Fortaleza
ILEGALIDADE
Professores da Uece continuam em greve
As greves das universidades estaduais do Ceará desde 2005 já totalizam quase um ano de paralisação, atrasando calendário acadêmico. Mesmo com a greve sendo considerada ilegal, docentes aprovaram por unanimidade a continuidade do movimento
29 Jan 2008 - 00h06min
Desde 2005, as universidades estaduais - Uece, Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e Universidade Regional do Cariri (Urca) - passam por greves sucessivas. Atualmente, apenas a UVA não está mais em greve. Conforme o presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece), Célio Coutinho, em 2005 houve uma de 111 dias. Em 2006, a greve durou 156 dias e, em 12 novembro de 2007, foi iniciada a greve que prossegue até hoje. Longas, prejudicam toda a comunidade acadêmica - inclusive professores -, atrasando calendário e trazendo impactos no ensino. Um exemplo disso é que o semestre 2007.2 estava previsto para ser concluído em março de 2008. Entre avanços e retrocessos, o impasse nas negociações parece estar longe de ser solucionado.
A decisão judicial - incluindo pagamento de multa diária de R$ 500 pelo Sinduece em caso de continuidade da greve - fez o auditório lotar na manhã de ontem. Cerca de 230 professores estiveram presentes na assembléia, contando com o apoio de vários estudantes. Professores e alunos manifestavam-se em favor da continuidade do movimento, sob aplausos, apitos e estourar de balões. "A categoria decidiu continuar a greve, mas não foi em função de afrontar a justiça. Foi uma posição política dos professores", disse Célio Coutinho. Ele considera "capricho" o governador se negar a negociar com a categoria em greve e não ver a situação de calamidade da universidade.
"O Sinduece tem cento e poucos sócios. Na Uece tem mais de mil professores. Não se pode admitir que menos de 10% da categoria tome uma decisão tão importante como essa. A greve que já vem se arrastando desde novembro e prejudicando o interesse dos alunos", afirmou o juiz Paulo de Tarso. Segundo ele, a decisão é preliminar e cabe recurso. E o Sinduece vai recorrer. "Nós acreditamos que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai reformar essa decisão, restaurando a situação anterior, de legalidade", disse o advogado do Sindicato, Inocêncio Uchoa.
"Consideramos que a greve traz prejuízos. É notório! Mas se não fizermos essas paralisações, a universidade vai parar definitivamente", disse Célio Coutinho, destacando o sucateamento da instituição. Na opinião dele, está em xeque a atitude democrática do governador Cid Gomes. "Ele não pode esperar que os grevistas saiam de greve", disse. Para ele, a presença de 230 professores, número que avalia como marco histórico, e a filiação de 24 docentes durante a assembléia mostra que o Sindicato é representativo. "(A presença da categoria) É uma atitude de reconhecimento do sindicato", destacou.
E-MAIS
Segundo o presidente do Sinduece, Célio Coutinho, a entidade respeita as instituições jurídicas do País, mas a categoria decidiu continuar em greve por decisão política, para preservar o patrimônio tão importante que é a universidade. "Quem desobedeceu a Justiça foi o Cid Gomes, que não paga o piso determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e não implanta imediatamente a política de valorização da universidade", disse.
Conforme assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia (Secitece), a decisão do governador Cid Gomes é negociar apenas após o fim da greve. Ontem, o governador Cid Gomes e o titular da Secitece estavam no Cariri e, por isso, não seria possível entrar em contato com eles.
Uma nova assembléia na Uece está marcada para quarta-feira, às 9 horas da manhã, após manifestação de professores e estudantes na avenida Dedé Brasil, a partir das 7 horas. Uma assembléia geral, envolvendo as três universidades estaduais também está confirmada para depois do Carnaval.
Os docentes da Uece, UVA e Urca reivindicam o Plano de Cargos, Carreiras e Valores, a implantação do piso salarial, que foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal em janeiro de 2007 e o plano de melhorias da infra-estrutura das três universidades, atendendo também a demanda dos estudantes.
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