Opinião
Artigo
Política para a irrigação
João Teixeira
02 Dez 2008 - 01h10min
O Brasil não tem até hoje uma política federal de agricultura irrigada - é um pleito nosso, de algum tempo. Vemos muitas vezes política de obras, de infra-estrutura, mas não temos uma política específica para esta área. É o maior gargalo. Os projetos públicos de irrigação passam por dificuldade pela falta de uma política.
Com pouco dinheiro para a gestão ou para manutenção de um projeto é possível gerar muito emprego, renda e alimentos. Mas acham que dinheiro para gestão e para manutenção é dinheiro perdido.
Devemos sensibilizar o governo federal para investir na recuperação desses projetos que consideramos sucateados. Mas também para dar apoio continuado à gestão, à capacitação, assistência técnica, associativismo, crédito no momento certo, os pilares de uma política pública para agricultura irrigada. O Ministério de Integração investiu na elaboração de um diagnóstico das necessidades de 16 pequenos projetos, projetos antigos dos anos 60 e 70 de pequenos produtores ou agricultura familiar. Merecem toda atenção, pois o investimento é diminuto.
Estamos numa região do semi-árido onde as melhores oportunidades de negócio no campo estão na agricultura irrigada. O governo terá que intensificar cada vez mais a sua política nesta área, com ênfase no apoio ao pequeno e médio produtor. A infra-estrutura evoluiu mas merece atenção nos projetos antigos que se encontram deteriorados.
No Ceará os perímetros Icó, Lima Campos, Morada Nova e os menores como Várzea do Boi, Forquilha, Paraipaba e outros necessitam de algum tipo de modernização. A grande maioria é de pequenos produtores e até de agricultura familiar. Os projetos mais modernos - Jaguaribe Apodi, Tabuleiros de Russas e Baixo Acaraú -, são de um nível tecnológico mais avançado, onde o pequeno ainda enfrenta muita dificuldade. Como a região é pobre, o governo teria que ter uma atenção toda especial com relação aos gargalos existentes. A integração do pequeno irrigante nesse modelo de desenvolvimento requer atenção especial.
Nesse momento, o Ministério da Integração Nacional, com o apoio de todos os políticos da Região, deverá sensibilizar o ministro do Planejamento, a Presidência da República, a investir pesadamente na recuperação desses projetos no Ceará e no Nordeste. A agricultura irrigada é de capital intensivo, precisa de investimento, de capital de giro, conhecer as técnicas de produção e o mercado. Muitas vezes a grande maioria dos pequenos produtores sente grande dificuldade para alcançar êxito, por trabalhar isolada, não participar de uma associação ou cooperativa.
Como ele não tem escala, o conhecimento tecnológico é muito primário e não alcança o mercado com facilidade, morre na primeira dificuldade. Para que ele tenha uma participação cada vez maior, o papel do governo é fundamental. Se resolvermos boa parte desses gargalos, conseguiremos dar uma oportunidade maior para o pequeno produtor se inserir nesse novo modelo de desenvolvimento.
João Teixeira - Presidente da Associação dos Produtores do Vale do Jaguaribe (Amuvale)
frutacorjtj@terra.com.br
Com pouco dinheiro para a gestão ou para manutenção de um projeto é possível gerar muito emprego, renda e alimentos. Mas acham que dinheiro para gestão e para manutenção é dinheiro perdido.
Devemos sensibilizar o governo federal para investir na recuperação desses projetos que consideramos sucateados. Mas também para dar apoio continuado à gestão, à capacitação, assistência técnica, associativismo, crédito no momento certo, os pilares de uma política pública para agricultura irrigada. O Ministério de Integração investiu na elaboração de um diagnóstico das necessidades de 16 pequenos projetos, projetos antigos dos anos 60 e 70 de pequenos produtores ou agricultura familiar. Merecem toda atenção, pois o investimento é diminuto.
Estamos numa região do semi-árido onde as melhores oportunidades de negócio no campo estão na agricultura irrigada. O governo terá que intensificar cada vez mais a sua política nesta área, com ênfase no apoio ao pequeno e médio produtor. A infra-estrutura evoluiu mas merece atenção nos projetos antigos que se encontram deteriorados.
No Ceará os perímetros Icó, Lima Campos, Morada Nova e os menores como Várzea do Boi, Forquilha, Paraipaba e outros necessitam de algum tipo de modernização. A grande maioria é de pequenos produtores e até de agricultura familiar. Os projetos mais modernos - Jaguaribe Apodi, Tabuleiros de Russas e Baixo Acaraú -, são de um nível tecnológico mais avançado, onde o pequeno ainda enfrenta muita dificuldade. Como a região é pobre, o governo teria que ter uma atenção toda especial com relação aos gargalos existentes. A integração do pequeno irrigante nesse modelo de desenvolvimento requer atenção especial.
Nesse momento, o Ministério da Integração Nacional, com o apoio de todos os políticos da Região, deverá sensibilizar o ministro do Planejamento, a Presidência da República, a investir pesadamente na recuperação desses projetos no Ceará e no Nordeste. A agricultura irrigada é de capital intensivo, precisa de investimento, de capital de giro, conhecer as técnicas de produção e o mercado. Muitas vezes a grande maioria dos pequenos produtores sente grande dificuldade para alcançar êxito, por trabalhar isolada, não participar de uma associação ou cooperativa.
Como ele não tem escala, o conhecimento tecnológico é muito primário e não alcança o mercado com facilidade, morre na primeira dificuldade. Para que ele tenha uma participação cada vez maior, o papel do governo é fundamental. Se resolvermos boa parte desses gargalos, conseguiremos dar uma oportunidade maior para o pequeno produtor se inserir nesse novo modelo de desenvolvimento.
João Teixeira - Presidente da Associação dos Produtores do Vale do Jaguaribe (Amuvale)
frutacorjtj@terra.com.br
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