Política
SINDICALISMO
Sindicatos questionam mudanças
Aprovado na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, o fim do imposto sindical obrigatório, criado no Governo Vargas, começa a causar apreensão entre as centrais sindicais. Ontem, seis entidades decidiram pressionar o Senado a rejeitar a mudança
20 Out 2007 - 01h03min
Ontem, em São Paulo, dirigentes de seis entidades decidiram, em reunião, pressionar o Senado para rejeitar a mudança. Estiveram no encontro a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).
As entidades declaram-se favoráveis ao fim da cobrança compulsória, mas discordam do desfecho da discussão. Os sindicados reclamam de um acordo que haveria com o Governo, para, em 2009, debater mecanismos que viessem a substituir a cobrança obrigatória. Outro ponto da decisão que incomoda as centrais é a fiscalização de sua movimentação financeira, que seria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
As mudanças aconteceram através de emendas do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) ao projeto de lei 1990/07, enviado pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional. A matéria trata do reconhecimento formal das centrais sindicais. Existem, atualmente, 19 entidades desse tipo, que continuarão com as mesmas atribuições e prerrogativas que já têm hoje. A diferença é que elas poderão a passar a constar formalmente em lei, e poderão, por exemplo, entrar na Justiça contra empresas públicas e privadas.
O imposto sindical financia, às custas de um dia de salário de empregados formais e autônomos por ano, mais de 7,5 mil sindicatos, federações e confederações de trabalhadores. A legião de entidades, deveria arrecadar, em 2008, cerca de R$ 1,250 bilhão, segundo estimativas de técnicos da Câmara dos Deputados. O imposto foi criado em 1943, pelo governo de Getúlio Vargas.
Campanha
A divisão desse bolo para beneficiar as centrais sindicais era um dos principais pontos da proposta que regulamenta a atuação das entidades. Pelas regras atuais, os recursos da contribuição sindical são distribuídos da seguinte forma: 60% para os sindicatos, 15% para as federações, 5% para as confederações e 20% para a "Conta Especial Emprego e Salário", administrada pelo governo.
Pelo que foi aprovado pelos deputados, a conta especial perderá recursos com o governo dividindo a sua parte com as centrais. Deputados contrários à proposta ressaltaram que o impacto será nos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que recebe dinheiro da conta especial.
A Força Sindical, comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), vai promover uma campanha nacional contra os deputados que ajudaram a aprovar o fim da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical pelos trabalhadores. "Eles não agüentam dez dias de campanha. Principalmente os que são candidatos a prefeito. Quero ver eles explicarem na cidade que estão contra os trabalhadores", afirmou Paulo.
"Esse tipo de postura é fascista", respondeu o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), partido que ajudou a aprovar o pagamento optativo do imposto. O PMDB, o PR, o PP e o PTB deram 97 votos a favor, mais do que o DEM e o PSDB (84 votos), os dois maiores partidos de oposição que votaram unidos na tentativa de aprovar a mudança. As quatro legendas governistas deram 41 votos contrários e apenas um deputado do DEM votou contra. (com agências)
FALE COM A GENTE : erivaldo@opovo.com.br
BATE-PRONTO
Surpresa
O presidente da CUT-CE, Francisco Jerônimo do Nascimento, diz que os sindicalistas foram surpreendidos pela aprovaÔão do projeto que acaba com o imposto sindical.
O POVO - Como o senhor recebeu a notícia da aprovaÔão na CÍmara do imposto sindical?
Jerônimo - NÃs fomos surpreendidos. Não havia esse acordo com o governo. A CUT Ú a favor do fim da obrigaÔão. Mas as centrais tinham acertado que em 2009 haveria um debate para discutir a taxa negociada.
OP - Como funcionaria?
Jerônimo - É quando meu sindicato me chama, por ocasião da campanha salarial, para encaminhar a pauta de reivindicaÔÊes. Na ocasião, a AssemblÚia decide o percentual de reajuste, por exemplo, e discute com a categoria qual o valor que cada associado vai repassar à sua entidade para financiar a luta.
OP - Qual o impacto que a decisão pode provocar no meio sindical?
Jerônimo - Uma coisa que vem desde a Úpoca do Getúlio Vargas (1943), se acabando de uma hora para a outra, desmobiliza as categorias. É interesse dos patrÊes que estão no Congresso Nacional. É coisa da direita mesmo, que quer impedir os trabalhadores de se organizarem.
OP - A CUT apÃia a fiscalizaÔão dos recursos pelo Tribunal de Contas da União?
Jerônimo - Não podemos concordar com uma fiscalizaÔão dessas. Mesmo sendo o Estado o arrecadador de 10% dos recursos. Quem tem de fiscalizar os recursos dos trabalhadores Ú o trabalhador. O dinheiro Ú do trabalhador, não Ú do Estado.
OP - Qual vai ser a resposta da CUT à decisão da CÍmara?
Jerônimo - NÃs não vamos reagir em relaÔão ao imposto. Mas queremos que seja retomado o acordo que tínhamos com o governo. NÃs sabemos que essa investida Ú para dar um baque no reconhecimento das centrais sindicais.
OP - Diante dessa mudanÔa histÃrica, como o senhor gostaria que o presidente Lula, um ex-sindicalista, fosse lembrado?
Jerônimo - NÃs queremos que daqui a 30 anos, quando essa pergunta for feita, que seja dito que o presidente Lula foi fundador da CUT, e que ele sempre defendeu o fim da cobranÔa. Mas o Lula tem de ser lembrado como o presidente que acabou com o imposto sindical, mas que negociou a taxa negociada.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
- 20:11 Dia da Internet Segura 2010: "Pense antes de Postar!"
- 20:01 Número de imigrantes ilegais nos EUA cai 7% entre 2008 e 2009
- 19:59 Atacante Aloísio reforça o Ceará
- 19:43 Cientista social acha que crescimento da classe média depende de reformas estruturais
- 19:17 Marta Suplicy defende candidatura de Ciro ao governo de São Paulo
Últimas
- 01:49 Quem grita mais... ganha
- 17:50 'Dilma não é líder, é reflexo de um líder', diz Fernando Henrique
- 12:19 Viatura do Ronda perde o controle e invade restaurante em São Gonçalo do Amarante
- 02:04 Já vai embora?
- 03:04 35 mil famílias cearenses fora do Bolsa Família
- 03:04 "Ou a vice de Cid ou a vaga no Senado", cobra Eunício
Indique esta notícia









