Política
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Ciro diz que referendo é perseguição política
30 Mai 2007 - 01h21min
O deputado federal Ciro Gomes (PSB) acusou, ontem, a prefeita Luizianne Lins (PT), sua companheira de base aliada do presidente Lula, de estar usando a proposta de referendo como instrumento de "perseguição política". Há um pedido nesse sentido em tramitação na Câmara Municipal, onde Luizianne alega que, atendendo a um "clamor popular", quer saber se o eleitorado aprovaria ou não o projeto de construção da Torre Empresarial Jereissati, ao lado do Shopping Iguatemi, na área do Parque Ecológico do Cocó. O empreendimento é do grupo do presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati.
"Olhando um pouco de longe eu acho que há aí um componente de perseguição política que não é bom, não é justo e não é razoável", reforçou Ciro corroborando assim com críticas feitas, nesta semana, pela senadora Patrícia Saboya (PSB). A parlamentar qualificou a decisão da prefeita "infantilidade". O empreendimento Torre Empresarial já vendeu mais de 80% de salas comerciais e teve licença autorizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Seman). A alegativa da prefeitura seria a de que a área do Cocó, em 1989, por ocasião de revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, acabou fora.
Fazendo questão de dizer que tem "o maior respeito pela prefeita", mas que, mesmo sendo seu aliado, não pode fechar os olhos para o que entende não ser um ato correto, Ciro Gomes explicou o porquê de sua postura: "O licenciamento de um prédio, seja ele qual for e de quem for, há de se fazer dentro da lei que está em vigor. Como é que você manda um assunto dessa natureza para referendo?"
Ciro Gomes disse mais: "Vamos supor que no referendo o povo diga sim, pode construir. E se for ilegal, como é que pode o povo aceitar a construção de um prédio ilegal? De outra forma, vamos supor que seja legal, e aí, vamos lá que o povo, por alguma razão, diga que não pode. Como é que o povo pode dizer não pode se a lei diz que sim? Por isso que o licenciamento é um regramento legal e há de ser aperfeiçoado, praticado ou indeferido no tempo daquilo que está previsto na lei", disse.
Para ele, o referendo é "uma coisa muito nobre e não se deve prestar a essas ferramentas de perseguição política". Ciro reiterou, mais uma vez, que é aliado de Luizianne Lins e que não teve oportunidade de conversar com ela a respeito do assunto, mas não a poupou: "Acho que não é uma atitude generosa essa de usar o poder para perseguir adversário".
Ciro Gomes fez questão de dizer que, mesmo com opiniões contrárias, vez em quando, à prefeita, continua seu aliado e com a disposição de apoiá-la em 2008. "Agora, isso não quer dizer que eu vá ficar de olho fechado pra tudo de bom e de ruim. O que acontece de bom eu devo aplaudir e o que acontece de ruim eu devo dizer que está ruim". (Eliomar de Lima)
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