Política
INVESTIMENTOS
Por que a máquina não anda
O governo do Ceará comemora acúmulo inédito de dinheiro em caixa, ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades para gastar os recursos à disposição. Problemas com a lei de licitações, a má gestão e a deficiência de projetos ajudariam a explicar o fenômeno
Vicente Gioielli
da Redação
22 Mar 2008 - 16h39min
Em janeiro deste ano o secretário da Fazenda, Mauro Filho, apresentou o que seria um resultado invejável colhido pela atual administração: um superávit em 2007 de R$ 1 bilhão. Apesar de boa parte do dinheiro ter sido usado para amortizar dívidas, o secretário anunciou que o Estado permanecia com mais de R$ 600 milhões em caixa. Notícia boa, aparentemente, mas que pode se transformar num tiro no pé.
O fato de ter tanto dinheiro em caixa não se reproduz, necessariamente, em progresso, desenvolvimento e melhoria na vida das pessoas. Na realidade pode-se gerar mais expectativa, cobrança e pressão sobre a administração. Isso por que, anteriormente, o discurso reinante para a falta de investimentos é que não se tinha dinheiro, que a economia não permitia. Com o cofre cheio isso não é argumento e qualquer fracasso pode ser atribuído diretamente aos gestores.
A pressão já pôde ser constatada pelo Governo dias depois do anúncio do superávit. Diversas pesquisas divulgadas nacionalmente mostraram o Estado na rabeira de desenvolvimento de setores como a Indústria e o Comércio. Mais do que isso, o Ceará vem perdendo espaço na disputa pelo turismo no Nordeste, que é uma das suas principais fontes de renda.
Mais do que isso, segundo relatórios de execução orçamentária da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), até março deste ano o Estado investiu apenas R$ 21 milhões nas suas diversas secretárias e órgãos públicos - o que equivale a apenas 0,88% do previsto no orçamento de investimentos para este ano.
Com tudo isso sobre a mesa, pergunta-se: onde estão os gargalos que não permitem que o Governo aplique corretamente, e rapidamente, o dinheiro arrecadado para fazê-lo trazer o desenvolvimento esperado? Para tentar responder à questão, O POVO foi atrás de fontes habilitadas para discussão do tema, como o governador Cid Gomes (PSB), a secretária de Planejamento e Gestão, Silvana Parente, o secretário de infra-estrutura Adail Fontenele e o ex-secretário de Planejamento, Maia Júnior.
De comum, eles elencam a burocracia, a gestão e a má elaboração dos projetos como os principais entraves que encontram na máquina administrativa e que precisam ser otimizados. Aponta-se, também, caminhos para que o Estado não perca tempo nem dinheiro na aplicação de seus recursos. Entenda, na página seguinte, por que o dinheiro público enfrenta tantos percalços para voltar ao contribuinte-cadidão, na forma de investimentos que melhorem sua vida.
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