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Descaso

Maria Aldente, a esquecida em Muquém

Ninguém sabia de Maria Aldenete antes? A pergunta atravessa, pelo menos, sete gestões municipais. A jovem que vive uma infância há 29 anos não recebeu tratamento de saúde a tempo. Antes dela aparecer na televisão, ninguém percebeu Maria Aldenete

Ana Mary C. Cavalcante
da Redação

20 Jun 2009 - 00h09min

Na casa de taipa em Muquém, a família de Maria Aldenete é uma das poucas a viver na localidade(Foto: TALITA ROCHA)
Maria Aldenete viveu 29 anos sem bem existir. Ficou ali, sorrindo quieta, na sua infância sem fim. Ora sentada na pedra da entrada da casa, ora deitada perto da porta, ora debulhando feijão. Não fosse o espanto de dona Raimunda, amiga de seu Farias, que conheceu dona Dôra por acaso, capaz de ninguém dar notícias de Aldenete neste mundo.

Raimunda Ferreira, é bom que se esclareça, espantou-se não com a jovem que envelhecia em um corpo de bebê. Espantou-se foi com a cegueira do poder público. Ninguém havia percebido Maria Aldenete, 29 anos, 92 centímetros, nove quilos. Ela mora com o pai viúvo, Raimundo Nonato (seu Mundico), 63, e a mãe que a adotou, Francisca dos Santos (dona Dôra), 45, num desses cantos esquecidos do Brasil.

Mas a vendedora de churrasquinho foi até Muquém, sertão de Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza), e espalhou a notícia do lado de lá do asfalto. A Prefeitura de Caucaia “tomou conhecimento a partir do momento em que uma pessoa que cuida dela, indiretamente, dona Raimunda, nos procurou”. Isso, há cerca de quatro meses, “antes da mídia”.

As informações sobre o curioso caso de Maria Aldenete são da assessoria de imprensa do prefeito atual, Washington Góis (empossado em janeiro deste ano), em entrevista por telefone celular. A Prefeitura reconhece não ter suporte para o tratamento adequado a Maria Aldenete. O que fez foi disponibilizar um carro para transportar a jovem até a Capital “na medida em que eles necessitam. Não é uma coisa diária, constante. Quando eles (pais) precisam, ligam”.

A assessoria de imprensa não soube precisar onde Aldenete estaria recebendo tratamento médico: “Temos um motorista que leva ela para Fortaleza e não nos diz detalhes”. O posto de saúde mais próximo fica entre três e quatro quilômetros da casa de taipa de seu Mundico e dona Dôra, na serra da Tucunduba, aponta a Prefeitura de Caucaia.

O município tem 302 agentes de saúde e, ainda de acordo com a assessoria, “ao longo dos anos, ela (Aldenete) vem sendo acompanhada por um agente de saúde da serra Malhada”. As informações são imprecisas: segundo a assessoria de imprensa, Aldenete teria uma problema na tireoide já diagnosticado, “há vários anos, pelos hospitais por onde passava”, como um caso sem jeito.

A expectativa, agora, é a chegada do apresentador Ratinho (SBT) a Caucaia, prepara-se a prefeitura. É que ele anunciou, em seu programa desta semana, a construção de uma casa para dona Dôra ter onde colocar as coisas novas que ganhou. “Já tem um engenheiro”, adianta a assessoria de imprensa da Prefeitura de Caucaia. “E vem também uma equipe do Guinness Book”, completa. A família quer ficar onde se acostumou. Aldenete, alheia ao mundo depois da porteira, deve permanecer ali, sorrindo quieta, em sua infância sem fim.

E-MAIS

>O Ministério Público de Caucaia passa a acompanhar o caso da jovem Maria Aldenete. O promotor de Justiça de Caucaia, Ricardo Rocha, programa uma visita à casa de seu Mundico e dona Dôra para conferir as informações dadas pela prefeitura local.

>“Podemos checar isso a partir da próxima semana para ver se, de fato, está ocorrendo”, diz. “Cabe, ao Ministério Público, checar essas informações”, enfatiza. Para o promotor, o tempo em que a família de agricultores ficou esquecida já revela “um descaso do poder público”.

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20/06/2009
13:31

Lá vem o Ministério Público, depois de 29 anos ele estava lá, calado em tomara conhecimento, acenderam-se os holofotes, pronto, agora o caso é com eles!!!!! Eita povo para gostar de um espaço na mídia.

Rui

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