Vida & Arte
TELETEATRO
O palco na TV
Voltar-se ao passado para pensar o futuro. Nesse trajeto, a TV Cultura retoma o formato teleteatro, que marcou suas produções nos anos 1970
Juliana Girão
da Redação
01 Jun 2007 - 01h34min
De volta à teledramaturgia. Depois de 30 anos, a TV Cultura retoma o formato teleteatro, que marcou suas produções nos anos 1970 e exibe o novo projeto Direções - Por um Novo Caminho na Teledramaturgia, que reúne 16 obras inéditas, com diretores convidados que são estreantes na televisão, mas de experiência no teatro. Desse total, quatro programas de 30 minutos de duração já foram ao ar nos últimos domingos, numa parceria com o SescTV. Uma outra parte ainda está em gravações nos estúdios da televisão em São Paulo.
O grande estímulo para a idéia acabou vindo da série Antunes Filho em Preto e Branco, recentemente exibida, que resgatou adaptações de textos de autores como Dostoievski, Ibsen e Pirandello, que o diretor havia feito na TV Cultura na década de 1970. A partir daí, nasceu o projeto, coordenado pelo Núcleo de Dramaturgia da TV Cultura e pela equipe técnica do SescTV com a orientação artística de Antunes Filho, que, no Sesc SP é o responsável pelo CPT - Centro de Pesquisa Teatral. Em tempo: a TV Cultura participou na pesquisa e na experimentação de linguagens no campo da teledramaturgia, a partir de 1974, com o programa Teatro 2, que produziu dezenas de teleteatros e trouxe ao grande público obras nacionais e estrangeiras da dramaturgia e da literatura, especialmente adaptadas para a televisão.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Teledramaturgia da TV Cultura, Analy Alvarez, o projeto Direções funciona como um laboratório de pesquisa de novas linguagens. "A proposta era nós fazermos algumas experiências ou experimentos para tentar definir um novo conceito de teledramaturgia. Hoje a teledramaturgia está muito vinculada ao papel da telenovela e a gente fazendo uma avaliação mais profunda vê que é um formato muito desgastado", acredita a idealizadora do projeto, que atuou como atriz na teledramaturgia da TV Cultura três décadas atrás. "Você assite hoje às novelas da Globo e compara com alguma outra de 15 anos atrás e você percebe que houve uma queda de qualidade. Se por um lado, há um avanço na qualidade tecnológica, há uma perda de qualidade no conteúdo. Eles ficam fingindo que são engajados propondo regrinhas de bom comporatmento social, mas não estão discutindio boas questões", diz.
Desgaste
Para Analy, há um desgaste de criação. "Os autores não aguentam mais escrever histórias de amores impossíveis", diz a atriz de teatro que atuou na televisão, em novelas como Beto Rockefeller e Meus Filhos, Minha Vida, além ter escrito novelas como Razão de Viver, para o SBT, diversas peças teatrais e casos especiais para a Rede Globo, incluindo a série Retrato de Mulher. A diretora acredita que faltam opções. "Eu tenho impressão que se ele (o telespectador) colocar uma tela preta, ela (Rede Globo) ainda é lider de audiência. O botão de mudança de canal está cristalizado. A Record faz novela igual a Globo, o SBT faz pior ainda. O povo brasileiro é um povo dramático. Adora dramaturgia e, portanto, assite aquilo que você enfiar na goela dele", diz.
Neste domingo, dia 3, a partir das 21 horas, vai ao ar o quinto "mini-programa", como diz a coordenadora, com 30 minutos de duração, o teleteatro Feline Sobre as Águas, da diretora Bete Dorgam. Ela se inspirou na obra Orinoco, de Emilio Carbadillo, para escrever o teleteatro. O texto mostra três atores que são contratados para apresentar uma adaptação de Hamlet em um teatro de uma cidade distante, para a qual viajam num barco cargueiro. Durante a viagem, fazem algumas descobertas inquietantes. O elenco conta com Caco Mattos, Danilo Grangheia e Dagoberto Feliz.
Os teleteatros irão ao ar, semanalmente, até 19 de agosto. O projeto conta com as participações de diretores com atuação no teatro paulista. São eles: Rodolfo García Vázquez, Samir Yazbek, Georgette Fadel, Maria Thaís, Bete Dorgam, Maucir Campanholi, Beth Lopes, Débora Dubois, Sérgio Ferrara, Pedro Pires, Sérgio de Carvalho, Marco Antônio Braz, Mário Bortolotto, André Garolli e Eduardo Tolentino. Segundo a coordenadora, o projeto terá continuidade com espetáculos de maior duração, cerca de uma hora e meia. Para esses programas, a pré-produção começa em junho e as as gravações em julho.
