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Fanáticos por carro

Paixão incondicional

O que era apenas uma empolgação de bairro virou paixão incondicional. O estudante Wesley Cabral já perdeu a conta do quanto gastou com seu Opala 1978. Mas garante que, independentemente do valor dispensado, cada centavo valeu a pena para deixar o modelo exatamente do jeito que ele quis


26 Jul 2008 - 00h09min

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"O Opala é meu filho". É assim que o estudante Wesley Cabral define a relação com o automóvel da Chevrolet, ano 1978, que possui desde 2004. Ele confessa que a paixão não é coisa antiga. "Começou com uma febre aqui no bairro. Todo mundo comprava Opala, resolvi ter o meu", diz. Em pouco tempo, lembra ele, o Jóquei Clube já tinha até um Clube do Opala, com reuniões periódicas para que uns vissem (e admirassem) os carros dos outros.

A empolgação do clube, de acordo com Wesley, já não é a mesma dos primeiros dias, mas o amor pelo seu Opala só cresceu com o tempo. Da cor original, um azul de tom duvidoso (como tantos que faziam sucesso na década de 1970), ele passou para uma mais discreta. Também ganhou rodas com aro 19, alguns números maior que a recomendada pela montadora para o carro. Mas de resto, o dono apaixonado fez questão de preservar o máximo da originalidade.

"O motor, a bancada e vários detalhes dele são iguais aos de fábrica", garante Wesley. Como todo apaixonado que se preza,não faz a menor idéia de quanto gastou para deixar o modelo no estado atual. "Nem me preocupo com isso", confessa. Os gastos com a manutenção, no entanto, ele garante que são pouquíssimos. "O carro não me dá nenhuma dor de cabeça". Há ainda outro detalhe lembrado pelo estudante. Os gastos valeram a pena porque cada centavo foi empregado para deixar o Opala exatamente do jeito que ele queria.

Wesley conta ainda que, "por ser um Chevrolet, as peças não são muito baratas". Mas a durabilidade compensa os gastos. "Se você tomar o cuidado de colocar só peças originais, elas demoram muito para dar problema. É isso que eu faço", acrescenta. Vale ressaltar, no entanto, outro cuidado com a manutenção: ninguém, além dele próprio, coloca as mãos no volante.

Uma exceção está sendo estudada para a noiva, que ainda não tem carteira. "Quando ela tirar, vou deixar dirigir. Mas porque eu sei que ela gosta do carro", diz. Essa confiança foi sendo conquistada aos poucos. Ele lembra que, no começo, ela não era tão empolgada com o carro. "Hoje ela me dá até alguns toques de coisas para fazer nele", comemora.

Por fim, o cuidado com o Opala - que ainda não ganhou um nome, mas a questão está em estudo - inclui uma rotina de lavagem que inclui até a preocupação com o contato excessivo com a água. "Antes de pintar, eu lavava duas a três vezes por semana. Agora, com a pintura nova, é só uma vez. A água pode acumular e causar ferrugem", explica o zeloso proprietário. (Sílvio Mauro)


EMAIS
O caderno Veículos publica, a partir de hoje, uma série de matérias sobre fanáticos por carros e suas histórias de paixão. Gente que não troca o veículo antigo por um zero km e já perdeu a conta do quanto gastou em restaurações, consertos e acessórios para deixá-lo "perfeito".

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