Política
RENÚNCIA
Mensalão tucano derruba Walfrido
Um duplo baque para o Governo Lula. A renúncia do ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Procurador-Geral da República de envolvimento no caso do mensalão mineiro, deixa o Planalto sem o seu principal articulador político e dificulta a aprovação da CPMF no Senado, onde o PTB rompeu com o bloco governista e se distanciou da base de apoio ao Governo
23 Nov 2007 - 00h47min
Na carta de renúncia, Walfrido diz que a "acusação é injusta e improcedente". "Isso ficará provado no curso do processo. Considero que neste momento é meu dever empenhar todos os meus esforços para me defender". Walfrido afirma que foi denunciado sem ter recebido a chance de se defender. "Recebi com profunda indignação a informação de que o Procurador-Geral da República acusou-me perante o Supremo Tribunal Federal por um crime que não cometi e sobre o qual jamais fui ouvido. Nem a Polícia Federal, nem o próprio Procurador deram-me o direito de prestar os esclarecimentos ao longo dos quase dez anos nos quais investigou-se esse assunto".
Ele afirma que se afasta do governo para que as denúncias que pesam contra ele não venham a prejudicar o governo do presidente Lula. "Não quero, entretanto, que um assunto alheio ao seu governo cause qualquer embaraço à sua gestão e à importante agenda que Vossa Excelência tem para o país".
Na carta, Walfrido agradece o apoio recebido de Lula ao longo de sua permanência no governo. "[...] Ao interromper esta colaboração, o faço com enorme gratidão pela oportunidade de servir ao país e com profundo afeto pela amizade que construímos. Saiba que onde estiver continuarei trabalhando por seu governo".
Substituto
O Planalto já confirmou o nome do substituto de Walfrido dos Mares Guia no Ministério das Relações Institucionais. É o deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), atual líder do governo na Câmara. Com a ida de Múcio para o cargo, a liderança do governo na Câmara será ocupada pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS). Atual vice-líder, o petista é apontado como um dos mais fiéis e articulados colaboradores do governo na Câmara.
Ao longo da tarde de ontem, Walfrido esteve reunido com assessores para preparar os termos da carta de renúncia. Paralelamente, Múcio já foi orientado por Lula para buscar coesão entre os partidos aliados para aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011.
Múcio deve assumir o cargo de ministro justamente no momento em que seu partido, o PTB, anunciou que deixa o bloco de apoio do governo no Senado. Mas, segundo ele, essa decisão da legenda não vai alterar nem atrapalhará as articulações em favor dos interesses do Palácio do Planalto. (das agências de notícia)
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