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Política

ESCÂNDALO

Deputado ironiza ação da Polícia Federal

Paulo Pereira da Silva ocupou ontem a tribuna da Câmara para se defender das acusações de envolvimento com o desvio de recursos do BNDES e se disse perseguido por defender os trabalhadores. A mesa decidiu abrir investigação sobre o caso


07 Mai 2008 - 02h06min

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Paulo Pereira da Silva, deputado e sindicalista, disse que sabe porque
Acusado de irregularidades envolvendo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, ocupou ontem a tribuna do plenário da Câmara para se defender. Por dez minutos, Paulinho ironizou a ação da Polícia Federal, na qual é citado nas investigações, e disse ser vítima de perseguição por defender os interesses e direitos dos trabalhadores. Mas não apontou nomes de seus virtuais algozes.

"Primeiro, te acusam para depois você ter de provar sua inocência", disse Paulinho na tribuna. "Na votação da emenda 3, muita gente disse que ia me pegar na esquina. (Lutei) pelo aumento do salário mínimo. Eu sei por que estou apanhando", afirmou o deputado.

Irônico, Paulinho tentou chamar a atenção dos colegas parlamentares ao criticar a ação da PF na Câmara, quando foram feitas imagens e gravações de um suposto lobista que manteria contatos com o deputado. As gravações foram registradas durante as investigações da Operação Santa Tereza, que desbaratou um esquema de irregularidades envolvendo fraudes no BNDES e exploração sexual de mulheres.

No momento em que Paulinho discursou, 298 deputados haviam registrado presença. Alguns acompanhavam com atenção o pronunciamento. Antes de ocupar a tribuna para o pronunciamento, o deputado cumprimentou um a um dos colegas.

A Executiva Nacional do PDT discutiria ontem à noite o futuro político de Paulinho. O partido não descarta aplicar punições ao parlamentar, que variam desde a licença temporária da legenda até a perda do mandato - embora lideranças do PDT também reconheçam que ele pode, ao contrário, receber o apoio dos pedetistas com a aplicação somente de repreensão verbal.

O Ministério Público Federal ainda aguarda cópias das investigações sobre a Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, para decidir se abre inquérito contra Paulinho. Se houver suspeitas contra o deputado, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, deve optar pela abertura de inquérito para apurar as denúncias.

Já o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), decidiu, também ontem, abrir um inquérito na Corregedoria-Geral da Casa para investigar o deputado.

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