Política
Crise
Tin não dedicará um minuto à Prefeitura
Empossado vice-prefeito, Tin Gomes (PHS) já prevê que a crise com a prefeita Luizianne Lins (PT) é incontornável
Ítalo Coriolano
da Redação
06 Jan 2009 - 00h28min
Quatro dias depois de a prefeita Luizianne Lins (PT) ter tomado posse para seu segundo mandato, ontem foi a vez do vice-prefeito eleito Tin Gomes (PHS) assumir oficialmente o cargo no qual, adianta, não tem pretensões de permanecer por muito tempo. Por conta da crise instalada entre ele e Luizianne, depois do conturbado processo eleitoral que levou, contra a vontade da prefeita, o vereador Salmito Filho (PT) ao comando da Câmara Municipal, Tin Gomes já decidiu que a partir do meio do ano irá concentrar esforços para ser eleito deputado estadual em 2010.
Tin Gomes chegou ontem pela manhã de surpresa às dependências da Câmara, decidido que aquele era o momento para ser empossado vice-prefeito da Capital. Não foi nem possível, por exemplo, um registro fotográfico pela assessoria da Casa. “Eu tinha de tomar posse hoje (ontem), porque eu vou viajar e só volto no dia 26 de janeiro”, explicou o vice-prefeito, que não havia sido empossado no dia 1º, por ter se retirado da Câmara antes do fim da cerimônia. Tin garantiu ainda que ninguém, nem mesmo o presidente Salmito Filho, sabia de sua intenção de tomar posse ontem.
O vice-prefeito acabou interrompendo uma reunião entre o novo presidente da Câmara, Salmito Filho, e outros 24 vereadores, que discutiam questões administrativas da Casa. E foi ali mesmo, na sala da presidência, que Tin fez o juramento e assinou o livro de posse. Em um rápido discurso, o vice-prefeito prestou agradecimentos ao vereadores da legislatura passada e desejou sorte para o sucessor Salmito Filho.
Apesar de afirmar que o imbróglio criado por conta de seu envolvimento na eleição de Salmito já é uma “página virada”, Tin prevê que deve ficar em situação de ostracismo dentro da Prefeitura, e adianta que vai se dedicar exclusivamente à campanha para deputado estadual, deixando de lado o gabinete da vice-prefeitura.
“Não farei mais projetos para a prefeitura, não dedicarei nenhum espaço de tempo como vice-prefeito e vou cuidar da minha vida pessoal”, assegurou Tin, durante entrevista coletiva. “A partir do meio do ano, vou dedicar o pouco do meu tempo aos colégios eleitorais que tenho acesso no Interior e em Fortaleza”, assumiu Tin, em entrevista ao O POVO, depois por telefone.
Diante desse quadro, Tin Gomes ficará recebendo o salário de R$ 8,6 mil sem realizar qualquer tipo de atividade na Prefeitura. Além disso, ele terá a sua disposição 21 funcionários, de acordo com uma mensagem da prefeita Luizianne Lins, aprovada em dezembro pela Câmara, que aumenta de dez para 21 o número de cargos comissionados do gabinete da vice-prefeitura. Tin disse, à época, que esse crescimento no número de funcionários fazia parte de uma reestruturação da vice-prefeitura, que ficaria em condições de desenvolver certos projetos.
Conspiração
Ainda durante a entrevista coletiva, Tin voltou a rebater as críticas da prefeita Luizianne Lins, que em entrevista ao O POVO declarou por diversas vezes ter sido vítima de uma conspiração encabeçada pelo então presidente da Câmara. “Se eu quisesse ter conspirado contra a prefeita, eu teria conspirado durante a presidência da Câmara, e não como um mero e simples vice-prefeito”, declarou.
Tin também disse que está descartada a possibilidade de que o grupo de vereadores que votaram em Salmito entre com uma ação judicial contra a prefeita, que em entrevista ao O POVO declarou que um vereador teria dito que abriria mão de R$ 30 mil para não votar em Salmito. “Como a prefeita disse em entrevista para a TV O POVO que foi só boato, eles não vão mais fazer isso”, explicou.
EMAIS
- A crise entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o vice Tin Gomes (PHS) chamou a atenção pela rapidez em que foi instalada. Mas essa não é a primeira vez que prefeito e vice rompem na história política de Fortaleza.
- Em 2007, alegando falta de espaço dentro da gestão, o então vice de Luizianne, Carlos Veneranda (ex-PSB, atual PDT), rompe com a petista e vira um de seus maiores opositores.
- Juraci Magalhães (ex-PMDB, atual PR) foi outro prefeito que não conseguiu estabelecer uma relação cordial com os seus vices. Primeiro, o racha foi com Marlon Cambraia (na época no PMDB). Depois foi a vez de Isabel Lopes e Juraci se darem as costas. Ela sai do PMDB e se filia ao partido que mais fazia críticas à gestão Juraci Magalhães: o PT.
