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Superação
"O limite está onde nossa cabeça impõe"
Campeão olímpico e mundial aos 22 anos, César Cielo tem certeza que chegará às Olimpíadas do Rio de Janeiro no auge da carreira. Mas deixa claro que a meta, agora, é repetir os resultados nos Jogos de Londres, em 2012
09 Nov 2009 - 01h18min
Cielo, em italiano, é céu. O nome não poderia ser mais apropriado. No dia 31 de julho, os feitos do brasileiro fizeram até o principal jornal de esportes da Itália, a Gazzetta Dello Sport, render-se ao nadador mais veloz do mundo. O periódico cravou: ``Santo Cielo``. Um dia antes, César Cielo Filho conquistara o título mundial dos 50 metros livres, a prova mais rápida da natação, repetindo o feito conseguido em Pequim.
Mas vencer os 50 em Roma era quase -barbada- para Cielo. Três dias antes, a final dos 100 metros era o principal desafio. Ao lado dele, o campeão olímpico Alain Bernard apontava como favorito na prova, considerada a ``mais charmosa`` da natação. E Cielo não só venceu. Bateu o recorde mundial com o tempo de 46s91. De presente, ganhou aplausos ritmados da torcida italiana durante a execução do hino brasileiro. E, claro, chorou no pódio.
Campeão de popularidade no Mundial de Roma, César Cielo ganhou elogios até do multicampeão Michael Phelps. ``Ele é incrível. Eu não teria a menor chance de vencê-lo com esse tempo``, elogiou o norte-americano.
Um ouro olímpico e dois títulos mundiais fazem de César Cielo o principal nadador do Brasil em todos os tempos. Mas ele desconversa ao falar sobre o assunto. Em entrevista ao O POVO por telefone, Cielo prefere afirmar que ainda tem muito a melhorar e manda um recado a quem pensa que irá pendurar o maiô nas Olimpíadas do Rio de Janeiro: ``Me questiono é em relação a 2020``. Em 2016, ele tem certeza que chegará no auge da carreira. Que bom pra nós!
O POVO & Em 2016, nos Jogos do Rio, você terá 29 anos. Como você se imagina nessa Olimpíada. Dá pra chegar no auge mesmo com essa idade?
César Cielo & Olha, eu não sei a barreira, na verdade, que os brasileiros estão criando com relação a isso. Acho que falta um pouquinho mais de conhecimento da natação pelo brasileiro. Sobre resultados, de puxar um histórico dos velocistas. Tivemos velocistas que ganharam olimpíada com 31, 32 anos. Então, acho que o auge na carreira de uma atleta está entre 25 e 26 anos. Imagino que em Londres eu esteja no auge de força para adquirir meus melhores resultados, e acredito que conseguirei pelo menos manter isso até 2016. Já vi muita gente baixar o tempo com uma idade mais avançada. Então, não tenho dúvida em relação à minha participação em 2016. Tenho sim uma tranquilidade muito grande. Eu me questiono é em relação a 2020.
OP & Então você já pensa mais além do que na Rio 2016...
Cielo & É. Em relação a 2020 não posso ter certeza. Mas enquanto eu estiver competitivo, enquanto eu sentir que tenho condições de ganhar, eu não penso em parar da nadar. Seja 2020, 2024, ou 2016. Enquanto eu achar que posso ganhar vou treinar e dar meu máximo. Mas a hora que eu achar que a coisa está começando a cair, aí vou ver o que vai ser melhor para a equipe, para o Brasil. Seja nadando só os revezamentos e ajudando o pessoal, seja fazendo parte da comissão técnica. Tudo depende de como as coisas forem se desenrolando com o tempo e dependendo dos resultados...
OP & César, você estava em Copenhague (Dinamarca) na escolha do Rio para ser sede das Olimpíadas. Como foram aqueles momentos que antecederam o anúncio?
Cielo & Para gente que já tem uma experiência de grandes eventos, como final olímpica e final de mundial, não é tão difícil assim segurar. Nosso trabalho é ajudar o Brasil com resultados. Mas para quem fez o projeto e as apresentações acho que a ansiedade foi um pouquinho maior que a nossa. Antes de o presidente do COI abrir o envelope estavam todos arrancando um pedaço da cadeira lá. Depois foi uma explosão de alegria.
OP & Temos uma série de exemplos de ídolos pontuais que passam, como Guga, por exemplo, e o esporte fica sem renovação. Não vem apoio e não aparecem novos ídolos. Você acha que a escolha do Rio é o momento de dar aquele salto para os esportes amadores?
Cielo & Olha, acho que é preciso aproveitar o momento. Mas não podemos traçar 2016 como meta, não. Temos 2012 bem aí. São três anos para trabalhar até Londres, um tempo relativamente grande para buscarmos novos talentos e novos nomes para todos os esportes. Então, acho que precisamos focar em 2012 e deixar 2016 para os dirigentes estarem ajudando já a molecadinha. Mas nós, como atletas, temos que focar em 2012. Vai ser o primeiro passo para chegarmos em 2016 com tudo.
