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Política

PT e PSDB: diálogo em 1994


26 Mai 2007 - 15h04min

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As declarações do governador Aécio Neves (MG) e do senador Tasso Jereissati sobre a possibilidade de o PSDB vir a se unir no futuro ao PT chamaram atenção na imprensa nacional, mas não tratam de algo novo. Em 1994, a aliança entre as duas siglas para a eleição presidencial só não se viabilizou por causa do "radicalismo" do PT, afirma Tasso, que seria o candidato a vice-presidente na chapa do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana passada, em entrevista coletiva, Lula lembrou o fato e as sucessivas conversas que líderes políticos dos dois partidos fizeram na tentativa de concretizar um acordo eleitoral.

"Ele só errou a data", disse o senador, revelando que os sucessivos encontros, até semanais, que mantivera com Lula ocorreram em 1992. PSDB e PT estavam afinados na CPI que investigou as denúncias de corrupção do governo Collor. "Começou a nascer a possibilidade de uma aliança dada a essa proximidade. Esse acordo eleitoral era natural já que estávamos trabalhando juntos na CPI. Começamos a perceber que tínhamos pontos em comum", revelou Tasso, que recentemente foi recebido em audiência por Lula.

A aliança entre tucanos e petistas, no entanto, não vingou por conta da posição "radical" do PT. Inicialmente, os petistas se recusaram a participar do governo Itamar Franco, após o afastamento de Collor. A petista Luiza Erundina saiu do partido para participar do ministério. No cargo de ministro da Fazenda, o nome do tucano Fernando Henrique Cardoso começou a crescer. Ao mesmo tempo em que o PT se afastava do PSDB, o PFL, ao perceber que o Plano Real iria fortalecer o ministro, acertou a aliança com os tucanos.

O PT, por sua vez, liderou a campanha contra o Plano Real, lançado em 7 de dezembro de 1993. Mesmo entre os economistas e técnicos que formularam o programa econômico, havia dúvidas sobre as condições políticas para a sua implantação. Uma reunião que varou a madrugada, realizada em Brasília, decidiu pelo lançamento do Plano Real. Naquele momento, lembrou Tasso Jereissati, ficou claro que se o programa de estabilização desse certo, Fernando Henrique seria o candidato natural ao Planalto. "Jogamos o destino do PSDB naquele programa. E o PT virou oposição", enfatizou o senador. (com agências de notícias)

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