Fortaleza
Raridade
O mundo silencioso de Maria Aldenete
O curioso caso de Maria Aldenete. Aos 29 anos, ela envelhece em um corpo de bebê. Tem altura, peso e sentimentos de uma criança de oito meses. Vive em um mundo silencioso, decifrado por dona Dôra, que aprendeu a ler olhares e abraços
Ana Mary C. Cavalcante
da Redação
18 Jun 2009 - 23h44min
O mundo ficou pra trás. Esse de crise mundial, de vôo 447, de Copa 2014. Desde que nasceu, há 29 anos, Maria Aldenete vive uma infância. A pesagem, em um programa de TV, deu-lhe nove quilos. “O dente é de leite. O cabelo é o mesmo que ela nasceu. Tudo ainda é de nascença”, mostra Francisca dos Santos (dona Dôra), 45, a mãe que adotou Aldenete e nove filhos do viúvo Raimundo Nonato (seu Mundico), 63. Aldenete não passou dos 74 centímetros. “Toda vida foi desse tamanho. Aliás, tá é diminuindo porque, quando a gente vai ficando velha, diminiu, né?”, entende dona Dôra. Também não passou aquela porteira. Envelhece nos braços de dona Dôra, em um corpo de bebê, numa casa de taipa de Muquém, cafundós de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Maria Aldenete viveu, até aquele dia da visita de Raimundinha, em um mundo à parte. De tudo. Ora sentada numa pedra na entrada da casa, ora deitada perto da porta, ora debulhando feijão. Apartou-se, principalmente, quando a mãe biológica morreu de câncer, há 13 anos. Foi quando arranjaram dona Dôra para seu Mundico: “Seu Doca (um amigo) me perguntou se eu não queira fazer uma caridade, terminar de criar os filhos dele. Com a finada, ele teve 16 filhos”.
Vingaram dez, pela persistência de dona Dôra. “Minha missão é essa. Tenho certeza de que Deus me trouxe até aqui pra ficar cuidando dessa inocente. Quando cheguei, a bichinha parecia uma porquinha... Você sabe que, perdeu a mãe, perdeu tudo”, redime-se. É dona Dôra quem decifra o mundo silencioso de Maria Aldenete. “Passo o dia perguntando: você quer água? minha fia, quer comer? quer fazer xixi?”. A resposta é um olhar, um sorriso, um abraço. “Ela é tão carinhosa! Gosta muito de beijo!”, corresponde dona Dôra. Aldenete, em sua infância permanente, é mais do que uma filha que a agricultura não pariu. “É a minha boneca, a princesa da casa!”.
Até aquele dia da visita de Raimundinha foi simples assim. Era só isso. Mas Raimunda Ferreira, que vende churrasquinho no Tabapuá e tem um marido com nome de presidente, Juscelino, trouxe a televisão. Foi por acaso que o mundo-do-lado-de-lá-do-asfalto soube da “mulher-bebê”. “Veio um homem chamado Farias”, conta dona Dôra, “falar com o vizinho. Mas ele não tava”. Seu Farias bateu ali e dona Dôra, como de costume, fez amizade. “Da outra vez, ele trouxe dona Raimundinha. Ela ficou com muita pena da situação da gente e ficou de trazer uma reportagem aqui”. Era novembro de 2008.
Foi quando o mundo-do-lado-de-lá-do-asfalto chegou mais perto. Com as reportagens, vieram um sofá rasgado, uma cama bamba, um fogão e uma geladeira usados, uma cadeira para Aldenete, a televisão. “Valha, nem tava me lembrando que ia ter Brasil na televisão”, espanta-se uma das moças da casa, quando o motorista da Record (sim, já havia mais uma reportagem naquela manhã) pediu para ver o jogo Brasil X EUA.
Tratamento
Somente há pouco é que a família de agricultores vai sabendo do mundo-do-lado-de-lá-do-asfalto. “Vim saber agora (sobre a doença de Maria Aldenete), naquele dia da reportagem, que passou aquele doutor. Ele falou que ela tinha tareoide, tirioide”, tateia dona Dôra. Ela afirma que o agente de saúde passou por ali há dois anos. Na televisão, prometeram tratamento para ver se Aldenete anda ou fala. O apresentador fez até um bolo de aniversário para Aldenete, no 7 de maio. Dona Dôra trouxe os balões-rosa de lembrança. Mas já murcham, na sala.
Aldenete não fez exame, e o doutor da televisão sumiu. Quando as reportagens vão embora, dona Dôra fica com sua carga. “O inverno foi tão pesado...”, mostra as goteiras. Quase a casa de taipa não podia com ele. “E tem aparecido tanta barata e lacraia. Hoje, tirei uma pá de barata daqui”. Graças a Deus, dona Dôra agradece, Maria Aldenete ficou boa da gripe. Agora, é só não descuidar do remédio para o intestino. É a medicação que ela toma, Guttlase. Assim, vai vivendo há 29 anos. Os vizinhos cochicham desesperanças: a moça não anda mais e nem cresce. Dona Dôra nem faz questão. “Tenho medo dela se perder nos mato”. Para dona Dôra, bastava que Maria Aldenete saísse do silêncio. “A coisa que eu tinha a maior vontade é que ela falasse assim pra mim: ‘Mamãe, eu quero comer, quero dormir, quero tomar banho...’”.
E-MAIS
> Para um diagnóstico preciso da doença de Maria Aldenete, são necessários exames - envolvendo endocrinologistas, geneticistas, neurologistas, por exemplo -, orienta o neuropediatra Lucivan Miranda.
> Uma das hipóteses sobre o problema, lançada por um endocrinologista, em um programa de televisão, é se tratar de hipotireoidismo congênito. A falta de produção hormonal pela tireoide afeta o desenvolvimento.
> O Teste do Pezinho é fundamental para diagnosticar a doença. E o tratamento deve ser feito o mais cedo possível: na idade adulta, as lesões são irreversíveis, alerta o médico.
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29/06/2009
21:24
tudo no mundo e mandado por deus se eu pudesse daria um pedaço de , mim para ajudala mas nao esta ao meu alcanse so nas maos de nosso pai vc ebebe , criança,mulher e o mas inportante filha de deus todo poderoso gostaria muito de conhecela
Maria
29/06/2009
13:45
Gostaria de saber se tem algum endereço para que eu possa mandar ajudar a familia de Aldenete ??Pelo que sei ela vai precisar de medicamento ??? Se tivesse o nome do remédio poderia estar enviando tb?? Espero que pelo menos tenha um pouco mais saude para passar sua vida!!!!!
Izabel Pinheiro
28/06/2009
20:36
oiii...nossa fiquei mto encantada cm a Aldenete...ela e uma gracinha...uma fofa!!!...desejo pra ela..tdo de bom...e que esse tratamento faça ela ser uma pessoa feliz...adorei ela...bjão!!
Nilcéia
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