OP & César, diferente de outros atletas, você escolheu treinar nos Estados Unidos. Essa opção foi determinante para sua carreira?
Cielo & Sim, claro. Alguns passos que o atleta dá na carreira são fundamentais. A gente nunca vai saber o que aconteceria se eu tivesse ficado no Brasil. É difícil eu falar se seria um campeão olímpico ou não. Mas graças a Deus eu dei um passo que deu certo e me proporcionou tudo que eu queria. Então, pessoalmente falando, diria que foi um sucesso. Mas também não é assim com todo mundo, tem a questão da adaptação a um país estranho e de você acreditar naquilo que está fazendo.
OP & Mas qual é a real mudança em treinar aqui ou nos EUA?
Cielo & Na verdade, a estrutura é incomparável. Os técnicos do Brasil são muito bons também, comparam-se a qualquer país do Mundo. Mas, infelizmente, a dificuldade em se conseguir as coisas aqui é que acaba atrapalhando. Às vezes, até uma coisa simples, de a gente precisar esfriar uma piscina para ter água fria para treinar. Porque quando a gente está treinando força, não consegue fazer força no calor. Até chegar ao ponto de pedir para esfriar uma piscina parece um absurdo, e demora três ou quatro dias para acontecer. Aí, a gente tem que ficar dividindo raia com três, quatro atletas. E lá nos Estados Unidos a facilidade que temos com material, com estrutura, é muito maior do que aqui. A gente quer um suplemento, arruma rapidinho. O atleta é sempre prioridade. Aqui ainda temos bastante dificuldade em pedir as coisas...
OP & Quando você fala da falta de apoio, quem é o principal responsável? É a confederação? Você não teve apoio no começo da carreira?
Cielo & Olha, acho que se fomos parar para pensar, conseguimos evoluir do Mundial de 2007 para agora. Naquele ano, não conseguimos nenhuma medalha. O Pan não serve como base de comparação para nada. Então, se a gente comparar o Mundial de 2007 com a Olimpíada e com o Mundial de 2009, tivemos uma evolução muito grande. Mas não é que, assim, apareceram grandes talentos nesse último ano. Na verdade, o que estava precisando era de um planejamento melhor e que foi feito nesta temporada. A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) ouviu a gente, correu atrás das coisas e deu mais oportunidade para os atletas conseguirem medalhas. É claro que houve alguns errinhos ainda, mas já foi um bom início de ciclo olímpico para a gente chegar em 2012 com a melhor preparação possível.
OP & Você falou do Mundial 2007, quando ainda era uma promessa. Depois, vieram os títulos em Pequim e Roma. Como em dois anos você passou de uma promessa para o melhor nadador do Mundo em provas de velocidade?
Cielo & Na verdade, eu era uma promessa porque não tinha ganho nenhuma medalha em competições desse porte. Mas naquele mundial de Melbourne (Austrália) eu fiquei em quarto, apenas três centésimos atrás... Então, eu não era um nadador que não havia ganho nada para ser um campeão olímpico. Eu consegui um quarto lugar (nos 100m) que liderei até os últimos metros. E passei de sexto para o primeiro nos 50m. Eu não era um atleta que nunca havia pego nem semifinal e foi primeiro. Quem vinha acompanhando minha carreira sabia que eu ganharia esse tempo, pela minha idade e pela evolução que vinha tendo. Isso me deu uma confiança muito grande e, a partir de agora, sinto que mesmo sendo mais jovem tenho uma força muito grande entre os velocistas.
OP & Em Pequim, você foi ouro nos 50m e bronze nos 100m. Em um ano, evoluiu muito nos 100m e bateu o recorde mundial em Roma. Você focou esse último ano nos 100 mesmo?
Cielo & Não. Na verdade, eu treino as duas provas da mesma forma. Em nenhum momento eu foco só nos 50m ou só nos 100m. Normalmente eu treino as duas provas e a motivação é estar sempre bem nas duas. O que mudou um pouco, realmente, é a confiança na competição. Em Roma, eu estava até mais preparado para os 50m.
OP & Como você planejou sua carreira antes do ouro em Pequim. A sua meta era mesmo chegar ao auge naquela olimpíada? Ou esperava um pouco mais pra frente?
Cielo & Olha, para falar a verdade, em 2006 quando eu bati o recorde sulamericano (pertencia ao Fernando Scherer) lá em Vitória e terminei em quarto no ranking dos 50m e dos 100m livre, foi a primeira vez que eu percebi, que me deu aquele estalo: ``Poxa, eu posso um dia chegar entre os melhores do mundo, fazer alguma coisa no mundial``. Então, cheguei em 2007 e consegui ficar em quarto no meu primeiro mundial e quase ganhei a prova. E acho que em 2006 deu o estalo e esse quarto lugar em 2007 foi tipo uma acordada para mim. Pensei: ``Se eu quase ganhei a prova com 19 anos, se eu me preparar de verdade acho que posso nadar de igual para igual com os caras e surpreender em Pequim``. Hoje, vivenciar tudo isso é um sonho...
