu ele e outro amigo se afogando. “Ele me pegou e levou para uma pedra pra que eu ficasse salvo. Aí correu pra o primo dele, que também tava sendo puxado pelo mar. Conseguiu salvar a gente, mas quando voltou, sentiu uma câimbra e não conseguiu mais nadar. Aí a gente não pôde fazer nada. Foi horrível”.

Disciplinado
No projeto Sonorização, onde aprendia flauta desde o início do ano, Luiz era um dos mais novos. “Eu costumava chamá-lo de rapazinho porque era um dos menores da turma”, relembra Cely Dias, coordenadora do projeto. Ela diz que Luiz era totalmente disciplinado, pontual e um dos integrantes mais envolvidos nas aulas. “Tinha muita atenção e levava o curso bem a sério. Era bastante esforçado”. Pouco depois da conversa, Cely abraça a mãe de Luiz, Joelma de Oliveira, que gritava desesperada com saudades do filho.

“Ele era muito, muito bom pra mim. Me obedecia demais. Não sei porque aconteceu de ele sair sem me avisar. Mas também foi culpa da falta de salva-vidas na praia. Se tivesse alguém olhando as pessoas no mar, meu filho não teria morrido. Mas só têm salva-vidas nas praias dos ricos”, desabafa a mãe. Luiz Cláudio tinha uma irmã de 7 anos. Eles, junto aos primos e aos tios, iriam viajar na quinta-feira para Mulungu, onde sempre iam nas férias. Mas a viagem foi adiada para hoje para que todos pudessem ir juntos. “Pena que a gente mudou a data. Talvez essa tragédia tivesse sido evitada. Mas ele foi um herói”, diz a avó.


CUIDADOS NA PRAIA

> Tomar banho sempre perto de um guarda-vidas;

> Nadar sempre em paralelo à praia, nunca em direção ao mar;

> Entrar no mar até um nível de água na altura da cintura;

> Se comer demais ou beber demais, não tomar banho no mar;

> Perguntar aos guarda-vidas se o local tem pedras para não sofrer acidentes;

> Se for à praia com crianças, ter sempre um responsável bem próximo a elas;

> Colocar uma pulseira com identificação e número de telefone nas crianças para que, no caso de perda, fique mais fácil de encontrá-las;

> Ter muito cuidado com os buracos e valas no mar. Se cair em um deles, nadar na diagonal para sair do local mais profundo. Ficar calmo e pedir socorro se ficar difícil sair do local;

> Não levar material inflável para a praia, pois a pessoa pode se distanciar da beira do mar e a bóia pode furar.

Fonte: Corpo de Bombeiros

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