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IMPLANTAÇÃO

Fórum irá discutir mudanças climáticas

O Ceará dá inicio a implantação do seu Fórum Estadual de Mudanças Climáticas e Biodiversidade. O órgão irá discutir as mudanças climáticas

Rosa Sá
da Redação

29 Fev 2008 - 01h01min

"Nossas chuvas já vêm ocorrendo com variabilidades espacial e temporal bastante significativas. A especulação imobiliária na avenida Beira Mar acabando com a ventilação, reduz em 50% os ventos, causando ilhas de calor na cidade. Aliado a isso, nos corredores pelos quais o vento ainda consegue passagem, após bater nas falésias desarrumadas representadas pelos prédios, aumentam os riscos para a ocorrência de impactos como quedas de árvores e quebra de vidraças, situações que já vem sendo verificadas em Fortaleza". Os exemplos foram citados pela professora Teresinha de Maria Sampaio Xavier, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), para explicar que a capital cearense e o Ceará como um todo sofre com as alterações climáticas. Para ela, está mais do que na hora de todos se conscientizarem para a gravidade causada pela "dessarumação" do clima, uma vez que estamos no semi-árido.

Professora titular da Universidade Federal do Ceará (UFC) e visitante da Universidade de São Paulo (USP), ela integra o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, e ontem à tarde participou como expositora do debate que marcou a instalação do Fórum Cearense de Mudanças Climáticas e Biodiversidade. O evento ocorrido no auditório do Palácio Iracema, foi promovido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado (Secitece), por meio dos Grupos de Trabalho (GTs) de Meio Ambiente e Energia do órgão. Os GTs são órgãos consultivos compostos por pesquisadores de instituições diversas, que assessoram a Secitece nas suas políticas setoriais. O Fórum visa discutir as mudanças climáticas, e ao mesmo tempo preparar o Estado para as alterações no meio ambiente, provenientes das modificações do clima, além de apresentar políticas públicas relativas à questão.

Também expositor do evento, o professor Francisco de Souza (Titico), da pós-graduação em Drenagem e Irrigação da UFC, apresentou o resultado da pesquisa Mudanças Climáticas em Gestão de Recursos Hídricos, realizada entre novembro de 2007 até este mês, na bacia hidrográfica do baixo Jaguaribe. O estudo, patrocinado pelas organizações evangélicas Tearfund, inglesa, e Diaconia, com sede em Recife, Pernambuco, abrangeu nove comunidades e assentamentos distribuídos nos municípios de Fortim, Icapuí, Aracati, Itaiçaba, Jaguaruana, Palhano, Russas, Quixeré e Limoeiro do Norte. Em todos os locais pesquisados, conforme disse o professor, o dado em comum constatado pelos pesquisadores foi o da vulnerabilidade das comunidades por conta da escassez de água, seja em menor ou maior gravidade.

E-MAIS

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, criado pelo decreto nº 3.515, de 20 de junho de 2000, tem por objetivo conscientizar e mobilizar a sociedade para a discussão e tomada de posição sobre os problemas decorrentes da mudança do clima por gases de efeito estufa, bem como sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) definido no Artigo 12 do Protocolo de Quioto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, ratificada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 1, de 3 de fevereiro de 1994.

O Fórum deve auxiliar o governo na incorporação das questões sobre mudanças climáticas nas diversas etapas das políticas públicas. O Fórum consiste numa parceria entre sociedade, Governo, universidade e setor privado. Ele é composto por 12 ministros de Estado, do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e de personalidades e representantes da sociedade, com conhecimento da matéria, ou que sejam agentes com responsabilidade sobre a mudança do clima. O Fórum é presidido pelo presidente da República.

Os estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins já instituíram seus fóruns estaduais de mudanças climáticas.

FONTE: www.forumclima.org.br

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