OP & Você fala com bastante carinho daquele quarto lugar. É um quarto que não vale medalha, mas vale muito na sua carreira...
Cielo & Nossa, vale muito. Nunca tinha participado de nenhum mundial e quase ganhei a prova. Eu nem sabia que estava liderando a prova até o finalzinho, tanto que eu competia na raia um. E era mais jovem. Não tinha nem feito a preparação para a piscina longa (de 50 metros). Foi demais.
OP & Antes de uma prova decisiva, numa olimpíada ou mundial, como é a concentração de vocês? O que você faz nos momentos antes da prova?
Cielo & (risos). Cada um tem o seu ritual. Tem gente que gosta de fazer flexão, tem outros que gostam de ficar se batendo, que é meu caso (risos)... Outros jogam água gelada na cara. Tem de tudo. A gente vê bastante coisa antes da prova. Mas acho que vale de tudo para você tirar a sua pressão e conseguir fazer o que você tem de fazer. É uma concentração pesada. Fica um clima bastante tenso.
OP & Mas vocês ficam numa salinha, conversam... Ou fica cada um no seu canto?
Cielo & Tem um pessoal que se fala. Um pede para o outro fechar o maiô, essas coisas. Sempre estamos em contato de alguma forma. Mas a concentração está toda voltada para a prova mesmo.
OP & Aqueles tapas que você se dá antes da prova é um combustível para ganhar?
Cielo & (risos) Olha, na verdade é um jeito de eu estar me acordando, de liberar um pouco do nervoso. É para dar um pouquinho de raiva também, vale tudo (risos)... Eu me sinto bem, sinto melhor meu corpo durante a prova quando eu faço isso. Mas teve prova que não fiz também e nadei super bem. É muito de momento mesmo. Naquela hora (antes da prova) você não está sentindo mais nada. A mão está formigando, a face está formigando (risos)... A hora que antecede a prova é bem difícil.
OP & Você sempre se emociona após as principais vitórias...
Cielo & É (risos). Lá no pódio, com o hino tocando... Não tem como (segurar a emoção)...
OP & E a popularidade, como você encara?
Cielo & Cara, o reconhecimento é muito legal. É incrível... (no Mundial de Roma deste ano, a torcida italiana bateu palmas durante a execução do hino brasileiro, enquanto Cielo chorava no pódio).
OP & Você é a favor de liberar geral do maiô superveloz? Ou deve-se restringir mesmo?
Cielo & Na verdade, eu sou a favor da igualdade de materiais. Não tem como brecar a tecnologia. É uma coisa que está em todas as áreas da sociedade, não só no esporte. Então, se todo mundo tiver acesso acho válido. O que complicou esse ano é que muita gente não teve acesso a um determinado maiô. Acho que, se está acessível a todos, sou a favor que todo mundo use. Senão, acho que tem de ficar onde a gente está. E ter certeza que estamos vendo quem é o melhor atleta, não quem tem o melhor material.
OP & César, há alguma passagem da sua carreira que aconteceu alguma coisa engraçada na hora da prova. Tipo de você pular na água e a sunga cair ou o maiô rasgar?
Cielo & Acontece muito de o óculos escapar. Mas o que vem mais acontecendo é rasgar o maiô durante a prova. Mas eu nunca passei muita vergonha, não... (risos)
OP & Você atingiu seu auge numa idade relativamente baixa. Dá pra se manter motivado depois de ganhar todos os títulos principais?
Cielo & Na verdade, o brasileiro tem um pouco da cultura de conquistar uma coisa grande e, depois, achar que já está bom para o resto da vida. Você tem que conquistar uma coisa que te deixa satisfeito. Tipo, ser campeão mundial ou ser melhor do mundo em alguma coisa, ou ser seis vezes o melhor do mundo. Como é o Robert Scheid, que ganhou tudo. A satisfação interna vem quando você conquista uma coisa que você acha merece, que você quer. E eu estou buscando isso ainda. Quero ver o quão rápido eu posso nadar na piscina ainda.
OP & Financeiramente, dá para se manter com a natação num nível bom?
Cielo & No meu caso, graças a Deus, sim. Com patrocínios bem bacanas. Fechei agora com o um energético brasileiro até 2012. Então, eu diria que dá para ter as condições bacanas de treino e guardar um pouco de dinheiro. Mas eu treino do lado do cara que é vice-campeão mundial (Alain Bernard, francês) deste ano e ele não consegue arrumar patrocínio. A realidade da natação é assim: ou você ganha tudo e tem patrocínio ou você é vice-campeão mundial e é considerado um derrotado.
OP & Qual é o papel de sua família na sua carreira? A gente sempre acompanha de longe seus pais nas principais competições...
