Vida & Arte
TRADUÇÕES
Antologia poética
A tradutora e poeta Virna Teixeira participa do programa Poesia em Revista, no CCBN. Na conversa, ela apresentará o livro Ovelha Negra, uma antologia de poesia da escócia do século XX
Angélica Feitosa
especial para O POVO
14 Dez 2007 - 00h23min
O percurso da tradução segue a vários caminhos. Os quesitos necessários não param no conhecimento de duas ou mais línguas. É preciso exprimir o texto original da forma mais exata possível na língua destino e essa revelação se dá de maneira ainda mais sensível quando o assunto é poesia. Virna Teixeira conhece bem os percalços da tradução. Responsável por trazer ao português a primeira antologia de poetas escoceses com o livro Ovelha Negra, a tradutora e poeta sentiu na pele as dificuldades não somente da tradução, mas de todo o processo burocrático e de negociação para uma edição. Virna levará ao público os (des)caminhos da tradução neste sábado (15), dentro do programa Poesia em Revista, do Centro Cultural Banco do Nordeste.
A conversa parte da publicação da antologia para discutir a tradução de poesias estrangeiras - sobretudo as escocesas. A edição bilíngüe traz uma seleção feita por Virna de 13 poetas escoceses do século XX: Hugh MacDiarmid, Norman MacCaig, Edwin Morgan, George Mackay Brown, Ian Hamilton Finlay, Alastair Reid, Stewart Conn, Douglas Dunn, LizLochhead, Tom Leonard, Jackie Kay, Dilys Rose e Richard Price - a maioria inéditos ou com poucos poemas publicados no Brasil. Virna afirma que a tradução da poesia é um trabalho que requer concentração e equilíbrio para conseguir transportar para uma língua diferente, mantendo o sentido do texto. "Traduzir a poesia é primeiro conseguir manter a musicalidade um trabalho, os ritmos e ainda preservar o que aquele autor queria comunicar ao leitor. Isso deve ser feito o mais próximo ao original e, ao mesmo tampo, de modo que não se distancie da língua do leitor. É um trabalho difícil, ficamos às vezes com dúvidas, tentando achar a solução adequada para cada palavra".
Foi ainda na infância o primeiro contato de Virna Teixeira com a literatura. Cresceu numa casa com muitos livros e foi por culpa de poesias como Rômulo Rema, O Menino Azul e A Pombinha da Mata, da escritora Cecília Meireles, que tomou gosto pela poesia. Cearense radicada em São Paulo há mais de dez anos, seguiu outros caminhos profissionais - formou-se em medicina, enveredou-se pela neurologia - mas nunca deixou de lado a paixão. O início das traduções se deu numa viagem para fazer a residência médica na Escócia, onde pôde ter contato com a poesia do país, que se revelou para ela um mar de possibilidades.
Foi lá que ela conheceu o trabalho do poeta Edwin Morgan e decidiu dedicar-se, por conta própria, à tradução da obra do escritor. O resultado foi o livro Na Estação Central, uma coletânea de 20 poemas de Morgan. Vasculhando as bibliotecas escocesas, teve contato com outros tantos autores do país e resolveu organizar a antologia. "O critério foi de nomes representativos, que trouxessem um diálogo forte com a cultura do país", explica. A partir daí vinha as maiores dificuldades: a reunião dos direitos autorais, o apoio para a publicação e conseguir uma editora que bancasse a idéia. Todo o trabalho foi feito de forma isolada mas rendeu que a antologia fosse publicada pela Lumme Editor e apoiada pelo Scottish Arts Council e Cultura Inglesa. O livro foi lançado na Escócia e na Inglaterra, como também em Brasília e em São Paulo. No encontro, Virna Teixeira também fará uma leitura de alguns dos poemas.
Além de médica e tradutora, Virna também é poeta e autora dos livros Visita (2000) e Distância (2005). "É muito difícil conciliar, tenho que ser disciplinada com o meu tempo. A profissão de médica exige muito do profissional e atividade criativa também requer energia emocional. Não digo que as atividades se completam, mas elas me completam".
SERVIÇO
Um Rebanho de Ovelhas Negras - Uma Conversa em Torno da Tradução, debate dentro do programa Poesia em Revista, com a poeta e tradutora Virna Teixeira. Nesta sábado (15), às 18h, no Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro). Gratuito. Informações: 3464.3108.
A conversa parte da publicação da antologia para discutir a tradução de poesias estrangeiras - sobretudo as escocesas. A edição bilíngüe traz uma seleção feita por Virna de 13 poetas escoceses do século XX: Hugh MacDiarmid, Norman MacCaig, Edwin Morgan, George Mackay Brown, Ian Hamilton Finlay, Alastair Reid, Stewart Conn, Douglas Dunn, LizLochhead, Tom Leonard, Jackie Kay, Dilys Rose e Richard Price - a maioria inéditos ou com poucos poemas publicados no Brasil. Virna afirma que a tradução da poesia é um trabalho que requer concentração e equilíbrio para conseguir transportar para uma língua diferente, mantendo o sentido do texto. "Traduzir a poesia é primeiro conseguir manter a musicalidade um trabalho, os ritmos e ainda preservar o que aquele autor queria comunicar ao leitor. Isso deve ser feito o mais próximo ao original e, ao mesmo tampo, de modo que não se distancie da língua do leitor. É um trabalho difícil, ficamos às vezes com dúvidas, tentando achar a solução adequada para cada palavra".
Foi ainda na infância o primeiro contato de Virna Teixeira com a literatura. Cresceu numa casa com muitos livros e foi por culpa de poesias como Rômulo Rema, O Menino Azul e A Pombinha da Mata, da escritora Cecília Meireles, que tomou gosto pela poesia. Cearense radicada em São Paulo há mais de dez anos, seguiu outros caminhos profissionais - formou-se em medicina, enveredou-se pela neurologia - mas nunca deixou de lado a paixão. O início das traduções se deu numa viagem para fazer a residência médica na Escócia, onde pôde ter contato com a poesia do país, que se revelou para ela um mar de possibilidades.
Foi lá que ela conheceu o trabalho do poeta Edwin Morgan e decidiu dedicar-se, por conta própria, à tradução da obra do escritor. O resultado foi o livro Na Estação Central, uma coletânea de 20 poemas de Morgan. Vasculhando as bibliotecas escocesas, teve contato com outros tantos autores do país e resolveu organizar a antologia. "O critério foi de nomes representativos, que trouxessem um diálogo forte com a cultura do país", explica. A partir daí vinha as maiores dificuldades: a reunião dos direitos autorais, o apoio para a publicação e conseguir uma editora que bancasse a idéia. Todo o trabalho foi feito de forma isolada mas rendeu que a antologia fosse publicada pela Lumme Editor e apoiada pelo Scottish Arts Council e Cultura Inglesa. O livro foi lançado na Escócia e na Inglaterra, como também em Brasília e em São Paulo. No encontro, Virna Teixeira também fará uma leitura de alguns dos poemas.
Além de médica e tradutora, Virna também é poeta e autora dos livros Visita (2000) e Distância (2005). "É muito difícil conciliar, tenho que ser disciplinada com o meu tempo. A profissão de médica exige muito do profissional e atividade criativa também requer energia emocional. Não digo que as atividades se completam, mas elas me completam".
SERVIÇO
Um Rebanho de Ovelhas Negras - Uma Conversa em Torno da Tradução, debate dentro do programa Poesia em Revista, com a poeta e tradutora Virna Teixeira. Nesta sábado (15), às 18h, no Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro). Gratuito. Informações: 3464.3108.
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