Fortaleza
IJF
Veneranda mantém salários de médicos e contraria prefeita
O prefeito em exercício, Carlos Veneranda (PDT), assinou, na tarde de sábado, um ato que cria uma folha suplementar para médicos com isonomia. A decisão contraria a determinação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) aprovado na semana passada. Para Waldemir Catanho, a decisão foi ¿irresponsável¿
Ricardo Moura
da Redação
03 Dez 2007 - 01h23min
O prefeito em exercício afirma que procurou informar-se sobre a questão do médicos do Instituto Dr. José Frota (IJF - Centro) logo que assumiu o cargo, mas nada havia sido dito sobre o desconto nos contracheques. Carlos Veneranda disse que só soube do corte na sexta-feira, 30, à noite, durante a assembléia dos médicos, na qual esteve presente.
“Fui pego de surpresa, pois os contracheques vinham com redução de 50%. Convoquei uma reunião de conciliação no sábado e preparamos o ato, que cria uma folha suplementar. Os médicos ficaram cientes de que a prefeita pode revogar o ato quando chegar, mas fiz a minha parte para encerrar a operação acolhimento e manter o funcionamento do IJF. Estou resolvendo isso como prefeito em exercício”, explica. A operação acolhimento foi lançada pelos médicos na sexta-feira. Todos os pacientes que chegavam ao IJF, unidade de alta complexidade, vinham sendo atendidos sem triagem.
O médico Ramos Júnior, integrante do movimento grevista, afirma que o prefeito em exercício fez em poucos dias o que a prefeita não havia feito em meses. “Temos reconhecimento da boa vontade do prefeito. Ele (Carlos Veneranda) assinou um ato reconhecendo a atitude traiçoeira da Prefeitura. A folha de pagamento é rodada até o quinto dia útil do mês. No entanto, já estava rodando com o desconto dois dias depois do PCCS. Fomos enganados, como os vereadores que aprovaram o plano”. Ramos Júnior disse que não ficará admirado se a prefeita Luizianne Lins revogar o ato assim que reassumir o comando da Prefeitura. “O comportamento dessa administração é a busca do confronto”.
O fim da greve dos médicos do IJF foi decretado na última quarta-feira, dia 28, após a aprovação do PCCS da Saúde. O item mais polêmico do plano é a mudança de cálculo para as gratificações. Com a implantação do Valor de Referência para Gratificações (VRG), o salário-base para cálculo passou de R$ 2,6 mil (como ocorre com os médicos com isonomia) para R$ 752, novo valor, de acordo com o PCCS. Os grevistas alegam que o valor de R$ 2,6 mil é o previsto por lei e, caso a Prefeitura não o adote, estará descumprindo a normatização.
Inconstitucional
Após tomar conhecimento do conteúdo do ato pelo O POVO, na tarde de ontem, o procurador-geral do Município, Martônio Mont’Alverne Barreto Lima, afirmou que o documento assinado por Veneranda é “flagrantemente inconstitucional”. “Todos os atos têm de passar pela Procuradoria Geral do Município (PGM), para analisar sua constitucionalidade. Um ato administrativo não envolve matéria legal, porque a criação de despesas só pode ser feita mediante lei. Além disso, ele não tem vigência, nem eficiência, porque não foi publicado no Diário Oficial do Município”.
ENTENDA O CASO
Na última quarta-feira, 28 de novembro, os médicos do IJF decretaram o fim da greve iniciada no dia 12. Eles realizaram uma assembléia anunciando que a aprovação do PCCS da Saúde era uma vitória para a categoria.
As emendas aprovadas pelos vereadores permitirão que todos os médicos do hospital passem a ter gratificação de 40% de insalubridade, recebam reajuste de 80% no próximo ano no salário-base de R$ 1.700,00 dos não plantonistas, e no R$ 2.040,00 dos plantonistas, e de 100% em ambos em 2009. Para os que fizerem a opção pelo PCCS, caberá a Prefeitura de Fortaleza implantá-la para cada optante num prazo máximo de 60 dias.
Mas já na reunião, os médicos do IJF já diziam temer que, com a fixação de um Valor de Referência de Gratificação (VRG), profissionais que têm isonomia garantida pela Justiça tivessem redução de salário. É que as gratificações recairiam sobre o valor de R$ 752,00 e não do salário-base de oito salários mínimos (cerca de R$ 2.600,00) que alguns recebem por força de liminar judicial. No contracheque de novembro, os médicos com isonomia perceberam a redução, segundo eles, entre 50% a 60% do salário. É esse valor que o vice-prefeito está devolvendo à categoria na folha suplementar.
Os médicos alegam que o valor do salário-base deles está sub judice e que a Prefeitura tomou à frente da Justiça, diante da fixação do VRG. Os médicos do IJF com isonomia querem então a manutenção do salário-base no valor de R$ 2.600,00 até que a questão seja julgada. Dos 385 profissionais médicos servidores da administração municipal que têm isonomia, 242 são do quadro do IJF.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar essa notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
- 20:01 Número de imigrantes ilegais nos EUA cai 7% entre 2008 e 2009
- 19:59 Aloísio reforça o Ceará
- 19:43 Cientista social acha que crescimento da classe média depende de reformas estruturais
- 19:17 Marta Suplicy defende candidatura de Ciro ao governo de São Paulo
- 18:55 Morre, aos 47 anos, pastor Alisson Silva
Últimas
- 01:49 Quem grita mais... ganha
- 17:50 'Dilma não é líder, é reflexo de um líder', diz Fernando Henrique
- 12:19 Viatura do Ronda perde o controle e invade restaurante em São Gonçalo do Amarante
- 02:04 Já vai embora?
- 03:04 35 mil famílias cearenses fora do Bolsa Família
- 03:04 "Ou a vice de Cid ou a vaga no Senado", cobra Eunício
Indique essa notícia