Cielo - Na verdade, consigo contar as provas que meus pais não foram. Eles estão em todas mesmo. Não existe atleta que chegue lá sem apoio familiar e sem uma estrutura muito grande por trás. Então, no meu caso, se não fosse a família eu não chegaria nem perto de onde estou hoje.
OP & A sua mãe até diz aquela frase: ``O Césão é muito doido...``
Cielo - (Risos). É... O papel deles é fundamental para meu sucesso...
OP & No começo de carreira, você treinou com o Gustavo Borges, que era seu ídolo. Você acha importante treinar com um garoto às vezes. Para a carreira dele é importante, pode fazer diferença?
Cielo - É mais o aprendizado do que qualquer coisa. Treinar com o Gustavo foi ver como era um atleta medalhista olímpico treinando, sentir isso de perto. Mesmo no final da carreira, com 31, 32 anos, de saco cheio de treinar, sabendo que estava indo só para nadar o revezamento, ia lá todos os dias, nunca chegava atrasado. Então, foi um aprendizado mesmo para eu levar para minha carreira toda e a realização de um sonho também. Quando me chamavam para treinar com o Gustavo eu não queria nem saber onde era, qual era o horário e o que eu tinha de fazer. Já vinha para São Paulo correndo.
OP & No Mundial de Roma, o Michael Phelps cogitou nadar os 100m. Mas ele desistiu e disse que não teria a menor chance de sequer chegar perto do tempo que você fez. Como você encara isso vindo de um fenômeno como ele?
Cielo & É bacana ouvir um negócio desses dele. Tudo que ele fala tem um peso muito grande. Mas, ao mesmo tempo, a gente que vive na natação sabe que a prova estava muito forte mesmo. Se ele fosse nadar a prova tenho certeza que ele seria um desafiante muito forte. A gente nunca pode descartar um cara desses. Ele não falou isso só para agradar o pessoal da mídia, não. Acho que foi o que ele estava sentindo no momento mesmo. Mas é bom deixar claro que os 50m e 100m livre é pra gente mesmo, os velocistas (Phelps nada provas de meio-fundo, a partir dos 200m). E que a gente vai continuar dominando essas provas.
OP & Você treina quantas horas por dia?
Cielo & Umas quatro horas. Isso dá cerca de oito mil quilômetros por dia. Fora a musculação, que é intensa.
OP & Saindo na natação, qual é seu esporte preferido?
Cielo & Gosto muito de tênis e vôlei também. Mais tênis... Mas jogo ``bem-mal`` na verdade (risos). Acho melhor assistir...
OP & E o Guga não lhe deu umas aulinhas lá em Copenhague?
Cielo & (Risos) Não, não. Nem deu tempo para nada. A gente estava cheio de eventos por lá. Mas precisamos marcar um treininho pra ver se aprendo.
OP & César, o céu é o limite pra você?
Cielo & Acho que sim, cara. O limite está onde a gente impõe na nossa cabeça. Não vou falar que nadarei os 50 livre ano que vem pra 19 (segundos), mas acho que muita gente acredita numa coisa e isso acaba virando meio que uma barreira. Eu quero, quem sabe, estar repetindo esses resultados nos próximos anos. Tenho confiança para isso.
PERFIL
César Cielo Filho nasceu no dia 10 de janeiro de 1987, em Santa Bárbara D´Oeste (SP). Tem 1,95m e 88 quilos. É o atual campeão olímpico nos 50 metros livres e venceu as provas dos 50m e 100m no Mundial de Roma, na Itália. Atualmente, mora no Alabama (EUA), onde treina na Universidade de Auburn.O esporte sempre esteve na vida de Cielo. Ainda garoto, experimentou o judô. Como era maior que os garotos de sua idade, competia em categorias superiores e acabava perdendo. Depois, tentou o vôlei na escola. Até descobrir sua paixão pela natação, por influência do pai.
A entrevista com Cielo foi feita por telefone, enquanto o nadador participava do evento de um patrocinador. A conversa durou 25 minutos, devido aos compromissos do atleta. Para viabilizar a entrevista, foram quase 30 dias de negociação com a assessoria de imprensa de Cielo.
Durante o bate-papo, Cielo se mostrou bastante simpático. Soltou várias gargalhadas ao falar de passagens de sua carreira e, por diversas vezes, chamou o entrevistador pelo nome. Ao saber a data em que a entrevista seria publicada, brincou: ``Pô, estou te dando com exclusividade o nome do meu novo patrocinador. Assim você vai perder``.
As principais vitórias da carreira de César Cielo foram marcadas pela emoção, principalmente no pódio. O brasileiro chorou ao ouvir o hino nacional nas Olimpíadas de Pequim.
No começo da carreira, o nadador chegou a treinar com Gustavo Borges, seu ídolo no esporte. De presente, ganhou o maiô usado por Gustavo nos Jogos de Atenas-2004.
