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Política

TARIFA

Lançamento da tarifa social vira espetáculo político

O que era para ser apenas o lançamento da tarifa social a R$ 1,00 todos os domingos transformou-se num balanço de gestão e publicidade a mais para a Prefeitura de Fortaleza. Para simbolizar o lançamento, a prefeita pagou para andar na linha Manoel Sátiro 1

Giselle Dutra
da Redação

17 Mar 2008 - 00h28min

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Luizianne sacou a nota de R$ 2,00 e pagou sua passagem e do assessor Acrísio Sena (Foto: DÁRIO GABRIEL)
"Que palco é este?" perguntou o vigilante Valdo Rocha. "É para o lançamento da tarifa social de R$ 1,00 todos os domingos", respondeu alguém que estava próximo. "E ela já está em campanha?", questionou novamente Valdo, que era apenas um dos muitos que acompanhavam a movimentação. Era o clima da expectativa da chegada da prefeita Luizianne Lins (PT) ao terminal da Parangaba ontem pela manhã, que serviu de cenário para o lançamento da tarifa - escolhida após consulta popular realizada com a população, em fevereiro.

Luizianne chegou por volta das 11 horas, onde, logo em seguida, discursou para a platéia, que foi se aglutinando ao redor do pequeno palanque. "Valha, é a Luizianne", disse uma senhora, que depois chegou perto para abraçar a prefeita. As novidades eram muitas e o discurso já estava na ponta da língua, embora tenha negado se tratar de campanha eleitoral. "Eu nem sou candidata ainda à reeleição, até que o meu partido tome uma decisão e outras pessoas possam se colocar. Mas, se for, vou aparecer e disputar de forma legítima, como aconteceu da primeira vez", respondeu aos questionamentos de estratégias para as próximas eleições.

Além de apresentar inúmeras "boas novas", a prefeita explicou aos presentes como se chegou à redução - por meio de um acordo firmado entre Governo do Estado e Prefeitura de Fortaleza, o que acabou se tornando a política social de maior visibilidade da administração. "Foi uma solicitação nossa, mas isso não caiu do céu", afirmou. Luizianne prometeu ainda que, até dezembro de 2008, será mantida a mesma tarifa de R$ 1,60 de segunda a sábado, há três anos sem aumento, "pela primeira vez na história", como costuma afirmar.

Ao final do discurso, sacou R$ 2,00 do bolso e avisou que iria até o terminal de ônibus mais próximo para lançar a nova tarifa lá também. "Vamos vocês, que faz tempo que não pegam ônibus", disse aos políticos presentes ao evento. Foi uma correria para ver quem acompanhava a prefeita, no meio da multidão de anônimos. Luizianne subiu ao veículo da rota Manoel Sátiro 1 no meio do povo.

As pessoas assistiam atônitas ao espetáculo da passagem da prefeita. Alguns corriam ao encontro de Luizianne. Durante o trajeto do ônibus, um homem chamado Tadeu Araújo começou discursar em favor de Luizianne. "Eu não sou do partido da prefeita, mas eu a admiro porque ela trabalha em favor do povo", disse ele, sendo em seguida aplaudido por muitos que estavam no interior do veículo.

A chegada ao Terminal do Siqueira tomou de surpresa quem passava por lá para aproveitar a tarifa social. "Pensei que era uma arrastão", disse a estudante Simone Brito. Ela e o colega Gilson Moura ficaram satisfeitos em pagar a meia-passagem de R$ 0,50 para se deslocarem do Conjunto Santa Cecília, onde moram, até o cursinho realizado na Universidade Federal do Ceará (UFC). "Acho que o povo vai votar nela (Luizianne) de novo", deu um palpite.

Alternativo
Questionada sobre a redução da passagem também para o transporte alternativo, Luizianne não apresentou perspectivas de inclusão desta modalidade de transporte na tarifa social. "Nós estamos discutindo. Não é uma coisa que diz respeito à Prefeitura resolver. Nós não temos essa capacidade agora, porque a desoneração do diesel incide sobre o transporte público - dos ônibus de uma forma geral. Então, é o que é possível agora a gente reduzir", explicou.


E-mais

Luizianne aproveitou a ocasião ainda para fazer o convite para a festa de aniversário de Fortaleza, no dia 13 de abril, na Praia Iracema. A prefeita demonstrou não se incomodar com a possibilidade de voltar a ser alvo da oposição, após as acusações de irregularidades no Réveillon de Fortaleza. "Eles precisam de uma pauta política. As (pautas) que tinham em eventos anteriores foram superadas. É natural que o pessoal faça isso. Agora tirar do povo, a possibilidade de ver o 'rei', eu acho muito complicado", defendeu.

O presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Ademar Gondim, avisou que, à medida, que houver maior demanda, a Etufor vai estudar a possibilidade de se disponibilizar uma frota maior aos domingos. Segundo a assessoria da Etufor, em dias de tarifa social, o número de passageiros aumenta de 300 para cerca de 450 mil pessoas.

Luizianne anunciou ainda a licitação para a construção de mil abrigos para os usuários de ônibus nas paradas.

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