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Opinião

EDITORIAL

Delimitando campos

Papa publica documento que reafirma a Igreja Católica como a única detentora da plenitude da Revelação


14 Jul 2007 - 02h31min

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Depois de ter lançado, no último dia 7, o Motu Proprio que libera a celebração da missa segundo o ritual tridentino, e em Latim, com vistas a provocar uma maior unidade interna entre os católicos, o papa Bento XVI dá outro passo nessa mesma direção, publicando na última terça feira, o documento Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja, onde reafirma a posição tradicional de que a Igreja Católica é a única a deter a integralidade dos meios de salvação´´.

Esse esclarecimento sana outro contencioso com os segmentos tradicionalistas católicos que faziam da reforma litúrgica e de algumas interpretações mais ousadas das declarações do Concílio Vaticano II sobre a Igreja um ''cavalo de batalha´´. Assim, segundo o documento, para uma comunidade de crentes ser considerada uma Igreja cristã verdadeira é preciso que se organize em torno da Eucaristia, do sacerdócio e da sucessão apostólica, enfim, dos sete sacramentos. Os ortodoxos podem ser chamados de Igreja porque têm esses elementos, mas, mesmo assim sua igreja ainda é deficiente por lhe faltar o reconhecimento do primado do Bispo de Roma sobre a Igreja universal, como sucessor de Pedro. Já as denominações protestantes, segundo o documento, podem apenas ser chamadas de comunidades eclesiais, visto que lhes faltam a maior parte desses elementos.

Pode-se discordar desse posicionamento da Igreja Católica, no entanto, há de se reconhecer o seu direito de considerar que assim preserva sua identidade. O que há de positivo nisso é que as posições são claras, delimitando os campos. O papa Bento XVI (ratificando a doutrina tradicional) tem dado a entender que o diálogo ecumênico (isto é, dentro do campo cristão) e o interreligioso (isto é, com as religiões não-cristãs) só pode render frutos consistentes se cada lado se apresentar tal como é, sem camuflagens.

No caso do diálogo entre as diversas expressões cristãs, por exemplo, o papa João Paulo II (apoiado inclusive pelo próprio cardeal Joseph Ratzinger) deu uma demonstração concreta de como se poderia avançar. Embora sem abrir mão da jurisdição universal do papa sobre a Igreja, ele convidou as demais denominações cristãs a discutir, em conjunto com a Igreja Católica, a forma como esse primado deve ser exercido na atualidade. O que não deixa de ser uma manifestação de flexibilidade.

Para evitar algumas dubiedades, Bento XVI abriu mão do título de Patriarca do Ocidente, comumente apontado pelos patriarcas ortodoxos como uma prova de que ele era apenas o Chefe de uma Igreja particular, a Romana, tendo direito tão somente a uma ''primazia de honra´´ (primus inter pares) entre iguais.

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