Em Auburn, nos EUA, Cielo ganhou uma bolsa de estudos. Escolheu o curso de Comércio Exterior. Mas teve que assinar um contrato que o proibia de sair à noite, beber e até namorar.
As marcas vermelhas no corpo mostram a forma como Cielo se concentra para as provas. Ele se estapeia antes de subir na raia. ``É um jeito de liberar um pouco a tensão``.
Mas vencer os 50 em Roma era quase -barbada- para Cielo. Três dias antes, a final dos 100 metros era o principal desafio. Ao lado dele, o campeão olímpico Alain Bernard apontava como favorito na prova, considerada a ``mais charmosa`` da natação. E Cielo não só venceu. Bateu o recorde mundial com o tempo de 46s91. De presente, ganhou aplausos ritmados da torcida italiana durante a execução do hino brasileiro. E, claro, chorou no pódio.
Campeão de popularidade no Mundial de Roma, César Cielo ganhou elogios até do multicampeão Michael Phelps. ``Ele é incrível. Eu não teria a menor chance de vencê-lo com esse tempo``, elogiou o norte-americano.
Um ouro olímpico e dois títulos mundiais fazem de César Cielo o principal nadador do Brasil em todos os tempos. Mas ele desconversa ao falar sobre o assunto. Em entrevista ao O POVO por telefone, Cielo prefere afirmar que ainda tem muito a melhorar e manda um recado a quem pensa que irá pendurar o maiô nas Olimpíadas do Rio de Janeiro: ``Me questiono é em relação a 2020``. Em 2016, ele tem certeza que chegará no auge da carreira. Que bom pra nós!
O POVO & Em 2016, nos Jogos do Rio, você terá 29 anos. Como você se imagina nessa Olimpíada. Dá pra chegar no auge mesmo com essa idade?
César Cielo & Olha, eu não sei a barreira, na verdade, que os brasileiros estão criando com relação a isso. Acho que falta um pouquinho mais de conhecimento da natação pelo brasileiro. Sobre resultados, de puxar um histórico dos velocistas. Tivemos velocistas que ganharam olimpíada com 31, 32 anos. Então, acho que o auge na carreira de uma atleta está entre 25 e 26 anos. Imagino que em Londres eu esteja no auge de força para adquirir meus melhores resultados, e acredito que conseguirei pelo menos manter isso até 2016. Já vi muita gente baixar o tempo com uma idade mais avançada. Então, não tenho dúvida em relação à minha participação em 2016. Tenho sim uma tranquilidade muito grande. Eu me questiono é em relação a 2020.
OP & Então você já pensa mais além do que na Rio 2016...
Cielo & É. Em relação a 2020 não posso ter certeza. Mas enquanto eu estiver competitivo, enquanto eu sentir que tenho condições de ganhar, eu não penso em parar da nadar. Seja 2020, 2024, ou 2016. Enquanto eu achar que posso ganhar vou treinar e dar meu máximo. Mas a hora que eu achar que a coisa está começando a cair, aí vou ver o que vai ser melhor para a equipe, para o Brasil. Seja nadando só os revezamentos e ajudando o pessoal, seja fazendo parte da comissão técnica. Tudo depende de como as coisas forem se desenrolando com o tempo e dependendo dos resultados...
OP & César, você estava em Copenhague (Dinamarca) na escolha do Rio para ser sede das Olimpíadas. Como foram aqueles momentos que antecederam o anúncio?
Cielo & Para gente que já tem uma experiência de grandes eventos, como final olímpica e final de mundial, não é tão difícil assim segurar. Nosso trabalho é ajudar o Brasil com resultados. Mas para quem fez o projeto e as apresentações acho que a ansiedade foi um pouquinho maior que a nossa. Antes de o presidente do COI abrir o envelope estavam todos arrancando um pedaço da cadeira lá. Depois foi uma explosão de alegria.
OP & Temos uma série de exemplos de ídolos pontuais que passam, como Guga, por exemplo, e o esporte fica sem renovação. Não vem apoio e não aparecem novos ídolos. Você acha que a escolha do Rio é o momento de dar aquele salto para os esportes amadores?
Cielo & Olha, acho que é preciso aproveitar o momento. Mas não podemos traçar 2016 como meta, não. Temos 2012 bem aí. São três anos para trabalhar até Londres, um tempo relativamente grande para buscarmos novos talentos e novos nomes para todos os esportes. Então, acho que precisamos focar em 2012 e deixar 2016 para os dirigentes estarem ajudando já a molecadinha. Mas nós, como atletas, temos que focar em 2012. Vai ser o primeiro passo para chegarmos em 2016 com tudo.
OP & César, diferente de outros atletas, você escolheu treinar nos Estados Unidos. Essa opção foi determinante para sua carreira?
