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Política

ARRUMAÇÃO

2008 é logo ali

Luizianne Lins prepara-se para a reta final de seu mandato com ajustes gerenciais, rearticulação da base aliada e com resposta política à oposição. A administração tenta evitar a antecipação do clima eleitoral, mas aliados e adversários já respiram a disputa

Erivaldo Carvalho
da Redação

21 Abr 2007 - 16h09min

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LUIZIANNE TENTA evitar, mas Município já começa a viver clima eleitoral. E aliados preparam ações administrativas para responder aos críticos(Foto: STÊNIO SARAIVA)
A prefeita Luizianne Lins (PT) vem mudando sua atuação nos últimos meses. Na esfera administrativa, mandou acelerar a formatação da proposta de reforma que será enviada à Câmara Municipal. Nas entrevistas - ultimamente mais freqüentes -, tem insistido na tecla de que brevemente o município vai se transformar num canteiro de obras. Politicamente, as alterações são ainda maiores. Luizianne reorganizou a base de apoio na Câmara Municipal, montou um calendário de reuniões com a bancada de vereadores petista e criou a figura do secretário de articulação política. Na seqüência, uma ofensiva na área de comunicação deverá ser deflagrada, com o objetivo de dar maior visibilidade a ações administrativas. O efeito da movimentação deve vir a curto e médio prazos. Já admitidas por aliados da prefeita, as estratégias, além da reação diante da crise do Réveillon, tem objetivos mais audaciosos: mirar no horizonte de sucessão eleitoral do ano que vem.

O PT ainda não agendou o debate sobre a tese da candidatura à reeleição da prefeita. Em conversas informais, no entanto, membros do grupo que chegou ao poder em 2004 já trabalham com a perspectiva de ficar até 2012. O POVO apurou que a avaliação interna no momento pode ser dividida em dois pontos. Um deles é a clareza de que a gestão está sendo atacada pela oposição - majoritariamente representada pelo PMDB e PSDB -, que quer precipitar o processo eleitoral. O segundo ponto, um desdobramento direto do primeiro, é a disputa do ano que vem propriamente dita. O desafio dos aliados de Luizianne, agora, seria a difícil tarefa de desvincular uma coisa da outra.

"Nesse momento, é só para defender a administração. Juntar isso (a crise) com eleição é o que a oposição quer", diz um aliado. Pela ótica da conveniência política dos apoiadores da gestão, discutir reeleição agora não deixa de ser risco político, se comparado com o cenário muito favorável projetado anteriormente. Principalmente porque a Prefeitura entraria no debate a reboque da crise alimentada e potencializada pelos adversários.

Num cenário ideal, de acordo com fontes do partido, a discussão sobre a possibilidade de Luizianne vir a ser candidata novamente só deveria ser estimulada do fim de 2007 para o início do ano que vem. Antes disso, seria relativizar as ações da Prefeitura sob o viés da busca ao voto. Esse era o script, antes de o vereador Carlos Mesquita (PMDB), cobrar, no dia 22 de fevereiro - exatos dois meses depois -, explicações dos contratos que a Prefeitura assinou com vários artistas para a festa de fim de ano.

Com efeito semelhante a um rastilho de pólvora, a declaração do peemedebista fez com que, em poucas semanas, vários integrantes do primeiro escalão da administração municipal tivessem de dar explicações ao Ministério Público. De temperamento forte, Luizianne mordeu a isca, dando declarações associando as denúncias a uma articulação de forças políticas que segundo ela estariam se aglutinando para tirar proveito eleitoral.

A petista chegou a afirmar que a exploração do episódio fora orientada por "um senador" - numa alusão direta a Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB e arquirrival petista. No embalo das declarações da prefeita, as repercussões chegaram à Assembléia Legislativa, onde os tucanos têm a maior bancada. Lá, houve ameaça de instalação da CPI do Réveillon - derrubada pelos aliados da gestão em Fortaleza -, que se somaram a levantes semelhantes da oposição na Câmara Municipal.

Exatos dois meses depois da denúncia de Mesquita, a crise parece ter arrefecido. Apesar disso, os desdobramentos se mantêm. Os arranjos partidários de olho na cadeira de Luizianne estão entre eles. Do meio da crise para cá, pelo menos três forças políticas - PSDB, PMDB e DEM -, vieram a público mostrar suas primeiras cartas do jogo sucessório. A tendência é que as movimentações aumentem, indo ao encontro do calendário da Justiça Eleitoral, que começa daqui a alguns meses.

Em 2004, Luizianne foi candidata depois de um barulhento racha no partido. Numa cruzada quixotesca, mesclou fatores utópicos, burilou elementos do imaginário mobilizador, empolgou a militância e venceu os dragões: seus próprios correligionários. Agora, isso é história. Daqui para frente, a prioridade é salvar a gestão e mostrar resultado. Depois, mesmo possivelmente chamuscada, mobilizar aliados e tentar mostrar capacidade administrativa para enfrentar inimigos externos.


Luizianne em dois momentos

Como foi em 2004

ISOLAMENTO
- Na pré-campanha, o PT de Fortaleza decidiu, por um voto de diferença, na Convenção do partido, que teria candidatura própria à Prefeitura. O PT Estadual e o Diretório Nacional abandonaram Luizianne.

