Fortaleza
LONGEVIDADE
Joaninha: um sorriso de 120 anos
Ela já atravessou os tempos que muitos só conhecem por meio dos livros de história. É memória viva de todo um século que se foi e mais um par de décadas. Este domingo é dia de festa na casa de dona Joaninha, a maranguapense que vem resistindo o avançar dos ponteiros do relógio há exatos 120 anos
Raquel Chaves
da Redação
24 Mai 2008 - 15h50min
Era 25 de maio de 1888 quando dona Maria André da Silva pariu Joana. Apenas 12 dias antes o Brasil ensaiava abolir oficialmente a escravatura. O bebê foi se desenhando criança e começou a ver nas bonecas as maiores aliadas. "Eu gostava demais de brincar com aqueles bebezim. Era tudo diferente. As criaturas brincavam junto comigo. Cantava todo mundo junto, fazia roda". O restante da diversão era ocupado com carreiras nos becos, "uns atrás dos outros".
Explicada a infância, dona Joana cai na gargalhada. E assim se segue a conversa animada, entrecortada por sorrisos cheios de barulhos. Na platéia que se junta ao pé da mureta, a vizinhança que está sempre por perto da centenária, e os descendentes que não param de chegar. Vão participando da prosa e refrescando a memória de uma das cidadãs mais conhecidas do lugar.
- Dona Joaninha, de que tanto a senhora ri?
- (Nova gargalhada) Ah, minha fiazinha, eu acho bom demais achar graça!
E é achando graça e sem segredos que dona Joana vai atravessando o tempo. "Como de tudo, mas adoro mesmo é feijão. Nada me faz mal". A família vai confirmando o discurso. "Nunca fui a médico. O que tenho é só ás vezes uma dor de cabeça". As dores nas pernas a incomodam, mas não a impedem de se levantar ou dar alguns passos sem pedir arrego. Nunca um osso foi quebrado ou uma cirurgia foi feita. "Graças a Deus, minha fiazinha". E por que a senhora acha que está conseguindo viver tanto, dona Joana? "É só porque Deus quer. Quando Ele não quiser mais Ele vem e 'puf!', me leva". De novo, o sorriso fica sonoro.
Na casinha de muro alaranjado da rua Maria Efigênia de Campos Teles, outras cinco pessoas ouvem vez ou outra dona Joaninha cantar. Moram com ela uma neta e o esposo e mais três filhos do casal - um deles está em vias de ampliar a família. Enquanto a prosa e a sessão de fotos vai se encerrando, Joaninha apresenta a platéia: "Isso aí tudim é netim. Adoro meus netim. Esse é o Samuel, essa aqui é a Sara, tem a Ariana, o José, o Antônio...", diverte-se um dos sorrisos mais idosos do mundo. Logo ali, em uma Maranguape orgulhosa de sua Joana de 43.800 dias.
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CONTEÚDO EXTRA
Para ouvir e ver o cantarolar e as gargalhadas alegres de dona Joaninha, acesse www.opovo.com.br/conteudoextra.
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