Cielo & Sim, claro. Alguns passos que o atleta dá na carreira são fundamentais. A gente nunca vai saber o que aconteceria se eu tivesse ficado no Brasil. É difícil eu falar se seria um campeão olímpico ou não. Mas graças a Deus eu dei um passo que deu certo e me proporcionou tudo que eu queria. Então, pessoalmente falando, diria que foi um sucesso. Mas também não é assim com todo mundo, tem a questão da adaptação a um país estranho e de você acreditar naquilo que está fazendo.
OP & Mas qual é a real mudança em treinar aqui ou nos EUA?
Cielo & Na verdade, a estrutura é incomparável. Os técnicos do Brasil são muito bons também, comparam-se a qualquer país do Mundo. Mas, infelizmente, a dificuldade em se conseguir as coisas aqui é que acaba atrapalhando. Às vezes, até uma coisa simples, de a gente precisar esfriar uma piscina para ter água fria para treinar. Porque quando a gente está treinando força, não consegue fazer força no calor. Até chegar ao ponto de pedir para esfriar uma piscina parece um absurdo, e demora três ou quatro dias para acontecer. Aí, a gente tem que ficar dividindo raia com três, quatro atletas. E lá nos Estados Unidos a facilidade que temos com material, com estrutura, é muito maior do que aqui. A gente quer um suplemento, arruma rapidinho. O atleta é sempre prioridade. Aqui ainda temos bastante dificuldade em pedir as coisas...
OP & Quando você fala da falta de apoio, quem é o principal responsável? É a confederação? Você não teve apoio no começo da carreira?
Cielo & Olha, acho que se fomos parar para pensar, conseguimos evoluir do Mundial de 2007 para agora. Naquele ano, não conseguimos nenhuma medalha. O Pan não serve como base de comparação para nada. Então, se a gente comparar o Mundial de 2007 com a Olimpíada e com o Mundial de 2009, tivemos uma evolução muito grande. Mas não é que, assim, apareceram grandes talentos nesse último ano. Na verdade, o que estava precisando era de um planejamento melhor e que foi feito nesta temporada. A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) ouviu a gente, correu atrás das coisas e deu mais oportunidade para os atletas conseguirem medalhas. É claro que houve alguns errinhos ainda, mas já foi um bom início de ciclo olímpico para a gente chegar em 2012 com a melhor preparação possível.
OP & Você falou do Mundial 2007, quando ainda era uma promessa. Depois, vieram os títulos em Pequim e Roma. Como em dois anos você passou de uma promessa para o melhor nadador do Mundo em provas de velocidade?
Cielo & Na verdade, eu era uma promessa porque não tinha ganho nenhuma medalha em competições desse porte. Mas naquele mundial de Melbourne (Austrália) eu fiquei em quarto, apenas três centésimos atrás... Então, eu não era um nadador que não havia ganho nada para ser um campeão olímpico. Eu consegui um quarto lugar (nos 100m) que liderei até os últimos metros. E passei de sexto para o primeiro nos 50m. Eu não era um atleta que nunca havia pego nem semifinal e foi primeiro. Quem vinha acompanhando minha carreira sabia que eu ganharia esse tempo, pela minha idade e pela evolução que vinha tendo. Isso me deu uma confiança muito grande e, a partir de agora, sinto que mesmo sendo mais jovem tenho uma força muito grande entre os velocistas.
OP & Em Pequim, você foi ouro nos 50m e bronze nos 100m. Em um ano, evoluiu muito nos 100m e bateu o recorde mundial em Roma. Você focou esse último ano nos 100 mesmo?
Cielo & Não. Na verdade, eu treino as duas provas da mesma forma. Em nenhum momento eu foco só nos 50m ou só nos 100m. Normalmente eu treino as duas provas e a motivação é estar sempre bem nas duas. O que mudou um pouco, realmente, é a confiança na competição. Em Roma, eu estava até mais preparado para os 50m.
OP & Como você planejou sua carreira antes do ouro em Pequim. A sua meta era mesmo chegar ao auge naquela olimpíada? Ou esperava um pouco mais pra frente?
Cielo & Olha, para falar a verdade, em 2006 quando eu bati o recorde sulamericano (pertencia ao Fernando Scherer) lá em Vitória e terminei em quarto no ranking dos 50m e dos 100m livre, foi a primeira vez que eu percebi, que me deu aquele estalo: ``Poxa, eu posso um dia chegar entre os melhores do mundo, fazer alguma coisa no mundial``. Então, cheguei em 2007 e consegui ficar em quarto no meu primeiro mundial e quase ganhei a prova. E acho que em 2006 deu o estalo e esse quarto lugar em 2007 foi tipo uma acordada para mim. Pensei: ``Se eu quase ganhei a prova com 19 anos, se eu me preparar de verdade acho que posso nadar de igual para igual com os caras e surpreender em Pequim``. Hoje, vivenciar tudo isso é um sonho...
OP & Você fala com bastante carinho daquele quarto lugar. É um quarto que não vale medalha, mas vale muito na sua carreira...
