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Opinião

ARTIGO

Carência de programadores

O problema central da formação para captação de investimentos está na escassez de bons programadores que, de preferência, sejam bilíngües

Fernando Carvalho
18 Mar 2008 - 00h38min

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A sofisticada cadeia de especializações necessárias à engenharia o software envolve formação de recursos humanos em todos os níveis, do ensino médio profissionalizante à pós-graduação stricto sensu. Em todos os países percebe-se crescente carência de programadores.

Da América do Norte e Europa Ocidental há muito existem fortes correntes emigratórias, não de pessoas, mas de serviços ligados às Tecnologias da Informação e Comunicação - principalmente em atividades ligadas à programação de computadores. É a terceirização "offshore".

Alguns países em vias de desenvolvimento estão recebendo investimentos externos maciços, notadamente, Índia, China, entre outros.

A Índia, contando com a vantagem da língua inglesa e com o notável número de doutores e especialistas em Computação, Telecomunicações e áreas afins, estima receber US$ 20 bilhões este ano. O Brasil é iniciante nesse jogo. Contudo, com o aumento dos custos na Índia, já aparecemos nas estimativas como um dos cinco maiores destinatários de investimentos "offshore" em 2014.

As expectativas se concretizarão, se nos preocuparmos agora com a formação de mão-de-obra especializada e infra-estrutura, oferecendo às empresas locais condições de competir no fornecimento de serviços inovadores de classe mundial. Além disso, o incentivo à instalação de empresas nacionais e estrangeiras de base tecnológica é fator determinante para a longevidade do investimento.

São Paulo, Paraná e Pernambuco já se movimentam para captar maior parte dos investimentos. Campinas, Curitiba e Recife saíram na frente com incentivos fiscais, e gigantes empresas mundiais do setor já se instalaram por lá. Não por coincidência, esses Estados foram os que mais fomentaram seus programas de pós-graduação nos anos 90.

Empreendedores pernambucanos já procuram programadores nos estados vizinhos, Ceará incluído.

O Ceará também pode tomar parte na captação. Temos hoje no Estado pelo menos quatro programas acadêmicos de qualidade que formam mestres, na Uece, Cefet, Unifor e UFC. Na UFC, dois cursos já formam doutores na área. Num primeiro momento é necessário consolidar esses cursos, depois expandi-los, criando mais vagas, em Fortaleza e no interior, nomeadamente Quixadá, Sobral, e Juazeiro, onde já existem cursos de graduação.

O problema central da formação para captação de investimentos está na escassez de bons programadores que, de preferência, sejam bilíngües.

Estima-se que entram no mercado cearense mais de 200 bons programadores e analistas por ano, todos são absorvidos. Mas a demanda do "offshore" é da ordem de milhares de profissionais. Uma saída está no ensino profissionalizante. Existe uma massa de estudantes que fica represada na entrada da universidade. Conclusão do ensino médio não é garantia de emprego digno.

O ensino Profissionalizante em Programação de Computadores deve dar ênfase em paradigmas de linguagens de programação e expor os alunos a uma língua estrangeira e se destina aos que cursam ou já concluíram o ensino médio. O desafio é reunir e motivar jovens, egressos da escola pública, com vocação para o métier.

Fernando Carvalho - Presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Estado do Ceará (Etice)

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