- Em 1990, o caso de maior sucesso entre os vices dissidentes. Neste ano, Ciro Gomes (à época no PSDB) se candidata a governador e deixa a Prefeitura nas mãos de Juraci Magalhães. Pouco tempo depois os dois rompem e Juraci apoia Paulo Lustosa (ex-PFL, atual PMDB).
Tin Gomes chegou ontem pela manhã de surpresa às dependências da Câmara, decidido que aquele era o momento para ser empossado vice-prefeito da Capital. Não foi nem possível, por exemplo, um registro fotográfico pela assessoria da Casa. “Eu tinha de tomar posse hoje (ontem), porque eu vou viajar e só volto no dia 26 de janeiro”, explicou o vice-prefeito, que não havia sido empossado no dia 1º, por ter se retirado da Câmara antes do fim da cerimônia. Tin garantiu ainda que ninguém, nem mesmo o presidente Salmito Filho, sabia de sua intenção de tomar posse ontem.
O vice-prefeito acabou interrompendo uma reunião entre o novo presidente da Câmara, Salmito Filho, e outros 24 vereadores, que discutiam questões administrativas da Casa. E foi ali mesmo, na sala da presidência, que Tin fez o juramento e assinou o livro de posse. Em um rápido discurso, o vice-prefeito prestou agradecimentos ao vereadores da legislatura passada e desejou sorte para o sucessor Salmito Filho.
Apesar de afirmar que o imbróglio criado por conta de seu envolvimento na eleição de Salmito já é uma “página virada”, Tin prevê que deve ficar em situação de ostracismo dentro da Prefeitura, e adianta que vai se dedicar exclusivamente à campanha para deputado estadual, deixando de lado o gabinete da vice-prefeitura.
“Não farei mais projetos para a prefeitura, não dedicarei nenhum espaço de tempo como vice-prefeito e vou cuidar da minha vida pessoal”, assegurou Tin, durante entrevista coletiva. “A partir do meio do ano, vou dedicar o pouco do meu tempo aos colégios eleitorais que tenho acesso no Interior e em Fortaleza”, assumiu Tin, em entrevista ao O POVO, depois por telefone.
Diante desse quadro, Tin Gomes ficará recebendo o salário de R$ 8,6 mil sem realizar qualquer tipo de atividade na Prefeitura. Além disso, ele terá a sua disposição 21 funcionários, de acordo com uma mensagem da prefeita Luizianne Lins, aprovada em dezembro pela Câmara, que aumenta de dez para 21 o número de cargos comissionados do gabinete da vice-prefeitura. Tin disse, à época, que esse crescimento no número de funcionários fazia parte de uma reestruturação da vice-prefeitura, que ficaria em condições de desenvolver certos projetos.
Conspiração
Ainda durante a entrevista coletiva, Tin voltou a rebater as críticas da prefeita Luizianne Lins, que em entrevista ao O POVO declarou por diversas vezes ter sido vítima de uma conspiração encabeçada pelo então presidente da Câmara. “Se eu quisesse ter conspirado contra a prefeita, eu teria conspirado durante a presidência da Câmara, e não como um mero e simples vice-prefeito”, declarou.
Tin também disse que está descartada a possibilidade de que o grupo de vereadores que votaram em Salmito entre com uma ação judicial contra a prefeita, que em entrevista ao O POVO declarou que um vereador teria dito que abriria mão de R$ 30 mil para não votar em Salmito. “Como a prefeita disse em entrevista para a TV O POVO que foi só boato, eles não vão mais fazer isso”, explicou.
EMAIS
- A crise entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o vice Tin Gomes (PHS) chamou a atenção pela rapidez em que foi instalada. Mas essa não é a primeira vez que prefeito e vice rompem na história política de Fortaleza.
- Em 2007, alegando falta de espaço dentro da gestão, o então vice de Luizianne, Carlos Veneranda (ex-PSB, atual PDT), rompe com a petista e vira um de seus maiores opositores.
- Juraci Magalhães (ex-PMDB, atual PR) foi outro prefeito que não conseguiu estabelecer uma relação cordial com os seus vices. Primeiro, o racha foi com Marlon Cambraia (na época no PMDB). Depois foi a vez de Isabel Lopes e Juraci se darem as costas. Ela sai do PMDB e se filia ao partido que mais fazia críticas à gestão Juraci Magalhães: o PT.
- Em 1990, o caso de maior sucesso entre os vices dissidentes. Neste ano, Ciro Gomes (à época no PSDB) se candidata a governador e deixa a Prefeitura nas mãos de Juraci Magalhães. Pouco tempo depois os dois rompem e Juraci apoia Paulo Lustosa (ex-PFL, atual PMDB).
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