É DO PT
- O Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução permitindo que o partido no Ceará apoiasse qualquer candidatura da base aliada do presidente Lula. Na prática, a cúpula e parte da militância local apoiaram o então candidato do PCdoB, Inácio Arruda.

FRANCISCANA
- A campanha de Luizianne em 2004 foi realizada com poucos recursos financeiros. Havia constantes problemas de repasse de recursos da direção nacional petista. Um das fontes de recursos era uma lojinha de souvenir, instalada dentro do comitê.

AGUERRIDA
- A disputa interna no PT e o confronto público com os caciques do PT estaduais acabaram inflamando a militância, que levou Luizianne ao segundo turno, e depois à Prefeitura.

ESQUERDA
- Isolada dentro do próprio partido, a esquerda do PT de Fortaleza aliou-se unicamente ao PSB. Isso acabou fortalecendo o discurso de mudança e deu cara mais progressista à candidatura.


Como pode ser em 2008

ESTRELA
- A prefeita de Fortaleza é a principal líder do PT no Estado. No segundo turno das eleições presidenciais do ano passado, coordenou a campanha de Lula no Nordeste.

ACESSO
- Luizianne tem bom acesso ao Palácio do Planalto, à Esplanada dos Ministérios e tem amarrado contratos de financiamento com órgãos federais e internacionais.

PRECOCE
- A partir da crise do Réveillon, a oposição começou a se mexer e já apresenta os primeiros movimentos no jogo sucessório. A tendência é que a próxima disputa eleitoral comece mais cedo.

PARCERIA
- O PT tem o vice-governador do Estado (Francisco Pinheiro) e ocupa espaços na administração Cid Gomes (PSB). É um indício de que a parceria política do ano passado pode se estender à sucessão eleitoral.

MODERADA
- Depois do PSB, o PHS do presidente da Câmara Tin Gomes, maior partido da Casa, é aliado de Luizianne. Ampliada para siglas como o PSL, PV e PMN, uma candidatura de Luizianne perderia características de esquerda.


Fonte:
Banco de Dados O POVO


Prós e contras

PONTOS FORTES
ALIADOS

- Luizianne tem uma das mais largas bases de apoio na Câmara Municipal das últimas gestões. Dos 41 vereadores, 31 se assumem como governistas, inclusive o presidente Tin Gomes (PHS). Na crise do Réveillon, a oposição não conseguiu instalar a CPI.

OBRAS
- Depois de organizar a máquina administrativa, a Prefeitura petista vem apresentando os primeiros resultados, em termos de obras. Nos próximos meses, o maior conjunto delas, o Transfor (transporte urbano) deve sair do papel.

APOIOS
- Ao contrário de 2004, quando sofreu isolamento político dos diretórios Nacional e Estadual do PT, a prefeita tem hoje quase a unanimidade do partido para uma possível disputa pela reeleição.

RETRIBUIÇÃO
- Luizianne foi um importante cabo eleitoral para a eleição de Cid Gomes (PSB) para o governo do Estado e Inácio Arruda (PCdoB) ao Senado. Em caso de uma candidatura à reeleição, o PT espera contar com a retribuição política desses aliados.

SOCIAL
- A administração deve capitalizar politicamente duas ações de grande alcance social. No transporte coletivo, a manutenção do congelamento da passagem de ônibus. na Educação, a distribuição gratuita de fardamento escolar completo para a rede de ensino municipal.

DEMOCRACIA
- Próprio de setores à esquerda do PT, a gestão Luizianne inaugurou discussões com a sociedade em torno das políticas públicas e está praticando o Orçamento Participativo.

PONTOS FRACOS
REVÉILLON

- Há dois meses se arrastando, a crise provocada pelos polêmicos contratos da Prefeitura com artistas para a festa do último Réveillon são, até agora, o principal problema político enfrentado por Luizianne. A oposição certamente vai explorará o episódio no período eleitoral.

PROMESSAS
- Um conjunto de obras que consta no programa de governo de Luizianne Lins ainda não tem data definida para sair do papel. Entre elas o Hospital da Mulher e os Centros Urbanos de Cultura, Arte e Esporte de Fortaleza (Cucas).

TRUMBICA
- A avaliação dos próprios aliados é de que a Prefeitura deveria se comunicar melhor com a população, com campanhas ostensivas de divulgação das ações da gestão petista. O número de peças institucionais caiu desde o início do ano.

ENTRAVES
- A gestão Luizianne Lins apresenta problemas gerenciais. Há discussões de mais e resultados de menos. Os entraves gerenciais levam a respostas demoradas e ações engessadas em alguns setores.

FORNECEDORES
- Já se passaram mais de dois anos de administração e a Prefeitura continua atrasando o pagamento de fornecedores. Na campanha e no início do mandato, existia a promessa de regularizar a situação.

INAPTOS
- Aliados da prefeita, especialmente o presidente do PSB, vereador Sérgio Novais, fizeram duras críticas ao secretariado do Município. Abafado pela crise do Réveillon, o "fogo amigo" pode reacender a qualquer momento.

Fonte: Banco de Dados O POVO

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