Cielo & Nossa, vale muito. Nunca tinha participado de nenhum mundial e quase ganhei a prova. Eu nem sabia que estava liderando a prova até o finalzinho, tanto que eu competia na raia um. E era mais jovem. Não tinha nem feito a preparação para a piscina longa (de 50 metros). Foi demais.
OP & Antes de uma prova decisiva, numa olimpíada ou mundial, como é a concentração de vocês? O que você faz nos momentos antes da prova?
Cielo & (risos). Cada um tem o seu ritual. Tem gente que gosta de fazer flexão, tem outros que gostam de ficar se batendo, que é meu caso (risos)... Outros jogam água gelada na cara. Tem de tudo. A gente vê bastante coisa antes da prova. Mas acho que vale de tudo para você tirar a sua pressão e conseguir fazer o que você tem de fazer. É uma concentração pesada. Fica um clima bastante tenso.
OP & Mas vocês ficam numa salinha, conversam... Ou fica cada um no seu canto?
Cielo & Tem um pessoal que se fala. Um pede para o outro fechar o maiô, essas coisas. Sempre estamos em contato de alguma forma. Mas a concentração está toda voltada para a prova mesmo.
OP & Aqueles tapas que você se dá antes da prova é um combustível para ganhar?
Cielo & (risos) Olha, na verdade é um jeito de eu estar me acordando, de liberar um pouco do nervoso. É para dar um pouquinho de raiva também, vale tudo (risos)... Eu me sinto bem, sinto melhor meu corpo durante a prova quando eu faço isso. Mas teve prova que não fiz também e nadei super bem. É muito de momento mesmo. Naquela hora (antes da prova) você não está sentindo mais nada. A mão está formigando, a face está formigando (risos)... A hora que antecede a prova é bem difícil.
OP & Você sempre se emociona após as principais vitórias...
Cielo & É (risos). Lá no pódio, com o hino tocando... Não tem como (segurar a emoção)...
OP & E a popularidade, como você encara?
Cielo & Cara, o reconhecimento é muito legal. É incrível... (no Mundial de Roma deste ano, a torcida italiana bateu palmas durante a execução do hino brasileiro, enquanto Cielo chorava no pódio).
OP & Você é a favor de liberar geral do maiô superveloz? Ou deve-se restringir mesmo?
Cielo & Na verdade, eu sou a favor da igualdade de materiais. Não tem como brecar a tecnologia. É uma coisa que está em todas as áreas da sociedade, não só no esporte. Então, se todo mundo tiver acesso acho válido. O que complicou esse ano é que muita gente não teve acesso a um determinado maiô. Acho que, se está acessível a todos, sou a favor que todo mundo use. Senão, acho que tem de ficar onde a gente está. E ter certeza que estamos vendo quem é o melhor atleta, não quem tem o melhor material.
OP & César, há alguma passagem da sua carreira que aconteceu alguma coisa engraçada na hora da prova. Tipo de você pular na água e a sunga cair ou o maiô rasgar?
Cielo & Acontece muito de o óculos escapar. Mas o que vem mais acontecendo é rasgar o maiô durante a prova. Mas eu nunca passei muita vergonha, não... (risos)
OP & Você atingiu seu auge numa idade relativamente baixa. Dá pra se manter motivado depois de ganhar todos os títulos principais?
Cielo & Na verdade, o brasileiro tem um pouco da cultura de conquistar uma coisa grande e, depois, achar que já está bom para o resto da vida. Você tem que conquistar uma coisa que te deixa satisfeito. Tipo, ser campeão mundial ou ser melhor do mundo em alguma coisa, ou ser seis vezes o melhor do mundo. Como é o Robert Scheid, que ganhou tudo. A satisfação interna vem quando você conquista uma coisa que você acha merece, que você quer. E eu estou buscando isso ainda. Quero ver o quão rápido eu posso nadar na piscina ainda.
OP & Financeiramente, dá para se manter com a natação num nível bom?
Cielo & No meu caso, graças a Deus, sim. Com patrocínios bem bacanas. Fechei agora com o um energético brasileiro até 2012. Então, eu diria que dá para ter as condições bacanas de treino e guardar um pouco de dinheiro. Mas eu treino do lado do cara que é vice-campeão mundial (Alain Bernard, francês) deste ano e ele não consegue arrumar patrocínio. A realidade da natação é assim: ou você ganha tudo e tem patrocínio ou você é vice-campeão mundial e é considerado um derrotado.
OP & Qual é o papel de sua família na sua carreira? A gente sempre acompanha de longe seus pais nas principais competições...
Cielo - Na verdade, consigo contar as provas que meus pais não foram. Eles estão em todas mesmo. Não existe atleta que chegue lá sem apoio familiar e sem uma estrutura muito grande por trás. Então, no meu caso, se não fosse a família eu não chegaria nem perto de onde estou hoje.