SERVIÇO
Direções - Todo domingo, às 21 horas, na TV Cultura, um mini-programa de teledramaturgia inédito com 30 minutos de duração, assinado por um diretor teatral da cena paulista. Este domingo (dia 3) vai ao ar o teleteatro Feline Sobre as Águas, da diretora Bete Dorgam.
SAIBA MAIS
Veja programação de Direções em: www.opovo.com.br/conteudoextra
Mais informações: www.tvcultura.com.br
O grande estímulo para a idéia acabou vindo da série Antunes Filho em Preto e Branco, recentemente exibida, que resgatou adaptações de textos de autores como Dostoievski, Ibsen e Pirandello, que o diretor havia feito na TV Cultura na década de 1970. A partir daí, nasceu o projeto, coordenado pelo Núcleo de Dramaturgia da TV Cultura e pela equipe técnica do SescTV com a orientação artística de Antunes Filho, que, no Sesc SP é o responsável pelo CPT - Centro de Pesquisa Teatral. Em tempo: a TV Cultura participou na pesquisa e na experimentação de linguagens no campo da teledramaturgia, a partir de 1974, com o programa Teatro 2, que produziu dezenas de teleteatros e trouxe ao grande público obras nacionais e estrangeiras da dramaturgia e da literatura, especialmente adaptadas para a televisão.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Teledramaturgia da TV Cultura, Analy Alvarez, o projeto Direções funciona como um laboratório de pesquisa de novas linguagens. "A proposta era nós fazermos algumas experiências ou experimentos para tentar definir um novo conceito de teledramaturgia. Hoje a teledramaturgia está muito vinculada ao papel da telenovela e a gente fazendo uma avaliação mais profunda vê que é um formato muito desgastado", acredita a idealizadora do projeto, que atuou como atriz na teledramaturgia da TV Cultura três décadas atrás. "Você assite hoje às novelas da Globo e compara com alguma outra de 15 anos atrás e você percebe que houve uma queda de qualidade. Se por um lado, há um avanço na qualidade tecnológica, há uma perda de qualidade no conteúdo. Eles ficam fingindo que são engajados propondo regrinhas de bom comporatmento social, mas não estão discutindio boas questões", diz.
Desgaste
Para Analy, há um desgaste de criação. "Os autores não aguentam mais escrever histórias de amores impossíveis", diz a atriz de teatro que atuou na televisão, em novelas como Beto Rockefeller e Meus Filhos, Minha Vida, além ter escrito novelas como Razão de Viver, para o SBT, diversas peças teatrais e casos especiais para a Rede Globo, incluindo a série Retrato de Mulher. A diretora acredita que faltam opções. "Eu tenho impressão que se ele (o telespectador) colocar uma tela preta, ela (Rede Globo) ainda é lider de audiência. O botão de mudança de canal está cristalizado. A Record faz novela igual a Globo, o SBT faz pior ainda. O povo brasileiro é um povo dramático. Adora dramaturgia e, portanto, assite aquilo que você enfiar na goela dele", diz.
Neste domingo, dia 3, a partir das 21 horas, vai ao ar o quinto "mini-programa", como diz a coordenadora, com 30 minutos de duração, o teleteatro Feline Sobre as Águas, da diretora Bete Dorgam. Ela se inspirou na obra Orinoco, de Emilio Carbadillo, para escrever o teleteatro. O texto mostra três atores que são contratados para apresentar uma adaptação de Hamlet em um teatro de uma cidade distante, para a qual viajam num barco cargueiro. Durante a viagem, fazem algumas descobertas inquietantes. O elenco conta com Caco Mattos, Danilo Grangheia e Dagoberto Feliz.
Os teleteatros irão ao ar, semanalmente, até 19 de agosto. O projeto conta com as participações de diretores com atuação no teatro paulista. São eles: Rodolfo García Vázquez, Samir Yazbek, Georgette Fadel, Maria Thaís, Bete Dorgam, Maucir Campanholi, Beth Lopes, Débora Dubois, Sérgio Ferrara, Pedro Pires, Sérgio de Carvalho, Marco Antônio Braz, Mário Bortolotto, André Garolli e Eduardo Tolentino. Segundo a coordenadora, o projeto terá continuidade com espetáculos de maior duração, cerca de uma hora e meia. Para esses programas, a pré-produção começa em junho e as as gravações em julho.
SERVIÇO
Direções - Todo domingo, às 21 horas, na TV Cultura, um mini-programa de teledramaturgia inédito com 30 minutos de duração, assinado por um diretor teatral da cena paulista. Este domingo (dia 3) vai ao ar o teleteatro Feline Sobre as Águas, da diretora Bete Dorgam.
SAIBA MAIS
Veja programação de Direções em: www.opovo.com.br/conteudoextra
Mais informações: www.tvcultura.com.br
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