Política
Algodão e mamona
Governo negocia instalação de empresa de biotecnologia
Com a instalação de laboratório da Bio Century Transgene, o Estado quer enfrentar um desafio em relação à tecnologia agrícola: descobrir variedades de algodão resistentes a pragas e sementes de mamona mais produtivas e de baixa toxidez
Jorge Macedo
Especial para O POVO
24 Nov 2008 - 00h25min
A Bio Century Transgene vai pesquisar no Ceará sementes mais produtivas de algodão e mamona, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa). Embora a Bio Century Transgene seja uma empresa da área de produtos transgênicos, Ballmann ponderou que o laboratório cearense não necessariamente será um centro de pesquisa de sementes geneticamente modificadas. "Queremos sim agregar tecnologia no desenvolvimento de sementes mais produtivas, não necessariamente transgênicas".
Ballmann explicou que o Estado tem dois desafios em relação à tecnologia agrícola: descobrir variedades de algodão resistentes a pragas e sementes de mamona mais produtivas e de baixa toxidez. "Somente com tecnologia voltaremos a produzir algodão e mamona como em outros tempos", destacou. O presidente da Adece relatou que, da mesma forma que outras regiões conseguiram se desenvolver com o melhoramento de sementes de soja, o Ceará pode ter sucesso na produção e utilização de matrizes melhoradas de algodão e mamona.
Debate
A questão da produção de sementes transgênicas no Ceará foi debatida na última terça-feira em uma audiência na Assembléia. Participaram do debate representantes da Adece, Embrapa, Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA) e de movimentos sociais. Diversos pontos polêmicos foram levantados. O assessor da SDA, Nicolas Fabr, destacou que os transgênicos não trazem sustentabilidade para a agricultura familiar, já que a biotecnologia está associada às grandes empresas. "Essas sementes têm patentes e precisam ser compradas pelos agricultores. São caríssimas e não podem ser plantadas no ano seguinte", reforça.
O ambientalista Arnaldo Fernandes relatou que a transgenia acontece com o implante de um gene de um herbicida na semente, o que torna a planta resistente a determinadas pragas. Com isso, haveria risco de um desequilíbrio ambiental. Há ainda, segundo ele, o risco de cruzamento dessas plantas com espécies nativas, contaminando o bioma. Arnaldo destaca também que não há estudos dizendo que plantas com genes modificados não oferecem riscos. "Enquanto não estiver cessado qualquer risco, os transgênicos não podem ser liberados" defendeu.
Na contrapartida dessas opiniões, o chefe geral da Embrapa Algodão da Paraíba, Napoleão Beltrão, acredita que a produção de sementes geneticamente modificadas pode ser conciliada com o cultivo de sementes crioulas. "Se as plantações estiverem a uma distância de 2 quilômetros e separadas por outra vegetação, não há risco de cruzamento", avalia. Beltrão defende que não há problemas em trabalhar a cultura de transgênicos em áreas irrigadas, mas lembra que eles não são a solução de tudo.
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