OP & A sua mãe até diz aquela frase: ``O Césão é muito doido...``
Cielo - (Risos). É... O papel deles é fundamental para meu sucesso...
OP & No começo de carreira, você treinou com o Gustavo Borges, que era seu ídolo. Você acha importante treinar com um garoto às vezes. Para a carreira dele é importante, pode fazer diferença?
Cielo - É mais o aprendizado do que qualquer coisa. Treinar com o Gustavo foi ver como era um atleta medalhista olímpico treinando, sentir isso de perto. Mesmo no final da carreira, com 31, 32 anos, de saco cheio de treinar, sabendo que estava indo só para nadar o revezamento, ia lá todos os dias, nunca chegava atrasado. Então, foi um aprendizado mesmo para eu levar para minha carreira toda e a realização de um sonho também. Quando me chamavam para treinar com o Gustavo eu não queria nem saber onde era, qual era o horário e o que eu tinha de fazer. Já vinha para São Paulo correndo.
OP & No Mundial de Roma, o Michael Phelps cogitou nadar os 100m. Mas ele desistiu e disse que não teria a menor chance de sequer chegar perto do tempo que você fez. Como você encara isso vindo de um fenômeno como ele?
Cielo & É bacana ouvir um negócio desses dele. Tudo que ele fala tem um peso muito grande. Mas, ao mesmo tempo, a gente que vive na natação sabe que a prova estava muito forte mesmo. Se ele fosse nadar a prova tenho certeza que ele seria um desafiante muito forte. A gente nunca pode descartar um cara desses. Ele não falou isso só para agradar o pessoal da mídia, não. Acho que foi o que ele estava sentindo no momento mesmo. Mas é bom deixar claro que os 50m e 100m livre é pra gente mesmo, os velocistas (Phelps nada provas de meio-fundo, a partir dos 200m). E que a gente vai continuar dominando essas provas.
OP & Você treina quantas horas por dia?
Cielo & Umas quatro horas. Isso dá cerca de oito mil quilômetros por dia. Fora a musculação, que é intensa.
OP & Saindo na natação, qual é seu esporte preferido?
Cielo & Gosto muito de tênis e vôlei também. Mais tênis... Mas jogo ``bem-mal`` na verdade (risos). Acho melhor assistir...
OP & E o Guga não lhe deu umas aulinhas lá em Copenhague?
Cielo & (Risos) Não, não. Nem deu tempo para nada. A gente estava cheio de eventos por lá. Mas precisamos marcar um treininho pra ver se aprendo.
OP & César, o céu é o limite pra você?
Cielo & Acho que sim, cara. O limite está onde a gente impõe na nossa cabeça. Não vou falar que nadarei os 50 livre ano que vem pra 19 (segundos), mas acho que muita gente acredita numa coisa e isso acaba virando meio que uma barreira. Eu quero, quem sabe, estar repetindo esses resultados nos próximos anos. Tenho confiança para isso.
PERFIL
César Cielo Filho nasceu no dia 10 de janeiro de 1987, em Santa Bárbara D´Oeste (SP). Tem 1,95m e 88 quilos. É o atual campeão olímpico nos 50 metros livres e venceu as provas dos 50m e 100m no Mundial de Roma, na Itália. Atualmente, mora no Alabama (EUA), onde treina na Universidade de Auburn.O esporte sempre esteve na vida de Cielo. Ainda garoto, experimentou o judô. Como era maior que os garotos de sua idade, competia em categorias superiores e acabava perdendo. Depois, tentou o vôlei na escola. Até descobrir sua paixão pela natação, por influência do pai.
A entrevista com Cielo foi feita por telefone, enquanto o nadador participava do evento de um patrocinador. A conversa durou 25 minutos, devido aos compromissos do atleta. Para viabilizar a entrevista, foram quase 30 dias de negociação com a assessoria de imprensa de Cielo.
Durante o bate-papo, Cielo se mostrou bastante simpático. Soltou várias gargalhadas ao falar de passagens de sua carreira e, por diversas vezes, chamou o entrevistador pelo nome. Ao saber a data em que a entrevista seria publicada, brincou: ``Pô, estou te dando com exclusividade o nome do meu novo patrocinador. Assim você vai perder``.
As principais vitórias da carreira de César Cielo foram marcadas pela emoção, principalmente no pódio. O brasileiro chorou ao ouvir o hino nacional nas Olimpíadas de Pequim.
No começo da carreira, o nadador chegou a treinar com Gustavo Borges, seu ídolo no esporte. De presente, ganhou o maiô usado por Gustavo nos Jogos de Atenas-2004.
Em Auburn, nos EUA, Cielo ganhou uma bolsa de estudos. Escolheu o curso de Comércio Exterior. Mas teve que assinar um contrato que o proibia de sair à noite, beber e até namorar.
As marcas vermelhas no corpo mostram a forma como Cielo se concentra para as provas. Ele se estapeia antes de subir na raia. ``É um jeito de liberar um pouco a tensão``.
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