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TENTATIVA DE ASSALTO

Policial assassinado ia para o primeiro dia de trabalho no Ronda

Policial do Ronda do Quarteirão é morto em tentativa de assalto. Ele foi atingido com um tiro na cabeça, ao tentar passar por pedras colocadas na pista

Nicolau Araújo
da Redação

02 Jan 2008 - 00h12min

Desespero na despedida de parentes e amigos do policial morto na última segunda-feira (Foto: Mauri Melo)
Raros eram os policiais que conheciam o companheiro, mas o sentimento entre dezenas de oficiais e praças era um só: indignação. Quanto aos amigos, mais do que uma resposta para tanta violência, o anseio em saber como um jovem aprovado em três concursos e estudante em duas universidades preferiu seguir carreira na Polícia Militar. Para os pais que perderam o único filho, o desespero.

Esse foi o clima na missa de corpo presente do soldado Carlos Henrique de Carvalho Lima, 24 anos, ontem pela manhã, na Caixa Beneficente da Polícia Militar, no bairro Farias Brito. O corpo foi sepultado no cemitério São João Batista (Centro). O policial foi assassinado na tarde da última segunda-feira, no bairro Édson Queiroz, em uma tentativa de assalto. Carlos Henrique, que há duas semanas integrava o programa Ronda do Quarteirão, se dirigia fardado para a sua unidade de trabalho, quando iria executar a sua primeira missão (policiamento nas ruas).

Segundo a Polícia, quando o veículo Gol de propriedade do policial trafegava pela rua Wilson Aguiar, se deparou com algumas pedras na pista. Ao tentar desviar dos obstáculos, o soldado passou a ter o seu carro apedrejado por três homens, que gritaram para ele parar. Segundo ainda a Polícia, como o policial continuou tentando fugir a uma abordagem típica de assaltantes, um dos homens efetuou um disparo que atingiu a cabeça de Carlos Henrique, que morreu na hora.

De acordo com o inquérito policial instaurado no 2º Distrito (Aldeota), o crime foi caracterizado como tentativa de latrocínio (roubo resultado de morte). Segundo a Polícia, os três homens ainda foram até o carro do soldado para roubar pertences da vítima, mas desistiram da ação e fugiram ao perceberem o fardamento da Polícia Militar.

Busca
Um grande cerco foi realizado na área. Varias viaturas e até um helicóptero foram utilizados na buscas dos suspeitos. A única pista encontrada no local do crime foi um boné que pertenceria a um dos assassinos. Testemunhas também passaram a descrever os suspeitos. Dois adolescentes foram apreendidos nas proximidades, mas liberados por falta de provas.

Somente horas depois a Polícia chegou a José Erinaldo Sabino, 20 anos, que já responde na Justiça a processos por homicídio e assaltos. De acordo com a Polícia, o assaltante teria denunciado os dois comparsas. Seriam dois adolescentes, sendo que um deles teria efetuado o disparo contra o soldado do Ronda do Quarteirão. Através do acusado, a Polícia chegou a um outro adolescente de 17 anos, que chegou a prestar depoimento.

O secretário Roberto Monteiro comentou a apreensão do adolescente, durante a missa de corpo presente do policial. Mas o superintendente da Polícia Civil, delegado Luís Carlos Dantas, afirmou ao O POVO que José Erinaldo é o único acusado detido. Ele foi preso em flagrante. "O adolescente chegou a ser ouvido, na condição de testemunha. Pode ser que no decorrer das investigações seja comprovada alguma participação dele", comentou o superintendente.


EMAIS

- Sete meses e oito dias em um presídio foram suficientes para regenerar o homicida e assaltante José Erinaldo Sabino. A garantia é de sua esposa, de 19 anos, que disse que o marido agora trabalha como servente. "Quando não há emprego, ele mata porcos em uma criação aqui mesmo no bairro (Edson Queiroz)", acrescentou.

- Segundo a esposa e vizinhos do acusado, no dia do crime, José Erinaldo teria passado a manhã no Centro. Depois ele teria matado alguns porcos. "Quando os policiais chegaram, ele estava deitado em uma rede, lá mesmo na criação de porcos. Nem sabia o que havia acontecido", comentou um vizinho.

- Para a esposa, alguns policiais mantêm rixa com seu marido e o acusam de qualquer crime que acontece no bairro. O acusado é pai de uma criança, de um outro relacionamento.

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