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cinema

O doce e o azedo da Rainha

A história da jovem austríaca que se tornou Rainha da França é retratada em Maria Antonieta, o mais novo filme de Sofia Coppola que depois dos aclamados Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros frustrou parte da crítica e público

Igor Vieira
Especial para O POVO

04 Mai 2007 - 01h37min

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MARIA ANTONIETA, de Sofia Coppola, possui trilha sonora bem contemporânea/ FOTO DIVULGAÇÃO
A história da jovem austríaca que se tornou Rainha da França é retratada em Maria Antonieta, o mais novo filme de Sofia Coppola que depois dos aclamados Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros frustrou parte da crítica e público. O filme começa quando a garota de 14 anos (e Kirsten Dunst consegue mesmo convencer como uma adolescente) é levada à França para casar-se com Luís XVI, futuro Rei daquele país.

Desacostumada à pompa e aos protocolos da corte francesa, Antonieta não se encaixa à sua nova realidade. Aqui, Coppola faz sua crítica comportamental com humor afiado sem utilizar nada mais que palavras. Aqui, o roteiro basta. Vítima de preconceitos pela origem estrangeira e culpada pela não consumação do matrimônio depois de cinco anos, a Delfina cria o seu próprio universo onde vestidos elegantes, penteados da moda, prazeres gastronômicos e grandes festas nunca são o suficiente.

Coroada Rainha e com o país indo à bancarrota, seus luxos passam a gerar oposições em toda a comunidade francesa. Corajosamente, a diretora assume o subjetivismo de sua câmera e assume como boatos a famosa indiferença da Rainha eternizada em frases como "se não têm pão que comam brioche". O que aqueles que criticaram o filme não entenderam foi justamente essa subjetividade do filme. Ao invés de traçar um retrato histórico do período, Coppola optou por uma crônica sobre a figura mítica de Maria Antonieta (não é à toa que a personagem participa de quase todas as seqüências e a câmera está sempre muito próxima).

Dessa decisão, surgiram outros comentários a respeito da trilha sonora contemporânea e da presença de um par de tênis all star entre as centenas de calçados presentes em cena. Escolha que vem mais uma vez corroborar com sua tese de aproximar sua personagem-título à rebeldia de qualquer jovem que é obrigada a ingressar na vida adulta subitamente e precisa se ajustar a códigos que considera, e muitas vezes o são, desnecessários e obsoletos.


Igor Vieira, 21, é estudante de Comunicação Social

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